Um ano após tempestade Irene, cidade vive esperança e desespero nos EUA

Moradores de Prattsville, no Estado de Nova York, buscam forças para recomeçar em meio às incertezas deixadas pelo fenômeno de agosto de 2011

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Uma casa na rua principal da cidade americana de Prattsville, no Estado de Nova York, não é como as outras. Ela parece existir numa linha tênue entre a esperança e o desespero que tomou conta da cidade no último ano.

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Esta casa com suas janelas intactas ainda está de pé e, em comparação com outras casas da região, é bastante alta – muito alta. Ela foi levantada cerca de três metros com blocos de madeira – mais ou menos o comprimento de um braço acima das marcas d’água que permanecem em vários prédios ao seu redor, um ano após as enchentes que tomaram conta de Prattsville no dia 28 de agosto de 2011.

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A casa de Connie Briggs, uma das poucas que a tempestade Irene deixou de pé em Prattsville, no Estado de NY

Sua proprietária, Connie Briggs, não tem certeza de onde ela se encaixa no cenário do município. Alguns outros moradores muitas vezes sentem a mesma incerteza tanto em relação ao futuro da cidade, quanto a si mesmos.

Em Prattsville, que o governador Andrew M. Cuomo afirmou ser o lugar mais atingido pela tempestade tropical Irene, e em outras cidades espalhadas ao redor das Montanhas Catskill, todo mundo tem uma história para contar sobre o dilúvio: os negócios de família que desapareceram em poucos instantes, o novo trailer que foi quebrado ao meio, o cão da família que desapareceu, o museu cujo acervo foi praticamente destruído.

Cuomo afirmou que mais de US$ 574 milhões em auxílio estatal foram distribuídos no ano passado para ajudar as comunidades a se recuperar da tempestade tropical Irene e da tempestade tropical Lee, que atingiu a região norte do Estado uma semana depois. Até US$ 1 milhão foram para empresas e proprietários em Prattsville, disse.

A Agência Federal de Gerenciamento de Emergência disse que poderia alocar cerca de US$ 1,3 milhão para a demolição e aquisição de propriedades danificadas, enquanto se aguarda a conclusão de um formulário de procedimentos.

Histórica

A casa de Briggs, que antecede o estabelecimento da cidade em 1833, é uma das cerca de 30 residências vazias entre as 140 localizadas na rua principal. O dinheiro do seguro e a ajuda inicial do órgão federal a ajudaram a esvaziar sua casa e a colocá-la de volta na rua. Agora ela parece flutuar em palafitas, apenas aguardando o veredicto sobre seu destino.

Cada vez mais essa história revela a frustração sobre o dinheiro que acabou, mas existem também sinais de esperança, até mesmo de celebração, como pode-se presenciar em Prattsville no final de semana.

Prattsville realizou a sua primeira Mudfest, diversos eventos de arrecadação de fundos que atraíram uma grande quantidade de pessoas que moram e não moram na cidade, cuja população antes da tempestade havia atingido um pico de cerca de 600 habitantes. Crianças brincavam nos escorregadores, bandas tocaram em churrascos e dezenas marcharam para o riacho Schoharie para receber uma típica bênção indígena na água que há um ano devastou a cidade.

Kevin Piccoli, que preside o Fundo de Socorro sem fins lucrativos de Prattsville e o Corpo do Desenvolvimento Econômico da cidade, disse que garantir ajuda era algo complicado. É claro que Prattsville, localizada no condado de Greene, é apenas uma das muitas cidades no norte do Estado de Nova York com problemas após as inundações.

"A recuperação de um desastre requer planejamento, tempo e coordenação", disse Dan Watson, um porta-voz da agência, "e o compromisso dos governos estaduais e locais e das várias agências sem fins lucrativos tem feito a diferença" para as comunidades afetadas.

Na cidade, alguns dos participantes do Mudfest estavam em uma exposição no Museu Zadock Pratt que exibia fotografias pós-tempestade do ano passado.

O fotógrafo, Larry Gambon, que normalmente fotografa animais selvagens, disse que inicialmente não havia planejado fotografar cerca de 3,5 mil imagens da devastação em Prattsville. "Isso é como fotografar um cadáver para mim", disse ele. "Foi uma das sessões fotográficas mais emocionantes que já fiz."

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Homens participam do Mudfest, evento para arrecadar dinheiro para Prattsville, no Estado de NY

Muitas das 24 fotografias de Gambon, que estão expostas em quadros de madeira resgatados dos escombros de Prattsville, poderiam ter sido feitas em qualquer uma das inúmeras cidades e aldeias atingidas pela tempestade tropical Irene - como Catskill, Maplecrest, Lexington, Middleburgh.

Ele disse que gostaria que as fotografias criassem uma ligação mais forte entre os moradores, os turistas e a cidade à medida que se recuperam.

Briggs encontrou esperança no esqueleto de uma casa, equilibrada acima da rua principal para que todos possam ver.

"Vejo um sinal de esperança para mim e acredito que a casa poderá ter a oportunidade de continuar aonde está por muitos e muitos anos", disse ela. "Nossa cidade está cheia de esperança", continuou. "Vivemos em um ótimo lugar."

Por Noah Rosenberg

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