Discreto, George W. Bush paira sobre eleição presidencial americana

Para Romney, governo de ex-presidente dos EUA representa 'fardo'; para Obama, um escudo contra as críticas à situação da economia

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Ele não tem falado em público ou aparecido em comerciais de televisão. Os eleitores raramente ouvem seu nome.

Mas tirando o presidente Barack Obama e seu rival republicano, Mitt Romney , ninguém tem moldado a a eleição de 2012 mais do que George W. Bush – tanto na economia quanto nas questões de política externa que foram o centro das atenções durante o último debate presidencial , em 22 de outubro.

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O ex-presidente dos EUA George W. Bush (arquivo)

Para Romney, a reputação de Bush, o último presidente republicano (no poder entre 2001 e 2009), representa um histórico que precisa ter sua importância reduzida nesta acirrada disputa para a Casa Branca. Os dois não fizeram nenhuma aparição juntos este ano.

Quando um membro da plateia perguntou sobre Bush no segundo debate , Romney distanciou-se do que ele caracterizou como sendo deficiências de Bush quanto ao déficit orçamental e o comércio com a China.

Para Obama, o histórico econômico de Bush oferece um escudo contra a indignação dos eleitores sobre o desemprego elevado e o crescimento lento. As maiorias nas pesquisas descrevem os problemas econômicos do país como algo herdado e não necessariamente culpa do governo de Obama.

Obama também tem ao seu lado o "cansaço" do povo americano com as longas guerras no Iraque e no Afeganistão, que Bush iniciou. Ao tentar acabar com elas - e por ter sido bem-sucedido na caça a Osama bin Laden , algo que Bush não conseguiu fazer -, Obama ficou mais popular entre os eleitores em relação à política externa do que em seu desempenho quanto à criação de empregos.

Tanto o presidente quanto Romney tentaram usar a era de Bush para sua vantagem no terceiro debate. Obama disse que seu oponente tinha "elogiado George W. Bush por suas realizações econômicas e Dick Cheney como alguém que mostra grande sabedoria e juízo". Mas foram suas estratégias, sugeriu o presidente, que "nos colocaram nesta bagunça".

Referindo-se a operação de resgate do governo da indústria automobilística, Romney disse que Bush "fez os primeiros cheques". Romney disse discordar e que teria preferido uma "falência controlada".

Menos de quatro anos depois de Bush ter deixado a Casa Branca, o problema é ao mesmo tempo abrangente e discreto – assim como o ex-presidente tem sido desde que deixou a Casa Branca. Como ele disse em uma rara entrevista: "Saí do pântano", falando sobre Washington.

"Ele quase nunca é citado em pesquisas com grupos de foco", disse um assessor de alto escalão da campanha de Bush, que pediu para não ser identificado. Quando os eleitores pensam sobre a identidade do Partido Republicano, são mais propensos a citar o movimento Tea Party.

Mas por causa de Bush, acrescentou o conselheiro, os eleitores dão a Obama "uma grande credibilidade" na hora de atribuir culpa pela fraca economia. Estrategistas democratas ressaltaram esta questão.

"Se não fosse pelo histórico de Bush em relação à economia, Obama não teria que ter lidado com isso hoje", disse Stan Greenberg, um pesquisador democrata e ex-conselheiro de Bill Clinton.

Obama compara as políticas de Romney às de Bush, mas diz que o candidato tende ainda mais para a direita na questão de impostos e na preferência por um confronto militar com outros países. Ele não costuma mencionar muito o nome de Bush, para evitar parecer que esteja querendo colocar toda a culpa sobre o ex-presidente.

Romney tem a difícil tarefa de tentar mobilizar os mesmos republicanos conservadores que apoiaram Bush, enquanto tenta expor suas próprias políticas. Com os democratas dizendo que seu plano econômico é como os cortes de impostos de Bush de 2001 e 2003 mas "com esteroides", Romney disse que sua proposta fiscal "não é nada parecida com algo que já foi tentado antes", porque ele junta reduções de tarifas com a eliminação de algumas deduções.

"O presidente Bush e eu somos pessoas diferentes, e estes são tempos diferentes", disse Romney. Neil Newhouse, pesquisador de Romney, disse: "Estamos fazendo uma campanha que visa o futuro."

Ex-assessores de Bush não estão felizes com as críticas tanto por parte dos republicanos quanto dos democratas. Tony Fratto, porta-voz de Bush, rebateu comentários negativos feitos por Romney sobre Bush. Mas, assim como seu ex-chefe, que ofereceu apenas um endosso superficial ao candidato de seu partido, ele preferiu não falar muito.

"Resolvi assumir a mesma postura que o presidente Bush", disse Fratto, que hoje é sócio da empresa de consultoria em estratégias Hamilton Place. ''Ele não está interessado em dificultar a chance de o candidato republicano ser eleito. Iremos trabalhar com os historiadores e deixar os candidatos serem candidatos."

Por John Harwood

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