Venda de drogas em tradicional mercado de bairro choca nova-iorquinos

Moradores da região do Brooklyn surpreendem-se com a prisão de Ralph Jawad, comerciante que tinha a confiança e o respeito dos vizinhos

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Em uma área no Brooklyn, a presença de Ralph Jawad era sinônimo de bem-estar. Seu mercadinho, um dos poucos sobreviventes da velha Nova York, resistiu ao longo de décadas, mesmo quando a vizinhança em Fort Greene, perto do novo Barclays Center, mudou de maneira drástica. Até mesmo a placa na frente da loja, que exibia um nome que já não era mais utilizado, não tinha sido alterada.

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O mercadinho, conhecido por todos como Ralph’s, era o tipo de lugar onde os moradores locais deixavam um conjunto as chaves de seu apartamento ou podiam comprar fiado. Era o tipo de lugar que ficava sempre aberto, sempre pronto para as compras necessárias e mais compulsivas do dia a dia: batatas fritas, doces, cigarros, cerveja.

E, segundo a polícia, drogas.

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Moradores caminham pelo Brooklyn, em Nova York (23/10)

A polícia prendeu Jawad, 48, na noite de 18 de outubro depois que, segundo eles, um policial disfarçado conseguiu comprar maconha dele. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, disse a polícia. Além disso, Jawad havia sido preso, acrescentaram, em 2003, sob acusação de porte ilegal de armas. O Ministério Público do Brooklyn se recusou a julgar esse caso.

Dentro da loja, junto com carne e sacos de açúcar, o departamento de narcóticos do Brooklyn disse ter encontrado cerca de 460 comprimidos variados que incluíam oxicodona, valium, morfina, mais de um quilo de maconha, mais de US$ 21 mil em dinheiro e dois revólveres. Dois funcionários foram presos com Jawad por posse de drogas e arma. Todos deverão enfrentar até 25 anos de prisão.

Na forma de um escândalo de cidade pequena, a prisão de Jawad sacudiu a comunidade da região, que o conhecia como o prefeito do quarteirão.

Fechada na sexta-feira, dia 19 de outubro, a loja voltou a abrir no domingo, embora Jawad tenha ficado detido até segunda-feira, quando foi libertado após o pagamento de uma fiança de US$ 25 mil. "Estou aqui até que as coisas se normalizem", disse um dos irmãos de Jawad, conhecido como Bambi.

Seu pai, Abdel, também estava na loja, mas enfatizou que estava aposentado. Ele disse que aconteceram "alguns assaltos à loja" que nunca foram comunicados à polícia, explicando as armas, que ele disse que estavam em um cofre no fundo da loja junto com o dinheiro. "Nunca fizemos mal a ninguém."

De acordo com a queixa, a polícia encontrou uma arma em um cofre e outra atrás do balcão, em uma caixa de pacotes de açúcar.

Nas mesas e bancos localizados do lado de fora da bodega, onde os moradores frequentemente se sentavam para fofocar, aqueles que se reuniram no domingo falaram sobre a generosidade da família de Jawad. Keisha Brown, 35, lembrou de ganhar doces grátis quando era criança, quando a loja foi ainda se chamava Meat Corp.

Outros, no entanto, enxergavam a loja, com pisos sujos e prateleiras meio vazias, como uma monstruosidade, ou pior.

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Uma mulher saindo de um estúdio de ioga próximo disse que o lugar tinha outra reputação entre os moradores mais novos. Era “um segredo local” que todos sabiam que as drogas eram vendidas lá, disse a mulher, que não quis dar seu nome.

Descansando no sol da tarde fora do Bar Mo, localizado do outro lado da rua, três mulheres de Houston descreveram a loja como sendo uma “frente” para a venda de drogas e fizeram piadas sobre as prisões.

"Não é possível que um local como este esteja vendendo sanduíches suficientes para pagar o aluguel", disse Wills Lauren, 26, uma designer de interiores e residente nas proximidades desde 2004.

"Basta tentar comprar um sanduíche especial e ver o que colocam dentro dele de recheio", disse Emily Worthington, 26, que trabalha com moda e vive em Tribeca. "Tenho medo de ir lá."

Uma terceira amiga, em um desafio, atravessou a rua e entrou no Ralph’s. Ela voltou com um pacote de Alka-Seltzer.

Por J. David Goodman

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