Obama e Ryan: de potenciais parceiros a rivais

Vice de Mitt Romney já foi visto pelo presidente americano como político ambicioso, com quem poderia trabalhar para reverter dívida federal dos EUA

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Quando o presidente americano, Barack Obama, foi eleito pela primeira vez, de acordo com seus assessores, ele enxergou em Paul D. Ryan , outro candidato com uma política ambiciosa no centro-oeste, como alguém com quem poderia trabalhar para reverter a dívida federal.

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Ele logo mudaria de opinião - como Obama deixou claro no domingo de 12 de agosto, ao aceitar Ryan na disputa como companheiro de Mitt Romney . Obama o chamou de: "o líder ideológico dos republicanos no Congresso" e um defensor da economia com o mesmo ideal que Romney, rótulos que não buscavam ser elogios.

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Romney e Ryan fazem campanha em Norfolk, no Estado da Virgínia

"Eu o conheço, eu lhe desejo boa sorte na disputa", disse Obama em um evento de arrecadação de fundos em Chicago. "Ele é um homem decente, é um homem de família. Ele é um porta-voz articulado para expor a visão do governador Romney. Mas é uma visão da qual eu discordo fundamentalmente."

Ryan tampouco concorda com muitas das ideias do presidente. "Ele colocou todas suas políticas em ação e elas simplesmente não estão funcionando", disse Ryan a uma multidão de partidários em Manassas, Virgínia. "Basta ver os resultados. Nós temos a pior recuperação dos últimos 70 anos."

Os dois homens, mesmo com todas suas diferenças políticas, têm algumas semelhanças. Ambos são jovens - Obama acaba de completar 51 anos; Ryan tem 42 anos de idade. Ambos são inteligentes e orientados a políticas. Cada um é seguro de si e de suas opiniões, apesar de Obama ser, provavelmente, mais pragmático, enquanto Ryan é com orgulho, mais conservador ideologicamente.

Ambições

E ambos homens têm pressa. Obama chegou à presidência após apenas dois anos em seu primeiro mandato no Senado, e Ryan é amplamente visto - inclusive por Obama, de acordo com seus assessores - como alguém com ambições presidenciais.

No primeiro ano no qual Obama administrou a crise financeira e a recessão que havia herdado, ele e Ryan tiveram pouco contato. Os republicanos eram a minoria na Câmara, e Ryan não tinha a presidência do comitê para aprovar seu plano de cortar impostos, uma revisão dos programas sociais federais e outras mudanças que ele enxerga como essenciais para restaurar a força econômica da nação.

Mas, no início de 2010, conforme a economia começou a demonstrar sinais - apesar de falsos - de forte recuperação e Obama começou a pensar em medidas de estímulo econômico para a redução a longo prazo dos déficits orçamentais anuais, ele estendeu a mão para Ryan.

Em janeiro daquele ano, o presidente se juntou aos republicanos em seu retiro anual e se referiu a Ryan, o republicano sênior na comissão de orçamento.

"Acredito que Paul (Ryan), por exemplo, chefe da Comissão de Orçamento, analisou o orçamento e fez uma proposta séria", disse Obama. "Eu a li. Eu sei qual é seu conteúdo. E há algumas ideias com quais eu concordo, mas existem algumas ideias nela que nós deveríamos debater pois eu não concordo com elas."

No início dessa sessão, Obama também citou Ryan por ter um objetivo menos voltado às políticas e mais preocupado com a políticagem de Washington. "O problema com o qual nos deparamos às vezes é que temos uma mídia que responde apenas a uma política agressiva", disse Obama. "É difícil receber atenção se eu disser: 'Você sabe, eu acho que Paul Ryan é um cara muito sincero e tem uma família linda'. Ninguém vai publicar isso nos jornais, não é verdade?"

Conscientes de que alguns republicanos foram ameaçados por rivais intrapartidários por terem sido demasiado amigáveis com ele, Obama ainda tirou mais risadas de seus antagonistas, "E se por acaso ele for ameaçado pelo republicanos, eu não quis que isso acontecesse." Olhando diretamente para Ryan, ele disse: "Eu não quero, não quero prejudicar você, cara."

Um ano depois, os republicanos tomaram o controle da Câmara e Ryan, da comissão de orçamento, depois de uma campanha na qual atacaram Obama, acusando-o de cortar o Medicare em US$ 500 bilhões em 10 anos com sua lei de saúde - as reduções que foram as mesmas da proposta de Ryan, que hoje ele tenta passar pela Câmara.

Redução de déficit

Em abril do ano passado, dias antes da votação da Câmara sobre o orçamento de Ryan, Obama expôs seu plano de redução de déficit para cortes de gastos e aumento de receita mais ou menos ao longo das linhas das recomendações feitas pela maioria dos membros de sua comissão fiscal Bowles-Simpson a partir de dezembro do ano anterior no qual Ryan, um membro da comissão, se opôs.

Não sabendo que Ryan estava sentado na fila da frente, embora tivesse sido convidado por oficiais da Casa Branca, Obama difamou o orçamento de Ryan. Em uma entrevista, Ryan disse que ele falou para o assessor econômico de Obama, Gene Sperling, que o presidente havia "envenenado o poço". Logo depois, quando Obama chamou os republicanos à Casa Branca para iniciar as negociações do orçamento, Ryan o desafiou a parar com os ataques políticos . Obama respondeu que os republicanos não poupavam ataques a ele, inclusive quando falavam de sua cidade natal.

"Paulo (Ryan) se levantou e não foi tímido diante dessa situação", disse o deputado Jason Chaffetz, de Utah. "Quando você está confiante em relação à sua compreensão do material, não há nenhuma razão pela qual ele não deveria ter se levantado e desafiado as noções do presidente."

*Por Jackie Calmes

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