Leis mais rígidas de armas podem assustar produtor do Estado de Nova York

Com cerca de 8 mil moradores, Ilion cresceu em torno da fabricante Remington, que é referência na região

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Ilion é uma cidade que foi construída por Remington.

Há quase 200 anos, um jovem chamado Eliphalet Remington Jr. criou seu primeiro rifle com as ferramentas de seu pai no Vale Mohawk, Nova York. Atualmente, a fábrica de armas Remington localizada na pequena aldeia, entre Albany e Syracuse, é uma das poucas grandes fabricantes de armas que ainda prosperam em uma região do norte do Estado de Nova York que já foi repleta delas.

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Armas históricas da Remington, na fábrica da marca em Ilion, no Estado de Nova York

Mas agora os moradores de Ilion, uma comunidade cuja história e economia estão indelevelmente ligadas a uma das fabricantes de armas mais famosas dos Estados Unidos, estão começando a se preocupar com o futuro da Remington. Os recentes fuzilamento em massa em um cinema no Colorado e em um templo sikh em Wisconsin fizeram com que os defensores de leis mais rígidas contra armas se reunissem na capital do Estado e a Remington deixou claro que tais leis poderiam forçá-la a procurar um Estado que seja mais acolhedor do que Nova York.

Enquanto em outros lugares o debate sobre o controle de armas inclui discursos sobre equilibrar os direitos constitucionais com a segurança pública, em Ilion seus moradores estão mais preocupados com um elemento pouco discutido da indústria de armas: a economia.

Diana Bower, que é dona de uma pequena empresa de engenharia, com seu marido, um engenheiro que já trabalhou na fábrica da Remington, disse que os políticos que estão querendo aprovar as novas leis sobre armas - muitos deles da Cidade de Nova York - não perceberam o que estava em jogo no norte do Estado. Por exemplo, os funcionários da empresa disseram que uma proposta que estava sendo analisada exigiria uma cara reestruturação da fábrica.

"Se você não mora aqui e trabalha aqui", disse Bower, "você realmente não sabe o que significa dizer, ‘aprove esta ou aquela lei'".

Ilion, que hoje tem cerca de 8 mil moradores, cresceu em torno da fábrica, e o nome Remington é onipresente na região. Os alunos da Escola Primária Remington conseguem ver a fábrica de seu playground; até mesmo o capacho nos degraus da frente da delegacia de polícia dizem "Casa da Remington”, (cadeados para armas estão disponíveis gratuitamente dentro da delegacia).

Desemprego

A empresa é um raro marco econômico no Vale Mohawk. A região perdeu mais de 11 mil empregos no setor manufatureiro desde 1990 - ou mais da metade-, de acordo com o Departamento do Trabalho do Estado. Mas Remington tem criado novos cargos nos últimos anos à medida que sua empresa-mãe consolidou a produção de novas marcas de armas, como a Bushmaster e Marlin, em Ilion.

"Eles não só ficaram como também cresceram", disse John Scarano, diretor executivo da Câmara do Comércio do Condado de Herkimer. Ele acrescentou que os postos de trabalho na fábrica não eram "empregos de salário mínimo, mas sim bons empregos", e, de fato, muitos dos anúncios de emprego no site da Remington recentemente visavam a engenheiros qualificados.

No entanto, a discussão de possíveis novas leis de armas, em um Estado que já possui algumas das mais restritivas do país, fez com que muitas pessoas estejam apreensivas.

Os legisladores estão propondo, entre outras coisas, limitar a venda de armas de fogo a uma por pessoa por mês, para exigir verificações de histórico criminal para qualquer pessoa que deseja comprar munição, e, a mais controversa de todas, exigir uma microestampa, uma forma de identificação balística, para todas as pistolas semiautomáticas vendidas no Estado de Nova York.

Um executivo da Remington, Stephen P. Jackson Jr., escreveu ao governador Andrew M. Cuomo no início deste ano e disse que a promulgação da lei da microestampa poderia forçar Remington "a reconsiderar seu compromisso com o mercado de Nova York, em vez de gastar somas astronômicas de dinheiro necessárias para reconfigurar completamente nossa fabricação e processos de montagem."

Em Ilion, a ameaça de Jackson não foi considerada uma brincadeira. "Se eles precisarem gastar US$ 1 milhão com isso, irão embora para um lugar onde eles não precisam gastar US$ 1 milhão", disse Steve Maley, que é dono de uma oficina de joias personalizadas em frente à fábrica de Remington . Atualmente, disse ele, "os impostos do Estado de Nova York já estão acabando com todo mundo."

Outra fabricante de armas, Kimber, que tem uma fábrica em Yonkers, também está ameaçando cortar empregos em sua fábrica se o Legislativo aprovar a microestampa. A empresa disse que a aprovação dessa lei criaria "pouco mais que uma falsa sensação de realização para os nossos oficiais eleitos", enquanto custaria ao Estado empregos e receitas fiscais.

E Remington e seus concorrentes tem ínumeras opções para recorrer: nos últimos anos, uma série de Estados, incluindo Alabama, Montana e Dakota do Sul, têm procurado convencer fabricantes de armas no Nordeste e Centro-Oeste a mudarem suas fábricas para as partes do país com leis de armas menos restritiva, e, em muitos casos, com uma cultura que é mais amigável em relação às armas.

Para os moradores, é impossível imaginar Ilion sem Remington.

"Três quartos da cidade provavelmente trabalhou lá em um alguma época de sua vida", disse Tim Daly, que administra uma agência bancária na cidade e é um coproprietário de uma loja de bebidas ao lado da fábrica. "Você pensa em Ilion e no condado de Herkimer, você pensa na Remington Arms".

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Propaganda da Remington em rua perto do Rio Mohawk, em Ilion

*Por Thomas Kaplan

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