Projeto de vice de Romney prevê diminuição do tamanho do Estado, se desfazendo da maior parte da rede de segurança social

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Mitt Romney tem sido criticado pela falta de detalhes por trás de sua promessa de reduzir a crescente dívida do país por meio de cortes de gastos radicais e mudanças de impostos, mas ele também tem sido protegido politicamente por ela.

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Agora, sua escolha de Paul Ryan , o arquiteto do audacioso plano de orçamento republicano, como candidato a vice-presidente pode mudar tudo isso.

Paul Ryan durante comício em Glen Allen, na Virgínia (17/8)
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Paul Ryan durante comício em Glen Allen, na Virgínia (17/8)

Os orçamentos que Ryan, o presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, vem tentando passar em uma Casa atualmente controlada pelos republicanos, tem nada menos do que definido uma reorganização conservadora dos impostos e prioridades de gastos da nação para o século 21.

Seu projeto em grande parte diminuiria o tamanho do governo, se desfazendo em sua maioria da rede de segurança social, deslocando mais custos para os indivíduos e, essencialmente, efetuando a conversão do Medicare em um programa de custo fixo. Ele também alteraria o sistema de imposto de renda progressivo, que, assim como a rede de segurança, foi construído no século 20 por presidentes republicanos e democratas.

Os orçamentos propostos por Ryan foram previsivelmente bloqueados pelo Senado, controlado pelos democratas e pelo presidente americano, Barack Obama.

No sábado, a campanha de Romney rapidamente disseminou argumentos que distanciam o candidato dos orçamentos de Ryan, dizendo que Romney "montará seu próprio plano".

A trajetória dos planos de orçamento de Ryan e sua ascensão no partido caminham em paralelo com a mudança no pensamento fiscal republicano no Capitólio e em assembleias legislativas. Apesar de seus colegas o enxergarem como uma força intelectual no partido, os esforços de Ryan para conter os gastos federais foram vistos com cautela por parte de membros mais antigos do partido como o deputado John A. Boehner, de Ohio, hoje presidente da Câmara, que apreciava o entusiasmo de Ryan, mas foi cauteloso em relação as implicações políticas de seus planos para reformar a Medicare e a Previdência Social.

Em 2010, quando Ryan lançou uma revisão do seu "Roteiro fiscal para o futuro dos Estados Unidos" enquanto os republicanos lutavam pelo controle da Câmara, Boehner elogiou a proposta, mas não chegou a abraçá-la como sendo uma política do partido.

No entanto, muitos conservadores que estavam disputando naquele ano viram nos planos de Ryan exatamente o que eles estavam procurando: um plano para cortar o tamanho e o escopo do governo federal e a liberação de empresas para estimular a economia.

Quando os republicanos da Câmara aprovaram o plano com poucas deserções, os democratas ficaram surpresos - e relutantes no que para eles foi uma perda política. Os republicanos aprovaram um orçamento semelhante este ano e agora será uma peça central da campanha e do debate político.

Aproximação

Análises apartidárias das propostas de Ryan em relação aos cortes no imposto de renda chegaram a conclusões muito parecidas com as das propostas fiscais de Romney: "Os cortes de impostos do plano orçamentário de 2013 de Paul Ryan resultaria em enormes benefícios para as pessoas de alta renda e muito pouco - ou quase nenhum - benefício para famílias de baixa renda", escreveu Howard Gleckman, um membro sênior da organização política e de pesquisa Instituto Urbano, ao resumir as conclusões do Centro de Política Tributária.

Tanto Romney quanto Ryan pretendem estender os cortes de impostos realizados na era Bush, que estão prestes a expirar no final do ano, até uma revisão do código de imposto poder se tornar lei.

"Washington não está dizendo a verdade", disse Ryan em um vídeo há alguns meses anunciando seu mais recente plano. "Se não reformarmos os gastos com saúde e programas de aposentadoria, não teremos nenhuma oportunidade de recuperar o controle de nossos gastos."

Ele chegou a mencionar os riscos políticos de enfrentar os programas de benefícios populares: suas mudanças propostas ao Medicare não se aplicariam aos beneficiários atuais ou aqueles dentro de 10 anos de elegibilidade. E, ao contrário de 2011, o ano no qual Ryan propôs a eventual privatização da Previdência Social, no orçamento deste ano da Câmara ele não levou em consideração a Previdência Social. Assim como Obama, ele disse que as alterações para corrigir os seus desequilíbrios financeiros a longo prazo teriam de resultar de um acordo bipartidário, protegendo assim ambos os partidos de quaisquer represálias por parte dos eleitores.

Ao analisar a proposta de 2011 para a Medicare, o Escritório de Orçamento do Congresso disse que "a maioria das pessoas mais idosas pagariam mais por seus cuidados de saúde" (US$ 6,4 mil em média até 2022) exigindo assim que os americanos mais idosos "reduzam o uso de serviços de saúde, gastem menos em outros bens e serviços ou economizem mais antes de se aposentar."

Paul Ryan fala a eleitores republicanos em North Canton, Ohio (16/8)
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Paul Ryan fala a eleitores republicanos em North Canton, Ohio (16/8)

Desde então, Ryan disse que os beneficiários poderiam manter seus benefícios existentes do Medicare, apesar de que essa concessão poderia reduzir significativamente as economias que ele busca.

Romney se vangloria de que seu próprio plano de corte de impostos é semelhante às recomendações de redução do déficit de 2010 a partir de uma maioria na comissão fiscal de Bowles-Simpson, que Obama nomeou, embora os dois tenham pouca coisa em comum, de acordo com membros do painel. Ryan fez parte dessa comissão e se opôs ao relatório da maioria, dizendo que isso aumentaria os impostos e não cortaria o suficiente de programas de saúde.

*Por Jackie Calmes

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