Uma análise das declarações de Obama e Romney no segundo debate dos EUA

Veja quais afirmações feitas durante o agressivo embate entre os dois candidatos à presidências são corretas, incorretas ou incompletas

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No segundo debate presidencial dos Estados Unidos, realizado na terça-feira, ambos os candidatos questionaram fatos apresentados por seu rival.  "Não é verdade, governador", disse o presidente Barack Obama. "Deixe-me voltar e analisar os pontos levantados pelo presidente e corrigi-los", afirmou o republicano Mitt Romney .

Direto dos EUA: Obama e Romney protagonizam debate agressivo

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O republicano Mitt Romney e o democrata Barack Obama durante debate em Hempstead, Nova York (16/10)

Muitas afirmações foram feitas no segundo debate presidencial.

Veja quais são corretas, incorretas ou incompletas:

Ataque em Benghazi

A moderadora Candy Crowley, da CNN, entrou em cena quando Romney desafiou a afirmação de Obama de que tinha chamado o ataque ao Consulado dos EUA em Benghazi , na Líbia, de "ato de terror" um dia depois que ele ocorreu.

"Você foi ao jardim da Casa Branca no dia após o ataque e disse se tratar de um ato de terrorismo?", questionou Romney. Mais tarde, ele acrescentou: "Eu quero ter certeza de que nós temos isso registrado, porque o presidente levou 14 dias para dizer que o ataque em Benghazi foi um ato de terror".

"Pegue a transcrição", respondeu Obama.

Crowley interveio, se dirigindo a Romney: "Ele de fato fez isso, senhor."

Ao que o presidente acrescentou: "Você pode dizer isso um pouco mais alto, Candy?"

O governo Obama foi criticado por mudar sua avaliação sobre o que realmente aconteceu em Benghazi, tendo avaliado o ataque, inicialmente, como consequência de protestos contra um vídeo anti-Islã produzido nos EUA. Mas no dia seguinte aos ataques, Obama disse: "Nenhum ato de terror irá abalar a determinação desta grande nação, alterar seu caráter ou obscurecer os valores que defendemos".

Energia

Obama e Romney travaram uma prolongada disputa sobre a política de energia que pareceu um emaranhado de meias-verdades, iniciada por uma pergunta sobre os preços da gasolina que nunca foi completamente respondida.

Romney, descrevendo Obama como hostil às fontes de energia tradicionais, repetiu sua afirmação de que todo o aumento na produção nacional de petróleo e gás nos últimos três anos veio de terras privadas e não públicas, e que o governo Obama cortou pela metade o número de licenças para exploração de petróleo e gás em terras públicas. Nenhuma das afirmações é completamente verdadeira.

A produção de petróleo e gás em terras públicas oscilou durante o governo Obama, mas aumentou modestamente (cerca de 13% para petróleo e 6% para gás), nos primeiros três anos de sua presidência, em comparação aos últimos três anos do governo do presidente George W. Bush (2001-2009), de acordo com uma análise da Administração de Informação de Energia.

O Departamento do Interior produziu um relatório este ano que mostra que as licenças para perfuração recebidas e emitidas pelo órgão de fato declinaram desde os últimos anos do governo Bush até os primeiros anos do governo de Obama - mas não pela metade. No ano fiscal de 2007, o governo emitiu 8.964 autorizações para perfurar em terras públicas, em 2008 foram 7.846. Os números para 2009 e 2010 foram 5.306 e 5.237.

Obama disse que 7 mil licenças de perfuração foram concedidas, mas não estavam sendo usadas por empresas de petróleo, um número preciso, de acordo com o Departamento do Interior.

Obama afirmou que a produção de energia renovável dobrou durante sua presidência, o que é verdade, e que as importações de petróleo estavam em seu nível mais baixo em 16 anos, informação que também é precisa. Ele também disse que a expansão na produção de gás natural poderia produzir 600 mil novos postos de trabalho, uma estimativa muito otimista, mas ele a qualificou com a palavra "potencialmente".

Mas Obama errou ao caracterizar o plano de energia de Romney dizendo que foi escrito por companhias de petróleo e que favoreceria apenas as fontes tradicionais de energia: petróleo, gás e carvão. O plano de energia de Romney dá espaço às energias renováveis, apesar de bruscamente cortar os subsídios federais para a energia solar, eólica e outras fontes alternativas de energia.

Tarifa sobre pneus chineses

Obama disse: "Precisávamos ter certeza de que a China não estava inundando o nosso mercado com pneus baratos" e, portanto, entramos em ação para salvar mil postos de trabalho. É verdade que, em 2009, o governo Obama impôs um imposto sobre pneus chineses, mas no mês passado o governo deixou essa tarifa expirar.

O Sindicato dos Metalúrgicos Unidos, que apoia a política de Obama, pediu a medida, e muitos economistas a criticaram por verem motivação política.

Um estudo do Instituto Peterson de Economia Internacional considerou que a tarifa protegia, no máximo, 1,2 mil empregos nos EUA. Mas, só no ano passado, o instituto descobriu que isso custou aos consumidores americanos US$ 1,1 bilhão em pneus mais caros.

Além disso, a China respondeu impondo tarifas sobre as importações de frango dos EUA que custaram aos avicultores do país estimados em US$ 1 bilhão. No mês passado, o governo Obama silenciosamente deixou a tarifa sobre os pneus expirar. Críticos dizem que o governo reconheceu que os custos econômicos da sanção eram grandes demais.

Relações com Israel

Romney disse que "o presidente disse que iria nos 'afastar' de Israel". Ele está correto?

A campanha de Romney cita uma notícia de jornal sobre um encontro de líderes judeus na Casa Branca em 2009 como prova da afirmação. Nesse relato, publicado pelo The Washington Post, pessoas na reunião disseram que Obama havia dito que "não havia espaço entre nós e Israel" durante o governo Bush, que segundo ele havia machucado a capacidade dos Estados Unidos de influenciar as ações de Israel ou persuadir as nações árabes. "Quando não há distância, Israel está sempre à margem e isso corrói a nossa credibilidade com os Estados árabes", disse o jornal, citando Obama.

Um funcionário da Casa Branca disse não saber se Obama fez essa declaração durante uma reunião privada.

O relato de jornal não citou Obama como explicitamente afirmando que seu "objetivo" era aumentar a distância entre os Estados Unidos e Israel. Ao contrário, a notícia indica que Obama estava se queixando do que sugeriu ser uma falta de vontade do governo Bush em desafiar os israelenses, algo que reduziu a influência do governo dos EUA sobre Israel e ferir sua reputação com os países muçulmanos. Ao mesmo tempo, uma leitura simples da notícia também sugere que Obama queria que seu governo fosse visto como menos maleável em relação a Israel do que o governo de Bush.

Autoridades do governo Obama têm dito que não há qualquer acordo entre os Estados Unidos e Israel sobre a questão de impedir o Irã de obter armas nucleares.

Bolsa Pell para faculdades

Romney disse que quer manter o programa da Bolsa Pell em contínuo crescimento. Esta é uma posição nova para ele.

O governador e sua campanha têm repetidamente criticado a expansão do programa pelo governo Obama, e afirmado acreditar que ele é insustentável. A posição de Romney sobre educação diz que ele "concentraria os dólares da Bolsa Pell nos alunos que mais precisam delas".

Durante meses, isso foi amplamente interpretado como significando que menos pessoas se qualificariam para a bolsa - um problema que a campanha de Romney se recusou a esclarecer.

Romney também restauraria aos bancos a possibilidade de ofertar empréstimos estudantis. Obama eliminou esse papel e usou algumas das economias para pagar a expansão da Bolsa Pell.

AP
Obama mostrou-se mais confiante e tentou acuar Romney no segundo debate

Imigração ilegal

Obama disse que a "principal estratégia" de Romney para conter a imigração ilegal seria a de "incentivar a autodeportação".

Romney não esclareceu exatamente o que iria fazer com os mais de 11 milhões de imigrantes ilegais que existem hoje nos Estados Unidos. Durante as primárias republicanas ele pediu uma aplicação da lei mais rigorosa para pressioná-los a deixar o país. Desde junho, ele moderou essa posição, dizendo que poderia apoiar algumas medidas que permitiriam que um grupo limitado permaneça aqui legalmente.

Romney diz que se opõe a qualquer anistia. Em um debate em janeiro, ele disse que implementaria um programa obrigatório no país para verificar o status legal de todas as novas contratações, o que seria uma expansão de um programa federal conhecido como E-Verify, que atualmente é voluntário. Com esse programa, segundo ele, os imigrantes ilegais seriam descobertos e não conseguiriam trabalho, logo optando pela "autodeportação".

Romney foi pressionado a obter mais detalhes sobre a estratégia de autodeportação durante um encontro no mês passado com a Univision, a rede de língua espanhola. Mas ele não forneceu detalhes. "Acredito que as pessoas fazem suas próprias escolhas para decidir se querem ir para casa", disse.

Mas ele disse que não seria a favor de "um esforço de deportação em massa de 12 milhões de pessoas." Romney afirmou: "O nosso sistema não é deportar pessoas."

O republicano disse que iria apoiar a autorização de residência permanente para os imigrantes ilegais que servem nas Forças Armadas, um grupo de provavelmente dezenas de milhares de pessoas. Romney disse que vai "pôr em prática uma solução definitiva" para a imigração ilegal, mas não descreveu como seria ou como ele resolveria os obstáculos no Congresso que impediram os esforços de Obama em aprovar sua legislação. A maioria dos legisladores republicanos em Washington têm rejeitado qualquer status legal para os imigrantes ilegais, chamando isso de anistia.

Obama falsamente acusou Romney de ter chamado a rigorosa lei imigratória do Arizona de "um modelo para a nação." Romney falou favoravelmente sobre a lei estadual, mas o que chamou de "modelo" foi o uso obrigatório de um sistema de verificação federal eletrônico para identificar o status imigratório de novas contratações.

Por John M. Broder, Sharon LaFraniere, Richard A. Oppel Jr., Richard Perez-Pena, Julia Preston

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