Sucesso de salão de caça-níqueis em NY abre novos caminhos para cassinos

Simples, mas perto dos clientes, Resort World gerou quase US$ 630 milhões em seu primeiro ano, competindo com casas de Connecticut e Atlantic City

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Um cassino que abriu há um ano  no local de uma antiga pista de corridas de corrida de cavalos no Queens, em Nova York, se tornou o maior espaço para máquinas caça-níqueis do país, ajudando a remodelar o cenário de jogatina no nordeste dos EUA à medida que as pessoas optam por opções mais locais ao invés das tradicionais mecas em cidades como Atlantic City e Connecticut.

O cassino Resorts World de Nova York gerou cerca de US$ 630 milhões em lucro nos últimos 12 meses em máquinas caça-níqueis eletrônicas, mais do que as máquinas dos 12 casinos em Atlantic City ou no Foxwoods ou do Mohegan Sun, em Connecticut. A renda média de uma máquina caça-níqueis eletrônica é mais do que US$ 370 por dia, em comparação com os US$ 169 das máquinas de Las Vegas.

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William Andujar aposta em casino de Nova York (11/10)

O sucesso do casino, o único dos cinco distritos de Nova York, sugere que não importa o quanto o local possa ser luxuoso ou emocionante, nada atrai os jogadores mais do que um cassino que fica nas proximidades. Mais de 5,6 milhões de pessoas vivem há 15 quilômetros - uma curta viagem de metrô ou de carro - do cassino, que espera chegar a seu décimo milionésimo cliente até o final de outubro. Ao mesmo tempo, espera-se também que o grande sucesso do casino tenha impacto na maneira segundo a qual o governo de Andrew Cuomo avança com planos para aprovar mais e ainda maiores casinos em todo o Estado.

"Conveniência e localização são os fatores mais levados em consideração hoje em dia", disse William R. Eadington, diretor do Instituto para o Estudo da Jogatina e Jogatina Comercial da Universidade de Nevada. "Se você colocar um cassino em um local com uma população de alta densidade como no Queens, você vai se dar bem."

No entanto, alguns não tiveram a mesma sorte. Receitas dos casinos em Atlantic City caíram 36%, a partir de uma alta de US$ 5,2 bilhões em 2006 para US$ 3,3 bilhões no ano passado. As receitas também diminuíram nos cassinos de Connecticut. No mês passado, Mohegan Sun em Uncasville, Connecticut, o maior cassino do mundo, anunciou que iria demitir 328 trabalhadores, culpando o casino no Aqueduto e uma economia fraca.

Com a proliferação de cassinos e salões de caça-níqueis, os estabelecimentos de Connecticut e de Atlantic City não são os únicos a sentir o aperto da concorrência. O Casino Empire City em Yonkers, até recentemente uma das mais lucrativas salas de caça-níqueis de Nova York, disse ter visto uma queda de 15% em seu negócio desde que o Resorts World abriu.

O sucesso do Resorts World acontece em meio a um debate contínuo sobre a jogatina no Estado de Nova York, com casinos muito maiores e com mais variedades de jogos do que o Aqueduto.

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Os lucros do Resort World levantam uma questão fundamental: será que o Estado irá ganhar mais ou menos dinheiro com a jogatina caso Cuomo seja bem sucedido na autorização da abertura de até sete casinos completos (com pôquer, jogos de mesa ao vivo e entretenimento, e não apenas máquinas caça-níqueis)?

No início deste ano, a Assembléia Legislativa do Estado iniciou o processo de alteração da Constituição estadual para permitir jogatina que vai além de máquinas caça-níqueis, que são consideradas parte da loteria.

Autoridades estaduais e executivos da jogatina disseram acreditar que os grandes casinos-resort, especialmente um localizado em Manhattan, seriam um benefício enorme para a economia. Os proponentes disseram que os operadores de casino iriam pagar até US$ 1 bilhão para possuir uma licença para operar em Nova York. E alguns especialistas afirmam que cassinos-resort empregarão sete trabalhadores para cada US$ 1 mil dólares apostados, enquanto salões de caça-níqueis em média empregam apenas três postos de trabalho pela mesma quantia.

Mas o sucesso do casino no Aqueduto também poderia ser usado como um argumento contra futuros cassinos, pois aparentemente parece estar roubando alguns clientes de outros cassinos para dar certo. Um cassino de grande escala em Nova York ou em Long Island que atrai multidões, de acordo com os especialistas, irá quase certamente afetar os lucros dos salões de caça-níqueis locais.

Com uma queda na receita de alguns salões de caça-níqueis e uma taxa de imposto mais baixa para um cassino mais estruturado, o Estado poderá presenciar um declínio na receita direcionada para a educação dos quase US$ 1 bilhão por ano que recebe dos salões de caça-níqueis.

Karim Câmara, um deputado estadual do Brooklyn que preside a bancada legislativa dos afro-americanos, latinos, porto riquenhos e asiáticos, disse que tinha "sérias reservas" sobre qualquer plano que vise reduzir o dinheiro direcionado à educação.

Clyde W. Barrow, diretor do Centro de Análise Política da Universidade de Massachusetts, Dartmouth, disse que a questão colocava a expansão de receitas fiscais contra empregos e desenvolvimento econômico. "A maioria dos Estados teve de escolher ou um ou outro", disse ele. "Os Estados que adotaram o modelo de cassino-resortes receberam menores taxas de impostos."

Por Charles V. Bagli

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