Com escolha de Ryan, ideologia ofusca economia na eleição americana

Para Romney e Obama, conquistar pequena parcela de indecisos parece menos importante do que fazer apelo à base

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Há quatro anos, John Brooks votou em Barack Obama, conquistado pela sua promessa de mudar Washington. Agora, ele está indeciso, mas disse que Mitt Romney facilitou sua decisão quando decidiu optar por Paul D. Ryan como seu candidato a vice-presidente .

A escolha fez com que Brooks, 43 anos, decidisse votar em Obama novamente. Gerente de vendas em uma concessionária da Chevrolet, ele acreditava que Romney era um candidato moderado e estava pensando em votar nele. Mas isso mudou com a escolha de Ryan, cujos pontos de vista sobre o orçamento considera radicais demais.

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Partidários de Mitt Romney participam de comício em Waukesha, Wisconsin (12/08)

"Romney e outra pessoa poderiam ter formado uma grande equipe", disse Brooks na quarta-feira, um dia depois de ter conhecido o presidente em um restaurante em Cedar Falls, Iowa, durante um evento de campanha.

A escolha de Ryan energizou a base do partido e trouxe um novo entusiasmo e mais apoiadores para a campanha de Romney. Mas ela também tem despertado eleitores democratas que estavam longe da ação, com sua proposta de um orçamento e da política fiscal republicana que eles veem como sendo injusto com a classe média.

A última semana trouxe evidências de uma mudança sutil, porém ampla e estratégica, por parte de Romney, algo que muitos republicanos veem com preocupação, pois poderia desviar a atenção da criação de empregos, a questão que acreditam que será mais pertinente para o partido.

Em uma eleição na qual poucos eleitores ainda estão indecisos, a campanha está mais focada na dinamização de uma coalizão anti-Obama do que em tentar ampliar o universo de eleitores de Romney com o argumento de que ele é o mais qualificado para lidar com a atual situação econômica do país.

Obama tem respondido a altura, abrindo um período de profunda divisão na disputa cuja provocação de partidários está sendo mais importante do que tentar perseguir um número relativamente pequeno de eleitores indecisos. Esta semana tem se desdobrado em uma série de duras disputas entre os candidatos, com o presidente zombando do caráter de seu rival, e Romney acusando a Obama de desonrar a presidência por fazer uma "campanha de divisão, de raiva e de ódio".

Persuasão, especialmente no lado republicano, abriu espaço para a estimulação partidária. O foco na economia está abrindo espaço para a ideologia e personalidade.

Durante meses, Romney tentou fazer incursões entre os eleitores que estavam desapontados com Obama, mas não necessariamente com raiva dele. Grupos republicanos publicaram anúncios de televisão com uma abordagem mais flexível, dizendo que os eleitores não deveriam se sentir culpados por não apoiar Obama. No entanto, após uma temporada de críticas aos democratas, Romney está voltando a criticá-los na esperança de expandir seu apoio entre os republicanos que mais do que qualquer coisa têm a intenção de tirar a presidência de Obama em novembro.

Para Obama, há provavelmente uma oportunidade de cativar alguns eleitores moderados que se opõem à direção que Ryan, presidente da Comissão de Orçamento, e os republicanos tomaram. Mas Obama ainda tem de convencer alguns centristas de que pode ser confiável em relação ao déficit e sobre a economia e que ele não está culturamente desligado de suas realidades.

As mudanças estratégicas por parte dos candidatos demonstram uma maior alteração na natureza da disputa. Não é mais apenas um referendo sobre o histórico econômico de Obama, mas sim sobre a escolha das abordagens sobre o futuro do Medicare, o programa de seguro de saúde popular para aposentados, assim como o papel e o alcance do governo.

Para Romney, diversos benefícios de ter escolhido Ryan já vieram a tona. Ele tem finalmente recebido elogios dos conservadores, incluindo aqueles que não têm demonstrado muito entusiasmo por ele. E ele virou um militante mais forte e mais confiante com um parceiro ao seu lado, de acordo com seus assessores.

Entrevistas com quase uma dezena de republicanos nas campanhas da Câmara e do Senado disseram que eles temiam que o foco econômico da disputa havia sido ofuscado.

É uma questão que pode permanecer sem resposta até o dia da eleição. Será que uma onda de entusiasmo conservador em relação ao partido republicano irá superar qualquer declínio entre os eleitores que apoiaram Obama em 2008 e que hoje estão abertos a mudar de ideia?

Brooks, o homem de Iowa que dizia fazer parte dessa categoria, disse que sua decisão já tinha sido tomada mesmo antes de Obama ter aparecido inesperadamente em sua mesa no restaurante Pump Haus no centro de Cedar Falls na terça-feira.

"Não sabíamos que ele iria aparecer por lá", disse ele. "Não chegamos a discutir nada sobre política."

Por Jeff Zeleny

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