Em reta final de campanha, Obama e Romney apelam para eleitoras indecisas

Questões como aborto e igualdade de salários estão na pauta dos candidatos à presidência

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Horas depois do final do debate presidencial no dia 16 de outubro, a campanha de Mitt Romney começou a transmitir um novo comercial que buscava suavizar suas posições sobre o aborto e contraceptivos através da voz de uma apoiadora que disse ter votado em Barack Obama em 2008.

Antes do amanhecer na quarta-feira, dia 17 de outubro, os democratas haviam transmitido no Facebook, Twitter, Tumblr e televisão uma mensagem para ridicularizar a declaração feita por Romney no debate dizendo que havia recolhido "fichários cheios de mulheres" quando ele era governador de Massachusetts em busca de mulheres "qualificadas" para fazerem parte de seu gabinete.

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Obama e Romney durante o segundo debate presidencial nos Estados Unidos: eleitoras indecisas na jogada

E tanto na campanha eleitoral quanto no ar, os candidatos e seus aliados argumentaram intensamente durante todo o dia sobre quem iria fazer mais para ajudar as mulheres. Ao mesmo tempo, o tema de se o combativo encontro na noite de terça alienou muitas das eleitoras que eles estavam querendo conquistar foi motivo de muitas discussões em programas de televisão.

O nível de intensidade deixou poucas dúvidas de que a eleição não iria depender apenas de uma disputa de estado por estado, mas também iria lidar com a fidelidade de vitais grupos demográficos, sendo um dos principais deles as eleitoras indecisas.

Através de pesquisas e grupos de foco, a campanha de Romney tem descoberto que embora as eleitoras indecisas disseram estar preocupadas sobretudo com questões econômicas, elas também estavam preocupadas com o fato de as posições de Romney sobre questões como o aborto e contraceptivos eram muito radicais.

Romney, que quando candidato a governador em 2002, disse ser pró-vida, mas posteriormente mudou sua posição, agora se opõe ao direito ao aborto, exceto em casos de estupro e incesto. Em relação ao acesso à contraceptivos, Romney enfatizou sua oposição às políticas de Obama que pressionam um empregador religioso a oferecer seguro de saúde que cobre a contracepção.

Ele não pretende negar acesso à contracepção, mas manifestou apoiar a uma disposição que dá o direito a empregadores a negarem a cobertura para contraceptivo por razões morais.

Romney e sua equipe tentaram responder a estas preocupações. Eles disseram que a percepção das posições de Romney haviam sido injustamente moldadas pelos anúncios transmitidos pela campanha de Obama.

Joel Benenson, um pesquisador para a campanha de Obama, disse em uma entrevista que ele não acreditava que Romney iria mudar de ideia, dizendo: "sua percepção está muito clara em relação a uma variedade de posturas adotadas em temas econômicos e sociais".

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Obama e Romney se divertem durante jantar beneficente em Nova York

Em uma teleconferência com jornalistas, Cecile Richards, presidente da organização Planned Parenthood, acusou Romney de tentar "enganar o povo americano sobre seu plano para fazer com que as decisões das mulheres sobre seus cuidados de saúde sejam feitas por seus patrões."

Ela apontou para a declaração feita por Romney sobre seu apoio para a chamada Emenda Blunt, que permitiria que os empregadores negassem a cobertura de saúde para procedimentos que julgam ser moralmente questionáveis (ele disse isso logo após de ter falado em uma rede de televisão que era contra essa lei).

A campanha de Obama deixou claro que iria continuar a pressionar os argumentos de Romney em relação as questões das mulheres em seus anúncios, e gastaram um adicional de US $ 7 milhões em uma blitz televisiva que já estava custando US $ 40 milhões.

Campanha de Romney teve sua própria ofensiva pronta. Em uma ligação telefônica com jornalistas, o senador Kelly Ayotte, de Nova Hampshire, disse: "Quando o presidente expõe sua opinião sobre o assunto de mulheres, ele não fala sobre a sua visão de como irá lidar com o número de mulheres que estão desempregadas."

E na quarta-feira, dia 17 de outubro, a campanha de Romney lançou um anúncio com mulheres que haviam trabalhado com ele durante seu governo e que disseram ter sido conquistadas por sua "humanidade", dizendo que ele "apoia as mulheres" e luta pelas mães solteiras.

Por Jim Rutenberg e Jeremy W. Peters

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