Ao contrário dos EUA, Europa tem poucas restrições em relação ao Hezbollah

União Europeia reluta em colocar grupo xiita libanês na lista de organizações terroristas, como defendem Israel e EUA

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Enquanto as autoridades americanas temem o que chamam de uma potencial ameaça do grupo militante Hezbollah, milhares de seus membros e partidários operam com poucas restrições na Europa, conseguindo arrecadar dinheiro que é enviado para a liderança do grupo no Líbano.

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Washington e Jerusalém insistem que o Hezbollah é uma organização terrorista apoiada pelo Irã, e que está atualmente trabalhando em colaboração com Teerã para treinar, armar e financiar a repressão militar presente na Síria. No entanto, a União Europeia continua tratando o grupo como um movimento político e social libanês.

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Pôster do Hezbollah é visto em Tyre, no Líbano

À medida que Israel alardeia a preparação de um ataque preventivo contra usinas nucleares do Irã, analistas de inteligência advertem que o Irã e o Hezbollah responderiam com seus próprios ataques a alvos no exterior. Autoridades israelenses e americanas atribuíram o atentado a um ônibus na Bulgária no mês passado, que matou seis pessoas, incluindo cinco turistas israelenses, ao Hezbollah e ao Irã, dizendo que tratava-se de parte de uma ofensiva clandestina que incluiu ataques em lugares como Tailândia, Índia, Chipre e outros.

Embora acredite-se que o grupo opera em todo o continente, a Alemanha é um de seus principais centros de atividade, com 950 membros e simpatizantes monitorados no ano passado, contra 900 em 2010, de acordo com um relatório da agência de inteligência doméstica da Alemanha.

Os serviços de segurança europeus controlam de uma maneira eficaz os partidários políticos do grupo, mas especialistas disseram que são ineficazes quando se trata de rastrear células obscuras do grupo, que representam o maior perigo.

"Eles têm agentes treinados na Europa que não foram utilizados por um bom tempo, mas se quiserem poderiam ativá-los", disse Alexander Ritzmann, assessor político da Fundação Europeia para a Democracia, em Bruxelas, que testemunhou diante do Congresso sobre o Hezbollah na Europa.

Lista

A relutância da União Europeia em colocar o grupo em sua lista de organizações terroristas também está complicando os esforços do Ocidente em lidar com o bombardeio do ônibus búlgaro e o conflito na Síria. Na semana após o ataque na Bulgária, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, viajou a Bruxelas para uma reunião com representantes europeus e apelou à União Europeia para que incluísse o Hezbollah na lista. Mas seus apelos foram em vão.

"Não existe um consenso entre os Estados-membros da UE para colocar o Hezbollah na lista de organizações terroristas", disse Erato Kozakou-Marcoullis, ministro dos Negócios Estrangeiros de Chipre, que retém a presidência rotativa da União Europeia, durante a visita de Lieberman. "Caso existam evidências tangíveis de que o Hezbollah está envolvido em atos de terrorismo, aí sim a UE poderia considerar colocá-lo na lista da organização."

*Por Nicholas Kulish

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