Variedade de conchas atrai caçadores apaixonados para ilha na Flórida

Famosa por verdadeiros espetáculos com conchas à beira-mar, Ilha Sanibel tem clubes, lojas e museus de conchas, além de excursões para procurá-las e artesanato feito com elas

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A maré está baixa. O sol está se pondo. Chegou a hora da caçada.

Centenas de pessoas vão para a praia perto do farol da Ilha Sanibel, curvando-se sobre a areia à medida que cavam, levantam, fiscalizam e seguem em frente. Esse tipo de movimento é tão comum que tem um nome: o sanibel stoop. Esses fãs da praia e caçadores de conchas vivem numa boa, mas, com os seus instintos competitivos aguçados, eles não invadem o território do outro, sempre de olho em pontos salientes ou espirais ou nódulos indicadores na areia.

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"Nós levamos nossa caça por conchas muito a sério", disse Clark Rambo, que é conhecido pelo apelido de “Super Sheller Clark”, às vezes por admiração, às vezes a contragosto, por sua esposa, Pam. "Todos os dias na praia é uma caça ao tesouro, e é isso que torna essa atividade tão competitiva."

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Dependendo do dia e do vento, as praias da ilha ficam lotadas de conchas, em um espetáculo que encanta turistas e moradores

É possível avistar conchas ao longo de quase toda costa da ilha em diversos formatos, cores e tamanhos. A Ilha Sanibel, e sua vizinha, Ilha Captiva, ao longo da costa sudoeste do Estado da Flórida, são os destinos prediletos desses caçadores de concha. Não há outro lugar igual no país, e muito poucos lugares como esse no mundo. Em alguns dias, dependendo do vento, as conchas aparecem em grandes quantidades na praia, impressionando até mesmo aqueles que estão acostumados.

Isso tem acontecido muito desde as semanas que a tempestade tropical Debby, que no fim de junho inundou e causou erosão ao longo de algumas praias da costa oeste da Flórida, mas acabou sendo uma benção para os caçadores de conchas.

"Existem dias que dá para encontrar camadas de conchas de quase meio metro de espessura", disse José H. Leal, diretor do Museu de Conchas Bailey-Matthews na Ilha Sanibel. "É com certeza um dos melhores lugares do mundo para se procurar conchas."

As conchas também provaram ser resilientes. Em uma época na qual as populações de peixes estão em baixa e os recifes de corais estão morrendo, Leal disse que as conchas - feitas pelo moluscos principalmente do carbonato de cálcio presente na água do mar - continuam em alta.

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Clark e Pam Rambo buscam conchas na Ilha Sanibel, Flórida

Para alguns, procurar conchas é um passatempo, para outros é uma vocação e uma obsessão que às vezes é passada de geração para geração, com coleções passadas como herança. Na Ilha Sanibel, existem clubes, lojas de conchas, guias de conchas, excursões para procurar conchas, artesanato feito de conchas e o museu das conchas.

Dentro de sua casa decorada com conchas, Rambo preza uma foto sua em preto e branco de quando era menino. A imagem mostra a sua cama de solteiro, cheia de conchas do mar espalhadas, resultado de suas expedições na costa de Nova Jersey. Pam Rambo, uma artista, também cresceu coletando conchas, uma paixão compartilhada que ajudou a cimentar o relacionamento do casal há 18 anos.

Regras

Em uma noite recente, os caçadores de conchas varreram a praia com seus olhos. Eles pegaram conchas e verificavam o que havia dentro delas.

"Tem alguém aí?", Pam Rambo perguntou. Se um molusco estivesse dentro da concha, ela a colocaria de volta na areia. Essa é a regra por esses lados: não se pode pegar uma concha com algo dentro. Antes de uma lei de 1994, as pessoas costumavam pegar caixas de conchas sem olhar o que havia dentro e as levavam embora, praticamente limpando o litoral de suas conchas.

A competição é intensa. Em uma manhã de outubro do ano passado, em uma competição que Pam Rambo encontrou um junonia, uma espécie de caracol de mar conhecido por suas manchas marrons e muito precioso, ela disse a seus amigos para que a encontrassem numa região da ilha ao amanhecer. Com a esperança de vencer a competição, ela chegou lá antes do amanhecer, com uma luz em seu chapéu, para sair para caçar conchas sozinha. Foi aí que ela avistou a junonia. Foi um momento histórico para ela.

"Eu comecei a gritar", contou. "Eu parecia uma louca."

Não importa que seu marido tenha encontrado quatro junonias durante toda sua vida - um feito notável que ele adora falar a respeito de vez em quando. Depois que ele publicou uma foto de sua quarta junonia online, revelou-se ser demais para a multidão dos apreciadores de conchas.

"Eles começaram a vaiá-lo no site", contou Pam Rambo rindo.

*Por Lizette Alvarez

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