Mãe de atirador do Empire State questiona motivação de seu filho

Jeffrey Johnson, que matou ex-colega de trabalho antes de morrer, dizia que a vida tinha 'menos significado' depois de ter perdido gato que amava

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Desde o momento em que soube que seu filho atirou e matou um ex-colega de trabalho, a mãe de Jeffrey T. Johnson tem repassado cada momento de sua vida em sua mente, à procura de uma memória que possa ajudar a explicar o por quê.

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Ela lembrou de quando seu filho foi atropelado por um carro e sofreu um trauma na cabeça que quase o matou. Ele estava na sexta série. E se lembrou também de um acontecimento mais recente, quando o seu amado gato Romeu morreu em seus braços, ela explicou durante uma entrevista por telefone. A morte do gato o deixou perturbado e, segundo ela, Jeffrey escreveu em uma carta que desde a morte de Romeu "a vida tem menos significado".

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Polícia cerca o local onde vítima foi morta por atirador na 5ª Avenida (24/8)

Ela também lembrou da época em que seu filho serviu na Guarda Costeira, onde se tornou um exímio atirador, e de como esse talento havia sido utilizado para fazer algo tão lamentável.

"Eu não culpo a polícia de Nova York por atirar em meu filho porque ele matou alguém, mas, para mim, ele continua o mesmo. Ele ainda é a pessoa, de bom coração, o jovem carinhoso que amava todos os tipos de animais e tenho certeza de que ele nos amou", disse ela. "Uma mãe sempre tenta procurar o melhor em seus filhos."

Johnson, 80 anos, pediu para que o New York Times não divulgasse seu primeiro nome e a cidade na Geórgia em que vive com seu marido para proteger sua privacidade.

Investigadores disseram acreditar que Jeffrey Johnson matou seu ex-colega de trabalho, Steven Ercolino, 41 anos, na sexta-feira de 24 de agosto, pois, em parte, ele o culpava pela perda de seu emprego.

Dois policiais atiraram e mataram Johnson na calçada em frente ao Empire State Building, após ele ter apontado sua arma para eles. Nove espectadores foram atingidos por balas da polícia ou fragmentos delas, de acordo com a polícia.

A mãe de Johnson acredita que seu filho queria que os policiais o matassem. "Eu acredito que ele se virou e apontou a arma para eles para ter certeza de que iriam matá-lo. Ele queria morrer", disse.

Agonia

Johnson falou de sua agonia na tentativa de compreender as ações chocantes de quem foi um menino que amava os escoteiros e os animais e cresceu para se tornar um homem patriota e pensativo.

Ela disse que seu filho havia recebido honrarias por sua pontaria enquanto servia na Guarda Costeira - algo que ajudou em suas ações na sexta-feira. Mas ela ficou mais tranquila em saber que seu filho não atirou em nenhum dos espectadores que foram feridos.

"Você não sabe o quanto eu fiquei aliviada ao saber que o meu filho não atirou em mais ninguém, não que o fato dele ter matado alguém tenha sido algo bom", disse.

A última vez que ela falou com seu filho foi no dia 6 de abril. Pouco antes disso, ele lhe enviou uma carta de duas páginas. Grande parte da carta falava sobre a morte de Romeu, seu gato.

"Estou surpreso com o quanto eu sinto falta dele", ele escreveu. "Ele preenchia o espaço vazio no apartamento. Nada parece especial sem ele por perto. Eu fico envergonhado de me sentir assim."

"Não se preocupe", a carta terminava. "Eu estou bem. Jeffrey."

"Mas, evidentemente," disse sua mãe, "ele não estava."

*Por Wendy Ruderman

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