Saiba mais sobre Paul Ryan, vice de Romney na corrida presidencial dos EUA

Conheça a trajetória do congressista, que perdeu o pai aos 16 anos e é um dos principais defensores de cortes orçamentários

NYT |

NYT

A infância de Paul D. Ryan em Janesville, Wisconsin, não foi abertamente partidária. Seus pais eram entusiastas de Les Aspin, um democrata, mas ao mesmo tempo adoravam o presidente Ronald Reagan, republicano. Mas a morte do pai quando Ryan tinha apenas 16 anos mudou seus planos de se preocupar apenas com testes de matemática e andar de bicicleta, e assim as sementes de sua visão de mundo foram plantadas.

"Paul começou a trabalhar no McDonald's e a se virar sozinho ao mesmo tempo em que se tornou representante de sua classe", disse seu irmão, Tobin. "É admirável o fato de ele ter escolhido um caminho de responsabilidade individual e maturidade ao invés de deixar a dor tomar conta de sua vida." Ele acrescentou: "Alguns de seus pontos de vista políticos começaram a surgir na mesma época da morte do nosso pai."

Leia também:  Obama e Ryan passam de potenciais parceiros a rivais

NYT
Paul Ryan (segundo a partir da direita), em foto de 1987

Sua autosuficiência o acompanhou ao acampamento de verão, onde aprendeu a fazer canoagem e trilhas, e quando virou um jovem adulto e começou a praticar a caça - um fato que constou no anúncio de seu noivado em 2000, no diário The Milwaukee Journal-Sentinel. "Ryan é um ávido caçador e pescador", relatou o jornal, "que esfola e corta sua caça e faz a sua própria salsicha polonesa".

A autosuficiência o seguiu até a faculdade, onde ele imediatamente se interessou por escritores e teóricos conservadores econômicos – Ayn Rand e Friedrich Hayek, Milton Friedman e Ludwig von Mises – que inspirou toda uma geração de ativistas e legisladores libertários.

O seguiu também até o Congresso, onde sua marca de economia conservadora eventualmente inspirou os calouros do movimento Tea Party na Câmara, a quem Ryan serviu como um ávido apoiador.

E, finalmente, ele chamou a atenção de Mitt Romney, que o indicou como o vice na chapa republicana que disputa a presidência dos EUA na eleição de 2012.

Em Ryan, Romney não só encontrou uma história de vida solidária para revitalizar sua campanha – da qual se aproveitou ao mencionar como a morte do pai "obrigou Ryan a crescer mais rápido do que a maioria dos jovens" –, mas também um político que preenche o que muitos veem como as lacunas nas convicções conservadoras de Romney.

Ryan é um especialista em orçamentos rigorosos e um conservador social que tem muitos fãs através de todo espectro republicano. Ele tem sido uma força motriz nas disputas do partido com o presidente Barack Obama, que inclui o impasse do orçamento do ano passado que levou a nação à beira da falência.

A ascensão notável de Ryan de garoto popular de uma cidade pequena para candidato a vice-presidente do Partido Republicano reflete uma combinação de pura vontade e paciência, com inclinações ideológicas que começaram em Janesville e foram cultivadas em Washington.

No ano passado, quando a nação enfrentou uma dívida potencialmente catastrófica, Obama se reuniu na Casa Branca com alguns líderes do Congresso na tentativa de barganhar uma solução que poderia evitar o desastre - e, mais importante, superar o impasse partidário de equilibrar o orçamento a longo prazo. Naquela época, Ryan dizia não acreditar que a Casa Branca e os democratas estivessem dispostos a fazer os cortes de gastos que via como necessários para equilibrar o orçamento.

AP
Ryan (esq.) e Romney em comício em Mooresville, Carolina do Norte

Uma oposição semelhante às soluções deficitárias propostas pela Comissão Simpson-Bowles – na qual ele participou – e um grupo do Senado conhecido como a Gangue dos Seis, fizeram com que os democratas questionassem a seriedade de seus apelos para o bipartidarismo. Estas questões certamente irão alimentar os ataques por parte da campanha de Obama nas próximas semanas.

Como congressista, Ryan nunca participou dos ataques que acontecem durante uma campanha de escopo nacional - ou até mesmo estadual . E à medida que esta etapa acirrada da campanha presidencial se aproxima, Janesville deve se tornar cada vez mais um refúgio para ele do que qualquer outra época de sua vida.

Até o momento, de acordo com moradores da região, é como se Ryan nunca tivesse ido embora.

Assim como muitos dos membros mais conservadores do Congresso, ele optou por não morar em Washington, vivendo em seu escritório, ou ocasionalmente ficando com parentes em Maryland. Ele volta para Wisconsin quase todo fim de semana e muitas vezes participa de reuniões da Câmara Municipal. Ele ligou para o jornal de sua cidade, The Gazette, para lhes dar detalhes sobre sua decisão de participar da campanha.

Ryan também procura participar o máximo possível de eventos na escola de seus filhos, e sua mulher costuma cuidar das responsabilidades mundanas da família.

"Não tentamos falar de política quando ele está na cidade", disse Patrick Lyons, um amigo de infância de Ryan."Eles não ligam para status ou coisas do tipo. Para mim ele continua sendo apenas meu amigo Paul. "

Por Jennifer Steinhauer, Jim Rutenberg, Mike Mcintire e Sheryl Gay Stolberg

    Leia tudo sobre: ryaneuaeleição nos euaromneyobamarepublicanos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG