Envio de armas para rebeldes sírios beneficia islâmicos radicais, dizem EUA

De acordo com autoridades americanas, maioria dos armamentos enviados à Síria por Arábia Saudita e Catar cai nas mãos de jihadistas, contrários aos interesses ocidentais

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Autoridades americanas e diplomatas do Oriente Médio acreditam que a maioria das armas enviadas pela Arábia Saudita e pelo Catar para abastecer grupos rebeldes que combatem o governo do presidente da Síria, Bashar Al-Assad, acabam indo parar nas mãos de jihadistas islâmicos - e não dos grupos de oposição mais seculares, que o Ocidente quer reforçar.

Esta conclusão, da qual o presidente Barack Obama e outras autoridades de alto escalão foram informadas durante avaliações confidenciais sobre o conflito sírio, que já matou mais de 25 mil, questiona se a estratégia de intervenção mínima e indireta no conflito adotada pela Casa Branca está atingindo sua finalidade de ajudar a oposição de espírito democrático a derrubar um governo opressor.

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AP
Rebeldes são vistos em depósito na região de Aleppo (14/10)

"Os grupos de oposição que estão recebendo a maior parte das armas são exatamente os que não queremos ajudar", disse uma autoridade dos Estados Unidos familiarizada com essas descobertas, comentando uma operação que, do ponto de vista dos americanos, tem piorado cada vez mais.

Os Estados Unidos não estão enviando armas diretamente para a oposição síria. Ao invés disso, estão fornecendo informações de inteligência e outros tipos de apoio que viabilizam a transferência de armas como fuzis e granadas para a Síria, principalmente orquestrada pela Arábia Saudita e Catar. Os relatos indicam que particularmente os embarques organizados pelo Catar vão parar nas mãos dos islâmicos mais radicais.

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Autoridades americanas vêm tentando entender o motivo de os islâmicos radicais terem recebido a maior parte das armas enviadas para a oposição síria por vias do Qatar e, em uma escala menor, Arábia Saudita. Os oficiais, expressando frustração, disseram que não existe um local de recebimento central para os envios e não há uma maneira eficaz de vetar os grupos que os recebem.

Esses problemas foram preocupações centrais para o diretor da CIA, David H. Petraeus, quando ele viajou secretamente à Turquia no mês passado, segundo as autoridades.

A CIA não comentou a visita de Petraeus, que foi para uma região que conhece bem devido à época em que serviu como general do Exército encarregado do Comando Central, que é responsável por todas as operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Oficiais de países da região disseram que Petraeus tem estado profundamente envolvido na tentativa de orientar o esforço da distribuição, embora autoridades dos Estados Unidos disputem tal afirmação.

De acordo com oficiais americanos e árabes, a CIA enviou agentes para a Turquia para ajudar a administrar o auxílio, mas a agência tem sofrido dificuldades pela falta de informações sobre algumas das principais figuras rebeldes e de muitas das facções.

Por David E. Sanger

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