Ataque de judeus contra árabe leva Israel a incentivar discussão em escolas

Prisão de oito adolescentes por linchamento de palestino chocou o país e reviveu rivalidades, raiva e desconfiança

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Tamer Jbarah, um estudante palestino de 17 anos de idade que fala hebraico sem sotaque depois de anos estudando em uma escola bilíngue onde metade dos alunos são judeus, disse não ter ficado surpreso quando uma multidão de adolescentes judeus bateram em um adolescente árabe neste mês, enquanto centenas assistiam sem fazer nada fizeram para ajudar.

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"As pessoas são ensinadas a odiar, então elas odeiam", disse.

Tamer frequenta uma escola com uma proposta incomum, que visa acabar com a diferença que existe entre árabes e judeus. Mas no primeiro dia de volta às aulas, na segunda-feira de 27 de agosto, quando a professora iniciou um debate sobre o ataque, a raiva e a desconfiança latentes vieram à tona, mesmo lá.

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Professor Ran Melamed (E) discute com alunos recente ataque de israelenses contra árabes, em escola de Jerusalém

A discussão na sala de aula, no momento em que cerca de 2 milhões de crianças israelenses voltavam às aulas, fez parte de uma inquietação nacional sobre a surra que aconteceu no dia o 16 de agosto na Praça Sião, que foi descrita como uma tentativa de linchamento que deixou Jamal Julani, 17 anos, à beira da morte. O ministro da Educação instruiu todas as escolas a ministrar uma aula sobre o acontecimento, que abriu novas feridas sobre violência, raça e extremismo.

A tentativa de tentar criar um momento de reparação aconteceu quando o país ficou novamente chocado quando um tribunal condenou duas crianças de 12 anos e uma de 13 anos de idade por terem ligações com o bombardeio de um táxi palestino no mesmo dia. Os jovens vivem em Bat Ayin, um assentamento religioso judaico, e o táxi foi atingido em uma estrada próxima. O condutor e cinco passageiros ficaram feridos, dois deles gravemente.

Advogado dos jovens negaram envolvimento, e o pai de um deles chamou o caso de "um típico exemplo de difamação."

Oito adolescentes, com idades entre 13 e 19 anos, foram presos no ataque da Praça Sião, enquanto outros aguardam para ser formalmente acusados por conspiração criminosa e lesão corporal grave. Reuven Rivlin, presidente do Parlamento de Israel, disse que o acontecido "é um microcosmo de um problema nacional que poderia colocar em risco a democracia israelense".

Ao ordenar que as escolas lidem com o incidente, o ministro da Educação alertou que alguns alunos poderiam falar a favor dos responsáveis pelo acontecimento. Os educadores foram orientados a deixar que os jovens se expressem, mas que "a mensagem inequívoca deve ser uma condenação do racismo e da violência".

Chaim Dajczman, diretor da Escola Secundária Thelma Yellin para as Artes em Tel Aviv, disse que lidará com o assunto em seus encontros semanais com os estudantes do primeiro, segundo e terceiro colegial.

"Nós não podemos deixar que um acontecimento como esse simplesmente passe despercebido", disse Dajczman.

*Por Jodi Rudoren e Isabel Kershner

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