Instalação de arte em estátua de Colombo promete surpreender Nova York

Criação do artista japonês Tatzu Nishi pretende criar sala de estar com sofás, almofadas e uma mesa de café para os visitantes, que ficarão frente a frente com o explorador

NYT |

NYT

Imagine que você é o oficial responsável pelas obras da Cidade de Nova York e a prefeitura decidiu deixar um artista construir uma sala de estar em torno de uma estátua histórica de Cristóvão Colombo, no meio de um dos cruzamentos mais movimentados de Manhattan.

Nova York:  Garagem do Departamento de Saneamento vira galeria de arte 

Além disso, o plano é fazer com que 100 mil pessoas subam suas escadas para poder ver a instalação.

NYT
Instalação “Descobrindo Colombo” é construída em Nova York

Você pode ter alguns problemas de segurança e ter uma certa dor de cabeça com o possível tráfego que isso irá causar na cidade. E você percebe, é claro, que alguém terá de se preocupar com acidentes e a acessibilidade para deficientes.

Mas o prefeito é um grande defensor e amante das artes e, por reputação, não é muito fanático por automóveis

Talvez então sua reação teria sido a mesma que a de Thomas Fariello, o responsável pela supervisão do projeto que irá converter o Columbus Circle em um pedaço de arte conceitual. “Eu gosto da ideia”, disse ele recentemente. “Será divertido.”

A diversão está apenas começando, à medida que o andaime ajuda a subir peça por peça a criação do artista japonês Tatzu Nishi, que pretende criar uma sala de estar com sofás, almofadas e uma mesa de café para os visitantes, que serão capazes de ficar frente a frente com o explorador de 3 metros de altura.

"É uma maneira maravilhosa e inovadora de aproximar as pessoas de Colombo", disse John Calvelli, secretário da Fundação Nacional Italo-Americana, que está tentando promover e arrecadar fundos para o projeto Descobrindo Colombo. "Algumas das pessoas na comunidade estão se perguntando: 'Como será essa experiência, de fato?' Será uma oportunidade para ter um momento com Colombo e ter uma experiência intimista."

Vários oficiais públicos também tiveram de se acostumar com o projeto lentamente. Ele foi desenvolvido pelo Fundo de Arte Pública, uma organização sem fins lucrativos que apresenta arte pela cidade.

Antes sua inauguração no dia 20 de setembro, a exposição terá de passar por várias aprovações do Departamento de Construção da prefeitura, incluindo licenças para erguer uma estrutura temporária, para utilizar equipamento, para a construção e disponibilização de uma exposição e uma para um elevador, que é exigida pela legislação para permitir acesso aos deficientes.

O Departamento de Transportes constatou que o tráfego não será interrompido, e o Corpo de Bombeiros, ao constatar quais serão os principais fatores de segurança, garantiu que a sala teria "meios adequados de saída": neste caso, escadas.

O Departamento de Parques - juntamente com o Conservatório do Central Park - estão garantindo que nenhum dano acontecerá à própria estátua, que foi inaugurada em 1892 para comemorar o 400º aniversário da primeira viagem de Colombo às Américas.

O dinheiro para o projeto está sendo arrecadado. A quantia não está clara pois o Fundo de Arte Pública não revela seus orçamentos. O Departamento de Assuntos Culturais da cidade está contribuindo com mais de US$ 1 milhão para a restauração, enquanto a limpeza da base de granito da Sardenha e da coluna na qual a estátua fica já está em andamento.

Outras intervenções

Nishi já fez esse tipo de coisa antes, e o governo de Bloomberg também.

O artista cercou uma estátua da Rainha Vitória em Liverpool, na Inglaterra, com um hotel de funcionamento temporário. Ele também criou um apartamento de um quarto sobre o telhado de uma catedral do século 14, com um catavento no formato de um anjo de bronze em seu telhado, na Basileia, Suíça, e também construiu uma suíte de hotel temporária ao redor da fonte Merlion, em Cingapura.

A prefeitura não permitiu que desafios logísticos impedissem a criação da arte, seja para a obra "The Gates" (Os Portões, em tradução livre), uma série de painéis que foram colocados no Central Park em 2005, ou as cachoeiras artificiais - de 27 a 36 metros de altura que ficaram na baía em frente a Nova York em 2008, ou os 60 pianos colocados nas ruas da cidade para que o público em geral pudesse tocá-los em 2010.

"A arte pública sempre foi o cerne da cultura de Nova York", disse Julie Wood, porta-voz do prefeito.

NYT
Rascunho do projeto idealizado pelo artista Tatzu Nish, para homenagear o descobridor das Américas

Para evitar longas filas, o projeto emitirá bilhetes cronometrados para que as pessoas visitem o local com horários agendados. Os ingressos são gratuitos e estarão disponíveis no site publicartfund.org/discoveringcolumbus e em um balcão de informações no Centro Time Warner. A instalação ficará aberta diariamente das 10h às 21h.

Ainda não está claro se haverá um limite de tempo para permanecer na instalação. A sala terá uma televisão, mas não terá wi-fi gratuito.

A estátua já estará cercada no Dia de Colombo, celebrado em 8 de outubro, quando Nova York vira um palco para um desfile e normalmente se levanta um novo debate sobre o legado de Colombo: nobre explorador ou colonizador ganancioso?

O trabalho de Nishi certamente não irá resolver essa polêmica. Seu foco está na surpresa visual do projeto.

*Por Robin Pogrebin

    Leia tudo sobre: estátuacolombonova yorkeuaintervençãoarte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG