Presidente egípcio busca ajuda regional para solucionar crise na Síria

À procura de relevância internacional para o Egito, Mohammed Morsi inclui Irã em tentativa de acabar com a violência

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Na tentativa de estabelecer um novo papel de liderança para o Egito em meio às revoltas árabes, o presidente Mohammed Morsi está solicitando ajuda ao Irã e outras potências regionais para deter a violência na Síria.

A iniciativa, centrada em uma comissão de quatro países, que também inclui a Turquia e a Arábia Saudita, é a primeira ação relacionada à política externa priorizada por Morsi, islâmico eleito há dois meses, o primeiro líder do Egito depois da queda de Hosni Mubarak.

AP
O presidente do Egito, Mohammed Morsi, durante visita a Pequim, na China (28/08)

Após fracassadas tentativas da Liga Árabe e das Nações para impedir que a Síria entrasse em guerra civil, o plano de Morsi define um trajeto assertivo e independente para um Egito que ainda está tentando resolver sua própria transição.

"Estamos determinados a fazer esta comissão ser bem sucedida", disse Yasser Ali, porta-voz de Morsi. Segundo ele, a crise da Síria é a principal questão discutida na visita do presidente do Egito nesta semana à China, que junto com o Irã e a Rússia tem sido um pilar de apoio ao presidente sírio, Bashar Al-Assad. "Parte da missão é na China, parte da missão é na Rússia e parte da missão é no Irã", disse Ali.

Morsi já pediu a renúncia de Assad deixasse e o fim do derramamento de sangue na Síria. O aumento da violência no país tem todos os ingredientes de uma guerra que ameaça desestabilizar toda a região, com o Irã entre os principais apoiadores do governo de Assad e a Arábia Saudita e Turquia entre os principais apoiadores dos rebeldes.

Apesar do fracasso da Liga Árabe e das iniciativas da ONU na Síria, alguns analistas argumentam que a abordagem regional de Morsi pode ter mais chance de conquistar a paz, em parte por causa da hostilidade mútua entre o Irã e o Ocidente.

"Obviamente, você precisa de ajuda para lidar com o regime de Assad - pessoas que se sentem desconfortáveis com a maneira como as coisas estão e gostariam de ser vistas como exercendo um papel mais positivo", disse Peter Harling, um pesquisador da do Grupo de Crises Internacionais, a respeito do Irã . "E qualquer esforço para tentar apelar ao Irã não pode incluir o campo ocidental. Isso seria impossível se os Estados Unidos estivessem envolvidos.

Morsi visita Teerã esta semana para participar da reunião de uma organização dos chamados Estados "não alinhados", afirmou seu porta-voz, Ali, negando qualquer tipo de negociações bilaterais. Ele também rejeitou as especulações de que Morsi planejava melhorar as relações do Egito com o Irã para relações completamente diplomáticas. Os dois países cortaram relações depois da Revolução Iraniana de 1979 e mantêm apenas um pequeno posto diplomático, ao invés de uma embaixada, na capital de cada país.

Ainda assim, Ali chamou a inclusão do Irã no grupo de contato regional sobre a Síria de "uma oportunidade, porque o Irã é um membro ativo na questão da Síria". "O Irã poderia ser parte da solução ao invés de parte do problema", disse ele. "Se você quer resolver um problema, tem de agrupar todos que têm uma influência real sobre o problema."

Tanto o Egito quanto a Arábia Saudita já foram rivais ferozes do Irã. E enquanto o Irã fornece apoio militar e logístico ao governo Assad, a Turquia e a Arábia Saudita têm ajudado os rebeldes a o derrubarem.

O porta-voz de Morsi frisou que o novo presidente tem a intenção de fazer da independência e abertura os marcos da política externa egípcia. No entanto, também deixou claro que Morsi está preocupado em reviver a economia do Egito. Ele disse que espera continuar com a parceria militar do país com os Estados Unidos, que fornece ao Egito US$ 1,3 bilhão em ajuda militar anualmente.

Nos últimos meses, o Egito recebeu US$ 3 bilhões em empréstimos da Arábia Saudita e Catar. Agora, está buscando um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do Fundo Monetário Internacional. E os Estados Unidos estão em negociações sobre a entrega de mais de US$ 1 bilhão em ajuda também prometida.

Depois da Síria, a busca de mais investimento estrangeiro seria o "segundo tema" da viagem de Morsi à China. Como uma porta de entrada para a África e o Estado árabe mais populoso, o Egito poderia ser um depósito de comércio para as mercadorias chinesas ou um centro regional para indústrias.

Mas o porta-voz disse que Morsi também está trabalhando na redefinição do papel internacional do Egito para resgatar seu status histórico de líder regional.

"Não estamos competindo com ninguém e não procuramos formar alianças, mas estamos buscando o papel que o Egito merece", disse ele. "Porque não é um país pequeno, seja em termos de geopolítica, população e experiência. É isso que queremos dizer com redefinir o papel regional do Egito e de sua segurança nacional. "

Por David D. Kirkpatrick

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