Em campanha, Obama e Romney travam batalha publicitária

Propaganda eleitoral nos EUA é marcada por ataques, desqualificação do candidato rival e trocas de acusações

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Por pouco tempo, acreditou-se que o debate que dominaria a disputa presidencial nos Estados Unidos assumiria um tom mais elevado agora que Mitt Romney havia selecionado Paul D. Ryan , como seu parceiro.

Vídeo: Em novo anúncio de TV, Romney ataca Obama por desemprego entre hispânicos

A proposta era que os dois candidatos presidenciais, ambos com diplomas da Universidade de Harvard, Iriam finalmente, usar sua capacidade intelectual para discutir seriamente os desafios da nação. Aí, a semana passou. O presidente americano, Barack Obama, fez uma referência ao ato de Romney ter colocado Seamus, o cão da família, sobre seu carro; Romney acusou Obama de humilhar seu governo com uma campanha de "divisão, raiva e ódio”. E o nível pareceu cair cada vez mais.

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Obama fala a eleitores em Oskaloosa, Iowa (14/8)

Não importa o quão genuínas as últimas divergências possam ter sido, elas não acontecem sem querer na política presidencial.

Existem estratégias por trás de tudo isso: Obama, confrontado com uma taxa de desemprego elevada, procura retratar Romney como não qualificado para substituí-lo. Romney, diante de um adversário cuja "simpatia" pode ser algo potente contra as frustrações econômicas dos eleitores, está tentando se livrar desse fator.

Estrategistas de ambos os lados estão ponderando qual campanha é melhor servida por essa campanha de acusações. Obama parece ter mais a perder, levando em consideração o fato de que sua campanha de 2008 criou com sucesso uma percepção de que ele era um candidato diferente, com aspirações a esperança e mudança.

"Claramente, o Barack Obama que existiu quatro anos atrás, que achava que deveríamos crescer para ser uma nação mais altruísta, desapareceu", disse Stuart Stevens, estrategista sênior de Romney.

Nível

Stevens culpou a equipe de Obama por contribuir para o nível atual do debate, quando aprovou um comercial apresentado na semana passada pela comissão Super Pac Priorities USA Action. O comercial mostra um operário que atribui a morte de sua esposa por câncer a uma decisão feita pela empresa de investimentos de Romney, a Bain Capital, que fechou sua fábrica e assim contribuiu para a perda de seu seguro de saúde.

A implicação era falsa: o homem havia perdido seu trabalho anos antes de sua mulher ter ficado doente. Stevens disse que Obama tinha o dever de criticar publicamente o comercial. "Nunca na história tivemos um governo cujo presidente apoiou um anúncio acusando outro candidato de ser responsável pela morte de alguém."

A campanha de Obama enxerga o ocorrido de forma diferente. "Será que a palavra 'ousadia' significa alguma coisa para você?", perguntou David Axelrod, conselheiro sênior do presidente. "Mitt Romney e seus aliados têm repetidamente questionado o patriotismo do presidente. Ele permaneceu em silêncio enquanto um partidário acusou o presidente de traição."

Embora Romney e seus partidários tenham aproveitado cada oportunidade disponível esta semana para retratar Obama e os democratas de estarem jogando sujo, eles foram confrontados com os seus próprios atos e ações. Afinal, Romney declarou: "isso não é uma disputa para qualquer um" depois que Newt Gingrich se queixou sobre os comerciais com ataque agressivos de uma comissão Super PAC que apoiava Romney - incluindo um que falsamente afirmava que Gingrich havia votado para financiar um programa de apoio à política chinesa do filho único.

O ex-governador de Nova Hampshire John H. Sununu, um líder substituto para Romney, apareceu no programa América Hannity da rede de televisão Fox News na quarta-feira passada para dizer que a campanha de Obama fez com que a disputa "se tornasse suja." Ele também sugeriu recentemente que Obama "aprendesse a ser um americano."

Ele pediu desculpas por isso, mas na terça-feira da semana passada ele questionou se Obama havia desenvolvido um "sotaque sulista" do "sul da Indonésia", ou "se é tão falso quanto quando ele se exercita dentro do helicóptero Marine One ".

A alternativa mais liberal a Sununu, Juan Williams, rebateu o comentário de Sununu ao observar que a campanha de Romney tem rodado um comercial acusando Obama falsamente de planejar acabar com exigências de trabalho para beneficiários da previdência social.

Na verdade, até o anúncio da escolha de Ryan, a campanha presidencial de 2012 estava sendo disputada quase que inteiramente por razões plausíveis. Quando perguntado se acreditava se as duas campanhas iriam abordar as questões substantivas do dia, apenas algumas horas antes da notícia sobre a escolha de Ryan ter sido divulgada, Erskine Bowles B., ex-chefe de gabinete do presidente Bill Clinton, e um dos arquitetos do plano de orçamento bipartidário conhecido como Simpson-Bowles, escreveu em um e-mail: "Você só pode estar brincando, né?"

*Por Jim Rutenberg

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