Nova-iorquinos veem ciclovias como implementação positiva para a cidade

Seis anos após 410 quilômetros de faixas para ciclistas terem sido adicionados às ruas, 66% dos moradores de Nova York veem iniciativa como boa

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As ciclovias podem parecer apenas faixas pintadas no concreto, mas em Nova York elas se tornaram motivo para processos judiciais, brigas entre vizinhanças e tensos debates sobre o papel do governo.

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Hoje, seis anos depois de sua implementação, após controversa campanha do governo de Michael Bloomberg para alterar a paisagem urbana da cidade adicionando 410 quilômetros de ciclovias a ruas anteriormente dedicadas exclusivamente a automóveis, a dificuldade na aceitação das pistas pode finalmente estar chegando ao fim.

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Ciclistas passam por Williamsburg, no Brooklyn, Nova York

Quando perguntados se as ciclovias foram uma boa ideia ou uma má ideia, 66% dos nova-iorquinos disseram que foram uma boa ideia, de acordo com uma nova pesquisa do New York Times. A maioria em todos os bairros disse acreditar que as ciclovias são uma iniciativa bem-vinda, com mais apoio em Manhattan. Cerca de 27% dos moradores disseram que as ciclovias foram uma má ideia, e 7% não manifestaram opinião ou não responderam.

Os resultados da pesquisa sugerem que os moradores têm gradualmente se acostumado com as ciclovias, que têm sido alvos frequentes dos tabloides e já estão emergindo como um ponto crucial na disputa pela prefeitura da cidade em 2013.

A bicicleta está longe de ser o principal meio de transporte em Nova York. Um terço dos adultos na cidade disse ter uma bicicleta, e quase metade disse que ninguém em sua casa tinha uma. Daqueles que disseram usar bicicletas, cerca de metade afirmou usar o equipamento uma vez por semana ou mais.

Projeto

O projeto inspirado na rede de compartilhamento de bicicletas de Paris, central nos esforços do Departamento de Transportes para incentivar o tráfego de bicicletas, não tem gerado muito interesse.

Compartilhar bicicletas ainda é um mistério para muitos: 40% dos entrevistados disseram sequer ter ouvido falar sobre o programa, cuja inauguração foi recentemente adiada até a próxima primavera. E mais de metade dos nova-iorquinos disseram que provavelmente não usarão o serviço.

A rede de compartilhamento de bicicletas será inicialmente limitada a Manhattan e a partes do centro do Brooklyn. Os moradores de Manhattan foram mais propensos do que os moradores de outros bairros a dizer que utilizariam o serviço.

Nova-iorquinos que disseram acreditar que as ciclovias foram uma boa ideia citaram motivos ambientais, de saúde e benefícios de segurança, assim como a adição de mais espaço para ciclistas poderem pedalar. Alguns entrevistados disseram que estavam simplesmente felizes que as pistas tinham encorajado os ciclistas a parar de andar nas calçadas.

As ciclovias fazem com que a cidade seja "mais limpa, mais segura, mais convidativa, mais interpessoal", disse Barrie Cassileth, 73, de Manhattan.

"Andar de bicicleta melhora a saúde e é um bom exercício", acrescentou Cassileth, que é chefe de um serviço de medicina integrativa em um hospital. "Ela não emite tantos gases quanto os automóveis e reduzirá a quantidade de tráfego de automóveis."

Entre os nova-iorquinos que disseram acreditar que as ciclovias foram uma má ideia, a queixa mais comum foi a de que as ciclovias dificultam o tráfego de veículos. Alguns moradores também descreveram as vias como um elemento que pode criar situações de perigo nas ruas.

Gloria Tingue, 41 anos, uma terapeuta ocupacional do Brooklyn, acredita que muitos ciclistas ignoram as leis de tráfego da cidade. "Todos deveriam dirigir na mesma direção, e se nós paramos, eles também deveriam ter de parar, pois acabam representando um perigo para todo mundo", disse.

A colocação das ciclovias, Tingue acrescentou, não foi bem planejada, principalmente nas ruas estreitas. "Eu sei que é ambientalmente mais saudável", disse ela, "mas você tem qe pensar em uma maneira para que todos possam participar de forma segura."

A pesquisa com 1.026 adultos, realizada durante os dias 10 a 15 de agosto usando telefones fixos e celulares, tem uma margem de erro de mais ou menos 3 pontos percentuais.

*Por Michael M. Grynbaum e Marjorie Connelly

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