Trégua entre gangues traz paz frágil para população de El Salvador

Apesar de país ter apresentado queda de 32% na taxa de homicídio e de 50% na de sequestros no primeiro semestre, grupos falam em falta de envolvimento das autoridades

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Quando os principais líderes das duas gangues de rua mais violentas da região - Mara Salvatrucha e Barrio 18 - sentaram-se lado a lado no ar sufocante de uma prisão de segurança máxima em San Salvador, capital de El Salvador, neste ano, o encontro tinha um objetivo: a paz.

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Após algumas reuniões - e a concessão do governo em transferir 30 dos líderes para condições menos restritivas - eles apertaram as mãos em um pacto para acabar com os assassinatos.

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Edwin Leonel Hueso, membro da gangue Barrio 18, na prisão de Quezaltepeque, em El Salvador

"Nós resolvemos que precisávamos conversar, pois as coisas estavam ficando fora de controle", disse Carlos Tiberio Valladares, um líder que cumpre pena por assassinato e que tem tatuagens de sua gangue em seu rosto. "Ninguém dirá quer ver seus filhos vivendo deste jeito."

Cinco meses depois, a trégua continua em El Salvador, um dos países mais violentos das Américas. Com 30 mil a 50 mil membros e armamentos que incluem rifles e granadas, os dois grupos são exércitos virtuais que têm utilizado seu poder para aterrorizar a população ainda cansada de anos de guerra civil e instabilidade.

O número de homicídios neste país de 6 milhões de habitantes caiu 32% no primeiro semestre deste ano, de cerca de 14 para uma média de cerca de seis por dia; os sequestros caíram 50% e a extorsão diminuiu quase 10%, de acordo com o Ministério da Segurança de El Salvador, que atribui a queda em grande parte à trégua.

Ação

Em uma série de ataques dois anos atrás, que matou mais de 16 pessoas, membros de gangues sequestraram passageiros nos ônibus da cidade e queimaram um ônibus cheio de passageiros.

Muitos permanecem céticos de que a trégua irá continuar por muito tempo, levando em consideração a falta de alternativas para os jovens de bairros pobres. Depois de uma queda considerável, o número de homicídios subiu novamente no início deste mês, e os relatos de extorsão e desaparecimentos permanecem elevados, fazendo com que o legista chefe avisasse que o pacto "pode estar beirando seu fim".

Atrás das grades, a conversa esperançosa sobre a paz é temperada com uma crescente impaciência.

Ludwig Rivera, 28 anos, líder da gangue Bairro 18 disse: "Não é que a trégua é fraca. Ela é forte, mas a falta de envolvimento das autoridades e do público poderia enfraquecê-la. Eles pensam que somos animais, mas nós temos direitos e estamos dando um passo, então eles devem dar um passo também", disse sobre investimento em programas de reabilitação.

*Por Randal C. Archibold

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