Com plantação na cobertura, hospital dos EUA oferece 'comida de fazenda'

Localizado em Long Island, centro médico propõe mudança na qualidade da 'comida de hospital' com produtos frescos cultivados no próprio local

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A previsão do tempo dizia que a primeira geada estava chegando e o fazendeiro e seus três ajudantes caminhavam pelo terraço cortando os mais tenros vegetais e ervas - manjericão, pimentão verde – para não serem afetados pelo frio. Ao longo dos próximos dias, estes vegetais se transformariam em molhos e guarnições e seriam servidos em pratos por garçons vestindo ternos pretos.

Mas não se tratava de um hotel em Manhattan ou São Francisco, e sim do Hospital Universitário Stony Brook, localizado no meio do Condado de Suffolk, em Long Island, onde uma fazenda localizada na cobertura de um prédio que alimenta os pacientes do hospital e propõe uma mudança na qualidade de sua comida. Mas os pacientes, que tem problemas maiores do que a sustentabilidade do brócolis que estão comendo, podem ser clientes difíceis de agradar.

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Cheryl McAndrew, internada em hospital de Stony Brook, Nova York (11/10)

"A acelga foi bem aceita, a couve talvez nem tanto", disse Josephine Connolly-Schoonen, diretora-executiva da divisão de nutrição do hospital. "Quando as pessoas não estão se sentindo bem, elas querem alimentos que tragam conforto".

Centenas de hospitais ao redor de todo o país possuem um jardim em suas terras no qual cultivam seus suprimentos de produtos frescos ou pelo menos compram alguns de seus alimentos de sítios locais, fazendas e cooperativas, de acordo com uma pesquisa realizada pela Health Care Without Harm, uma coalizão internacional de grupos de cuidados de saúde.

Há pouca evidência científica que sugira que vegetais frescos possam ajudar as pessoas doentes em sua recuperação, embora Connolly-Schoonen e seus colegas tenham dito que suas propriedades antioxidantes podem contribuir. Mas pelo menos, disse ela, servir comida fresca tem benefícios psicológicos e é um bom exemplo para os pacientes seguirem quando voltarem para suas casas.

O primeiro lote de terra do hospital foi entregue em julho de 2011 em uma plataforma no quarto andar de um edifício escolar. Desde então, a fazenda, que pode ser vista do quarto de alguns pacientes, aumentou de 80 para 180 metros quadrados, com uma concessão de cinco anos e US$ 82 mil pelo Departamento de Saúde do Estado, compartilhado por várias hortas comunitárias.

Membros do corpo docente e dos trabalhadores trouxeram sacos de minhocas de casa. Agricultores - estagiários do departamento de medicina familiar, onde Connolly-Schoonen é professora associada, e do programa de estudos de sustentabilidade, administrado por seu marido, Martin Schoonen – subiram escadas carregando 70 sacos de adubo e 20 fardos de palha até o local.

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Estagiários como Michael Geddes, 23, de Flushing, Queens, participam de colheitas diariamente e levam os produtos até a cozinha do hospital, onde são pesados e colocados no refrigerador.

Stony Brook possui um serviço de quarto parecido com o de um hotel, ou seja, os pacientes podem solicitar refeições a partir de um cardápio das 7h até as 19h. Quando eles ligam para efetuar seus pedidos, um associado de serviço de quarto lhes informa os alimentos especiais do dia.

Mas alguns dos pacientes mais graves estão menos propensos a serem alimentados com comida fresca da horta: Muitos estão em dietas restritas que precisam ser calculadas com precisão para estarem de acordo com os padrões necessários para cada um especificamente.

A comida da fazenda parece ser mais bem aceita por adultos do que pelas crianças. Na pediatria, segundo a sous chef Denise Malandrino, "as crianças adoram pizzas individuais e batatas assadas".

Um certo dia, a cozinha transformou uma safra de nabos em um purê de nabos para acompanhar um frango grelhado com espinafre que fazia parte do prato especial do dia. Malandrino refogou o espinafre (que não era da fazenda) em azeite de oliva. Ela amassou os nabos com um pouco de manteiga, leite, sal e pimenta e o serviu.

"Purê de nabo tem sido um acompanhamento bastante popular realmente ", disse Malandrino. "Recebemos de 25 a 30 pedidos de purê de nabo semanalmente, dependendo da colheita."

Dois pratos foram levados para a unidade cardíaca, onde Cheryl McAndrew e Barbara Ryder, companheiras de quarto, aguardavam pelo purê de nabo, a pedido de um nutricionista hospital.

"Para ser sincera, eu ia comer o macarrão", disse McAndrew. Ryder disse que só comia nabo no dia de Ação de Graças.

No entanto, depois de experimentar o purê, ambas as mulheres se deliciaram.

"Gosto de comer vegetais ", disse McAndrew. "Quando eles são bons, valem muito a pena."

Por Anemona Hartocollis

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