Na Venezuela, oposição tenta se unir para derrotar partidários de Chávez

Líder da coaligação Mesa da Unidade Democrática, Ramon Guillermo Aveledo, busca apoio para vencer eleições estaduais marcadas para 16 de dezembro

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Ramon Guillermo Aveledo tem desempenhado o papel de figura central para a oposição política da Venezuela, lutando para manter um grupo de partidos através de todo o espectro político de se separarem. Seu trabalho não está prestes a ficar mais fácil.

Vencida pela reeleição do presidente Hugo Chávez neste mês, a oposição rebelde da Venezuela está lutando para permanecer unida e para reunir seus seguidores antes da votação para governador em dezembro.

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O candidato da oposição à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, concede entrevista em Caracas (01/10)

"Não há nada que sugira que estaremos melhor separados do que juntos", disse Aveledo, secretário-executivo da coligação de oposição, conhecida como Mesa da Unidade Democrática, que apoiou o desafiante de Chávez, Henrique Capriles.

Chávez, que está no cargo por quase 14 anos, foi reeleito no dia 7 de outubro, com 55% dos votos, contra os 44% de Capriles. Foi o melhor desempenho da oposição nas eleições presidenciais desde que Chávez assumiu o poder em 1999.

Mas uma derrota é sempre uma derrota, e agora a oposição tem a difícil tarefa de estimular seus partidários nos 23 estados do país para as eleições para governador no dia 16 de dezembro.

Disputa estadual

Oito governadores atualmente pertencem à oposição, mas todas eles têm que concorrer à reeleição. Isso inclui Capriles, o governador de Miranda, que disse na semana passada que iria concorrer novamente.

Ativistas da oposição secretamente temem um desastre caso seus seguidores desiludidos se recusarem a votar. Chávez venceu em 21 Estados, incluindo Miranda, sugerindo que ele pode estar pronto para tirar alguns dos cargos de governadores que atualmente estão nas mãos da oposição.

"A chave para o sucesso é se recuperar rapidamente e seguir em frente", disse Capriles, em uma entrevista coletiva, dois dias após a eleição.

Mas muito disso dependerá da capacidade da oposição em se manter unida. A coligação teve um bom desempenho especialmente nas eleições legislativas em 2010, quando a oposição ganhou um grande número de lugares na Assembléia Nacional. Mas agora deverá superar os atritos resultantes da campanha presidencial.

Apesar de tudo, Henry Ramos, chefe do Ação Democrática, um partido social-democrático, disse que a Mesa da Unidade Democrática deverá permanecer unida, e outros concordaram.

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O presidente Hugo Chávez participa de um programa de televisão a partir de seu gabinete após reeleição (arquivo)

"O principal elemento que fará a unidade permanecer forte é a pressão dos cidadãos", disse Maria Corina Machado, uma política conservadora. "Onde quer que você vá, as pessoas dizem: Vocês precisam permanecer unidos."

Chávez usufruiu de sua vitória eleitoral e das próximas eleições para governador para agitar seu gabinete. Ele enviou o vice-presidente Elias Jaua para concorrer contra Capriles em Miranda. E nomeou o ministro das Relações Exteriores, Nicolas Maduro, como seu novo vice-presidente.

Essa escolha imediatamente levantou especulações de que Maduro é o favorito para suceder Chávez, que nunca deixou claro quem será seu sucessor.

Chávez está lutando contra um câncer, levantando discussões entre seus assessores e por parte do público em geral sobre o que aconteceria se ele ficasse doente demais para continuar no cargo.

Segundo a Constituição, se o presidente morrer ou deixar o cargo nos primeiros quatro anos de seu mandato de seis anos, o vice-presidente assumiria até que novas eleições fossem realizadas. Se o presidente morrer ou deixar o cargo nos últimos dois anos, o vice-presidente iria servir o restante do mandato do presidente.

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