Surto de meningite causado por esteroide provoca mortes e dor nos EUA

Portador de doença degenerativa, Wayne Reed se pergunta como sua mulher, saudável e ativa, morreu antes dele ao tratar dores no pescoço com remédio contaminado

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Diana Reed apelou para massagem e acupuntura, mas nenhuma dessas alternativas aliviaram sua dor no pescoço. Ela se machucou ajudando seu marido, Wayne, que tem a doença de Lou Gehrig, com sua cadeira de rodas.  "Diana se tornou uma extensão de Wayne", disse seu irmão, Bob Bergeron.

Reed, 56, uma mulher saudável e vigorosa que corria ou nadava todos os dias, decidiu experimentar uma série de injeções de esteroides epidural para o seu problema no pescoço. Ela havia sido demitida de seu emprego em uma organização sem fins lucrativos e foi atrás de tratamentos antes de seu seguro de saúde ser cortado.

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Foto sem data mostra Wayne Reed e sua mulher, Diana, que morreu de meningite

Foi uma decisão que acabou com sua vida. Ela morreu no dia 3 de outubro, uma das mais de 130 pessoas que contraíram meningite em um surto nacional de um medicamento contaminado usado em injeções dadas na espinha para combater dores nas costas e pescoço. Até o momento, pelo menos 12 pessoas morreram.

A droga foi retirada de circulação, mas as pessoas ainda estão suscetíveis a adoecer nas próximas semanas, porque o período de incubação pode ser de mais de um mês. Cerca de 13 mil pessoas que receberam injeções da droga estão esperando ansiosamente para ver se os sintomas aparecem.

O produto é um esteroide chamado de metilprednisolona, que estava contaminado com um ou mais tipos de fungos. Ele foi feito por uma farmácia em Massachusetts, a New England Compounding Co., e enviado para 23 Estados.

A empresa fechou e as autoridades de saúde do Estado de Massachusetts disseram nesta quarta-feira, 10 de outubro, que haviam estendido sua investigação para Ameridose, outra fabricante de medicamentos no Estado que é parcialmente propriedade de Barry Cadden, farmacêutico-chefe da New England Compounding.

Os membros da família de Diana Reed disseram que ainda estavam em estado de choque. Além de seu pescoço dolorido, ela estava em perfeita saúde. "Por que ela tinha que morrer?", o marido se perguntou.

Outras famílias estão se fazendo a mesma pergunta. Mas para Wayne Reed, é particularmente difícil. Ele sofria de esclerose lateral amiotrófica desde 1987. Essa doença ataca os nervos que controlam os músculos voluntários e muitas vezes é fatal dentro de alguns anos, mas Reed – assim como o físico Stephen Hawking - tem uma forma rara que piora lentamente.

Wayne Reed, um contador, está em uma cadeira de rodas há cerca de seis anos, mas ele ainda tem algum controle de suas mãos e braços, pode manter sua cabeça erguida e sentar-se ereto em uma cadeira. Ele fala com esforço e é difícil entendê-lo. Mas, assim como Hawking, a doença não afetou sua mente.

Diana Reed ajudava seu marido entrar e sair da cama, do chuveiro e de sua cadeira de rodas. Ela se tornou fundamental na sua empresa de contabilidade, falando com clientes cada vez mais a medida que sua capacidade de fala deteriorou.

Diana Reed começou a receber as injeções de esteroides no dia 21 de agosto, no Centro Ambulatorial de Neurocirurgia St. Thomas em Nashville, Tennessee. Um total de três sessões foram agendadas, uma a cada duas semanas. Ela sentiu dores e náuseas por um dia completo após as duas primeiras injeções e ela não tinha certeza se o remédio estava ajudando.

Ela pensou em adiar a terceira sessão, mas decidiu seguir em frente, pois não queria interromper o tratamento e precisava aproveitar enquanto tinha seguro.

Poucos dias após o último tratamento, ela começou a ter fortes dores de cabeça. Wayne Reed, cada vez mais preocupado, ficava perguntando se ela queria ir a um médico. Quando ela finalmente disse que sim, na manhã do dia 23 de setembro, ele disse: "Sabia que era hora de ela buscar ajuda."

Ele chamou um de seus filhos para levá-la para a sala de emergência em St. Thomas. Os médicos rapidamente diagnosticaram a meningite.

Uma ressonância magnética mostrou danos cerebrais extensos. Seu médico disse que ela poderia ser mantida viva, mas que permaneceria em um estado vegetativo. Era incompreensível, disse Wayne Reed. Ele perguntou repetidamente se havia alguma alternativa, algo que pudesse ser feito.

"Perguntei ao médico se havia alguma maneira que ela pudesse sobreviver como um ser humano normal", disse ele.

Quando se tornou claro que a resposta era não, ele não hesitou. Ele sabia o que ela queria. Os aparelhos que a mantinham viva foram retirados e Diana Reed morreu dois dias depois, rodeada pela família e amigos.

A família está solicitando seus registros médicos e Wayne Reed consultou um advogado, mas ele disse que não sabia ainda se iria entrar com um processo judicial.

Por Denise Grady

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