Romney ataca política externa de Obama, mas não esclarece a sua

Enquanto critica presidente por não projetar força dos EUA no exterior, candidato republicano ainda precisa detalhar seus planos para garantir a segurança nacional

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O candidato à presidência dos EUA, Mitt Romney , está intensificando seus esforços para ressaltar um forte contraste com o presidente Barack Obama sobre o tema de segurança nacional. Conforme a campanha presidencial chega a sua etapa final, Romney busca retratar Obama como um presidente que não soube lidar com o tumulto no mundo árabe e que deixou o país exposto a um ataque terrorista na Líbia.

Em um discurso na segunda-feira, no Instituto Militar da Virgínia, Romney declarou que "a esperança não é uma estratégia" para lidar com a ascensão de governos islâmicos no Oriente Médio ou o fato de o Irã estar visando obter a capacidade de construir uma arma nuclear.

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O candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney, faz visita a Jerusalém (29/07)

A essência do argumento de Romney é que ele irá trazer os Estados Unidos de volta para uma estratégia que funcionou durante 70 anos, de acordo com o que seu jovem diretor de políticas estrangeira, Alex Wong, disse a jornalistas no domingo.

Mas além de sua crítica a Obama por não projetar a força americana no exterior, Romney ainda precisa explicar muitos dos detalhes sobre como conduziria a política em relação ao resto do mundo ou resolveria profundas divisões ideológicas dentro do Partido Republicano e de sua própria equipe de política externa. É uma equipe de conselheiros extremamante diferentes, que inclui alguns neoconservadores e conservadores tradicionais quando se trata do tema de defesa nacional, e um grupo de autointitulados "realistas" que acreditam que existem limites para o quanto os Estados Unidos podem impor sua vontade.

Cada um destes grupos está disputando espaço para moldar as opiniões de Romney, geralmente através de documentos que muitos dos conselheiros se perguntam se ele está realmente lendo. De fato, em uma campanha que tem sido tão intensamente focada em questões econômicas, alguns destes conselheiros, em entrevistas ao longo das últimas duas semanas, disseram ter conversado tão pouco com ele sobre questões de segurança nacional que não têm certeza de qual exatamente será seu posicionamento e como ele governaria o país - eles insistiram em permanecer no anonimato.

"Será que ele assumiria a liderança e bombardearia o Irã caso os mulás estivessem chegando cada vez mais perto de possuir uma bomba, ou apenas apoiaria os israelenses?", se perguntou um de seus principais assessores na semana passada. "Será que ele insistiria na paz com os palestinos ou permaneceria no status quo? Ele deixou muitas questões sem resposta."

Dois assessores de Romney disseram que ele não parece ter os mesmos fortes instintos que tem com as questões econômicas - ele se adequa melhor, disse um deles, ao conceito de "projetar força" e "restaurar o crescimento econômico global". Mas ele pareceu despreocupado com os diferentes pontos de vista dentro de sua própria campanha sobre a questão de continuar espalhando as liberdades ao estilo americano no Oriente Médio ou de simplesmente administrar, e limitar, a ascensão de governos islâmicos.

E isso levou a uma confusão constrangedora. Richard S. Williamson, um ex-oficial do governo do presidente Ronald Reagan que também serviu no governo de George W. Bush, disse em uma entrevista há duas semanas que Romney era a favor de armar os rebeldes sírios. Depois voltou atrás e disse que, na verdade, Romney era a favor de que os vizinhos árabes os armassem, uma posição bastante parecida com a de Obama. No discurso, Romney disse que, se eleito, trabalhará "com os parceiros dos EUA para identificar e organizar os membros da oposição síria que compartilhem nossos valores e garantir que eles obtenham as armas que precisam para derrotar os tanques, helicópteros e caças" do presidente Bashar Al-Assad.

Em uma entrevista de televisão, há duas semanas, Romney pareceu esquecer de sua posição de que ele iria impedir o Irã de obter uma "capacidade" nuclear - algo que iria conseguir muito antes de obter uma arma - e pareceu estar de acordo com o presidente ao dizer que iria simplesmente impedir o Irã de obter uma arma.

No discurso ele retornou à promessa de "impedir a ‘capacidade’ de obterem armas nucleares". Mas ele discutiu principalmente "novas sanções contra o Irã" em um momento em que Obama impôs o que os republicanos do governo de Bush concordam ser as mais duras já registradas - e combina tudo isso com ciberataques na infraestrutura nuclear iraniana.

O que está faltando na equipe de política externa são os grandes nomes nos círculos do estabelecimento de política externa republicano. O mais conhecido deles, Henry A. Kissinger, endossou Romney, mas recentemente não esteve de acordo com a declaração de que ele iria declarar a China uma manipuladora da moeda no "primeiro dia" que assumisse o governo do país. Na semana passada, Kissinger descreveu a abordagem de ambos os candidatos presidenciais em relação à China como sendo "extremamente deplorável".

Por David E. Sanger

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