Paris quer acabar com tráfego de veículos às margens do rio Sena

Governo socialista dá sinal verde para projeto dos sonhos do prefeito da cidade, Bertrand Delanoë, para reduzir o trânsito na região e favorecer pedestres

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O projeto dos sonhos do prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, para reduzir o tráfego de automóveis ao longo das margens do rio Sena poderá ser finalmente aprovado por causa do novo governo socialista da França.

Delanoë, que incentivou o uso de bicicletas e de carros elétricos em Paris e aumentou o número de ônibus e ciclovias na cidade, quer disponibilizar novamente os trechos das margens do Sena para pedestres e para o tráfego de bicicletas.

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AFP
Veículos passam por pista expressa às margens do rio Sena, em Paris (31/07)

Na década de 1960, antes da era do planejamento urbano sob a presidência de Georges Pompidou, ambas as margens do Sena foram pavimentadas para serem transformadas em vias expressas urbanas, embora esse termo possa ser um pouco exagerado para descrevê-las. Quando as vias foram inauguradas em 1967, disponibilizando uma maneira rápida de transitar por Paris, Pompidou utilizou o slogan: "Paris deve se adaptar ao carro".

Mas as vias impossibilitaram o acesso ao rio para muitos dos cidadãos de Paris, muitos dos quais nem sequer possuem carros.

Delanoë, prefeito da cidade desde 2001, também deu início ao projeto de verão "Praias de Paris" em que trechos das vias são fechadas durante o verão e cobertas com areia, criando praias urbanas para que os cidadãos e os turistas possam se bronzear.

Seu plano para disponibilizar partes da margem do rio aos pedestres foi bloqueado em janeiro pelo então primeiro-ministro François Fillon, líder do principal partido de centro-direita. Fillon disse que um estudo da cidade sobre o impacto do plano sobre o tráfego era insuficiente e deveria ser reexaminado.

Mas quando Nicolas Sarkozy e seu partido de centro-direita perderam a eleição presidencial para o socialista François Hollande (em maio) e perdeu sua maioria legislativa (em junho), o novo primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault , também socialista, abriu espaço para o projeto ser realizado.

Então, seu colega de partido, Delanoe, avançou com o projeto, orçado entre cerca de US$ 43,4 milhões e US$ 49,6 milhões.

"Estamos comprometidos com a ideia de transformar as vias ao longo da margem do rio em um lugar com vida, beleza e cultura", disse Delanoe, observando que a UNESCO colocou as margens do Sena em sua Lista do Patrimônio Mundial.

A partir de setembro, um quilômetro da margem direita perto da prefeitura será drasticamente reduzido, junto com uma série de seis novos semáforos destinados a diminuir o tráfego. Ao longo do rio, haverá espaço para mais bares, cafés e locais para os pedestres caminharem. O projeto já está em andamento, pois a via tinha sido fechada para as Praias de Paris.

No próximo ano, quase dois quilômetros e meio da margem esquerda serão fechados integralmente para carros, aproximadamente entre o Museu d'Orsay e da Pont de l'Alma. A cidade pretende criar um parque ao lado do rio com cerca de 4,45 hectares, com jardins botânicos, áreas de esportes, restaurantes, um mercado de flores e, talvez, um café bem conhecido do Parque Buttes Chaumont, Le Rosa Bonheur. Conhecido como um guinguette, é um lugar informal para se comer, beber e dançar. Há também planos para uma "batobar", um barco para cruzeiros fluviais de curta duração, que serve bebidas.

As autoridades municipais argumentaram que o impacto no tráfego não será grave, acrescentando menos de dez minutos para uma viagem comum, mesmo durante a hora do rush, quando eles estimam que 2 mil carros por hora utilizam a via expressa da esquerda do rio. Mas as autoridades também estão calculando uma queda de 10% no tráfego de automóveis na cidade durante os próximos cinco anos, continuando uma tendência de queda de 2% durante cada ano desde que Delanoe assumiu o cargo.

Alguns legisladores temem que o novo uso das margens do Sena irá produzir muito barulho e lixo, perturbando aqueles que vivem perto do rio, enquanto outros, como Rachida Dati, ex-ministra e atual prefeita do 7º Arrondissement, temem que o tráfego será desviado para vias urbanas menores que já estão lotadas, como o Boulevard Saint-Germain. Alguns dizem que o rio já está cheio de barcos de turismo, outros temem que as faixas de tráfego mais estreitas na margem direita do rio irão causar mais acidentes.

Esforços semelhantes para recuperar os rios têm sido feitos em outras cidades francesas, como Bordeaux, uma pioneira sob o governo do prefeito Alain Juppé, e Lyon e Toulouse, que tem um grande projeto para criar um parque à beira do rio com quase o tamanho do Central Park de Nova York.

Por Steven Erlanger

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