Decisão de não exibir programa sobre acusações contra Jimmy Savile, morto no ano passado, abala imagem da BBC no Reino Unido

NYT

O apresentador britânico Jimmy Savile, em foto de arquivo
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O apresentador britânico Jimmy Savile, em foto de arquivo

A história parecia perfeita para ser transmitida no programa “Newsnight” na BBC: um apresentador de TV amado nacionalmente se revelou um pedófilo que ficava à espreita para atrair jovens adolescentes em hospitais, lares para crianças e até mesmo nos próprios corredores da emissora.

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O programa "Newsnight" encontrou mulheres dispostas a ir ao ar com intuito de declarar que o apresentador Jimmy Savile , que morreu no ano passado, tinha abusado delas quando eram jovens. Mas em dezembro de 2011, quando a reportagem se aproximava de sua conclusão, ela foi abruptamente cancelada pelo editor responsável, que disse que não haviam provas suficientes para justificar a história.

Essa decisão e o fato de a BBC não investigar rumores sobre o comportamento de Savile durante quatro décadas são agora objeto de três investigações independentes, alimentadas por um feroz mercado de tabloides britânicos irritado com a cobertura que a BBC fez do escândalo.

Com novas vítimas de Savile surgindo diariamente, George Entwistle, que assumiu o cargo de diretor geral da BBC há um mês, enfrentou perguntas embaraçosas sobre o que a empresa sabia e por que não fez nada a respeito. O Parlamento, que debateu a questão na segunda-feira, dia 15 de outubro, convocou Entwistle para responder a perguntas na semana do dia 22 de outubro.

Executivos da BBC, incluindo Entwistle, que na época era responsável pela programação de televisão para a empresa, têm negado ter pressionado o programa "Newsnight" para acabar com a reportagem sobre Savile, uma afirmação apoiada pelo editor do "Newsnight" Peter Rippon, que tomou a decisão. Mark Thompson, que era o diretor geral da BBC na época e é agora o novo presidente do The New York Times, recentemente disse que ele não sabia que a reportagem sobre Savile estava sendo sequer considerada.

Ainda mais embaraçoso para a corporação é que, em dezembro, na época em que a reportagem sobre Savile foi cancelada, ela transmitiu três programas elogiando Savile.

O caso de Savile não está restrito apenas à BBC, atraindo alguns das instituições mais importantes do Reino Unido. A Scotland Yard abriu uma investigação envolvendo 14 outras forças policiais e não menos do que 340 "linhas de investigação", que disseram que entre 1959 a 2006 Savile poderia ter molestado 60 ou mais meninas menores de idade.

Mas politicamente o foco principal é na BBC. "Todo mundo ficou enojado com o abuso realizado por Jimmy Savile," Harriet Harman, vice-líder do Partido Trabalhista, disse na Câmara dos Comuns. "Isto com certeza sujou a imagem da BBC."

Por Sarah Lyall

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