Obama: um leitor assíduo e crítico de notícias

Presidente americano lê jornais e revistas no iPad e em versão impressa, verifica blogs e Twitter e dá a seus assessores descrições detalhadas das notícias que gostou ou não

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Poucos meses depois de o pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões implementado pelo presidente americano, Barack Obama, ter sido aprovado, ele começou a prestar atenção às notícias, mas elas não falavam sobre os trabalhos que o projeto de lei poderia gerar ou quanto da infraestrutura do país iria melhorar. Em vez disso, as notícias focavam em possíveis engarrafamentos.

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"Tráfego diminui velocidade à medida que projeto de lei acelera", dizia uma manchete de 2009 no jornal USA Today.

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Obama lê notícias em iPad a bordo do Marine One, a caminho de Washington

Jared Bernstein, um economista do governo Obama naquela época, disse que as notícias exemplificavam os problemas da Casa Branca com a cobertura da mídia. "A sensação era 'não conseguimos acertar uma'", contou.

Enquanto o ex-presidente George W. Bush e seus assessores gostavam de dizer que ignoravam o Quarto Poder, Obama é um ávido consumidor de notícias políticas. Mas em seu papel informal como crítico chefe das notícias da mídia, ele desenvolveu uma crítica detalhada da cobertura jornalística moderna, que costuma regularmente expressar para aqueles ao redor dele.

Os meios de comunicação têm desempenhado um papel crucial na carreira de Obama, ajudando a fazer dele uma estrela nacional, não muito tempo depois de ter sido um deputado estadual anônimo. Como presidente, porém, ele passou a acreditar que os meios de comunicação desempenharam um papel crucial na frustração de suas ambições de mudar os termos do debate político do país. Ele acredita particularmente que os democratas não recebem mérito suficiente por sua disponibilidade em aceitar cortes no Medicare e na Previdência Social, enquanto os republicanos se opõem a quase qualquer aumento de imposto para reduzir o déficit.

Um escritor, antes de ter sido um político, Obama é um consumidor voraz de notícias: ele lê jornais e revistas em seu iPad e em versão impressa e vive verificando blogs e sua conta do Twitter. Ele regularmente dá a seus assessores descrições detalhadas das notícias das quais gostou, e deixa claro também as que não gostou.

Obama disse que a falta de uma narrativa eficaz tem sido um dos maiores erros de seu governo. "O erro do meu primeiro mandato - pelo menos nos primeiros dois anos - foi o de pensar que esse trabalho se tratava apenas de acertar a maneira correta de se fazer política", disse Obama em uma entrevista no mês passado com Charlie Rose, da rede de televisão CBS. "Mas a natureza desse governo também se trata de contar uma história para o povo americano."

Torcida

Estudiosos conservadores enxergam as coisas de uma maneira diferente. "Obama estava acostumado a ter a imprensa sempre torcendo por ele, então qualquer momento em que uma história é contada de maneira mais neutra ele acha que representa um ataque", disse John H. Hinderaker, um advogado de Minneapolis do Power Line, um site político conservador.

Muitos especialistas em jornalismo, por sua vez, concordam que a mídia às vezes têm problemas para distinguir a realidade da alegação, mesmo se a versão de Obama da crítica sempre pinta seu governo como sendo bom.

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"Eu acredito que às vezes nós dos meios de comunicação - especialmente quando temos de lidar com prazos curtíssimos - não temos tempo para realmente discernir o que é verdade diante de um número de informações e questões", disse Paul E. Steiger, diretor executivo da ProPublica, a organização sem fins lucrativos de investigação de notícias e ex-editor-chefe do Wall Street Journal ", e por isso dizemos" ele disse, ela disse. "

Obama, em certas ocasiões, já chegou a reconhecer que ele não é exatamente um crítico de notícias imparcial. "Vocês anotam cada palavra que dizemos, e eventualmente vamos reclamar sobre as palavras pouco lisonjeadoras que vocês irão escrever”, disse Obama em um almoço com a Associated Press, em abril. "A menos, é claro, que você esteja escrevendo sobre o outro cara. Nesse caso, bom trabalho!"

*Por Amy Chozick

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