Cubo mágico volta a ganhar popularidade nos EUA

Após filme de Will Smith impulsionar vendas, competição em Las Vegas reúne multidão disposta a resolver o complexo cubo de Rudik

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O barulho de 200 cubos de Rubik, conhecidos como cubos mágicos, sendo manipulados ao mesmo tempo tomavam conta do saguão do Hotel e Casino Riviera, em Las Vegas, no dia 4 de agosto, quando Riley Woo, 15, subiu ao palco.

Ele teve alguns momentos para estudar o cubo e, em seguida, puxou uma venda sobre seus olhos e começou sua tentativa de solucioná-lo.

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Vendado, Devon Nadudbari, 16, participa de campeonato de cubo mágico em Las Vegas (04/08)

Depois de inúmeros movimentos, Riley ergueu a venda de seus olhos e sorriu. Ele tinha resolvido o quebra-cabeça, em um tempo total de 2 minutos e 34 segundos. Do outro lado da mesa, seu pai parou de filmar e lhe parabenizou.

"Só memorizei onde estava cada cor e, com base nisso, consegui resolvê-lo", explicou Riley.

"Um monte de algoritmos, correto?", perguntou o pai.

"Sim, e não é preciso usar muita matemática", Riley concordou. "Apenas algoritmos". A diferença, segundo ele, está entre as fórmulas que você consegue memorizar e equações que você tem que solucionar.

Nos 38 anos desde que o professor de arquitetura húngaro Erno Rubik inventou o cubo, ele tem sido considerado um objeto de diversão, arte, matemática, nostalgia e frustração. Alguns dizem que sua popularidade vem de seu apelo à universalidade – ele não requer nenhuma instrução ou contexto cultural - e alguns ao seu grau de complexidade. Qual outro brinquedo de criança poderia confundir tanto assim um estudante de graduação do MIT?

É um objeto que "define o seu próprio desafio", disse Rubik. "Qualquer pessoa que possua os sentidos humanos básicos podem tentar resolvê-lo."

A julgar pela multidão presente no Campeonato Mundial de 2012 da Associação Nacional do Cubo Rubik dos Estados Estados Unidos, que aconteceu no final de semana em Las Vegas, sua popularidade está aumentando. Embora alguns dos ícones mais antigos do cubo de Rubik estivessem presentes, como Lars Petrus, o campeão do Mundial de 1981 e criador do Método Petrus (dica: construa um canto de 2-por-2-por-2, e depois vá solucionando o cubo de fora para dentro), quase todos os concorrentes nasceram décadas depois do auge do cubo.

E embora a maioria dos participantes parecesse considerá-lo mais um hobby do que uma formação profissional, seus benefícios mentais eram evidentes para todos.

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"A matemática do cubo, como a teoria de grupo, realmente não se aplica a muitas outras coisas", disse Thom Barlow, 24, um programador de Manchester, Inglaterra, que desenvolve sistemas para resolver o cubo como um hobby. "Mas ele te ensina como praticar alguma coisa. Seu cérebro começa a perceber, 'Oh, eu preciso trabalhar agora para resolver isto' e é assim que você acaba evoluindo."

Havia participantes que solucionavam o cubo rapidamente, outros com olhos vendados e até mesmo aqueles que resolviam o cubo com o pé - embora muitos puristas considerem aqueles que solucionam o cubo com o pé nada mais do que acrobatas tentando exibir um truque desnecessário (isto explica o fato de estes participantes ficarem isolados em um canto distante). O número de meninos superou o número de meninas em pelo menos 4 para 1 e o competidor mais jovem tinha 5 anos de idade.

"Resolver um cubo de Rubik não é difícil", disse Tyson Mao, um dos organizadores do evento. "Não é impressionante que uma criança de 5 anos de idade consiga resolvê-lo, o que é impressionante é a paciência que ela tem para fazer isso".

Mais do que uma história de fanáticos por quebra-cabeças ou nerds da matemática, a redescoberta do cubo é um conto multifacetado que envolve nostalgia, a Internet e o ator Will Smith.

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Participante resolve cubo mágico com o pé durante competição em Las Vegas, nos EUA (04/08)

Em 2006, Hollywood contribuiu para este fenômeno: o personagem brilhante, mas de pouca sorte, interpretado por Will Smith no filme "À Procura da Felicidade" resolve um cubo mágico de Rubik em menos de dois minutos depois de ver o brinquedo pela primeira vez.

"Aquela cena dele resolvendo o cubo de Rubik apareceu no trailer, e foi aí que as coisas realmente começaram a ganhar força," disse Joe Sequino, um porta-voz da empresa Winning Moves, responsável pela fabricação do cubo nos Estados Unidos junto com a empresa Hasbro. "Foi uma confluência perfeita de eventos, unindo o filme e uma nova geração 27 anos depois que começou a se interessar pelo cubo".

As vendas do cubo, que eram quase insignificantes em 2000, atingiram seu pico em 2008, um total de 15 milhões globalmente, e se estabilizaram desde então. Nos últimos anos foi possível presenciar a chegada de cubos mais desafiadores, com seis, sete ou até 10 quadrados em seu diâmetro, assim como formatos estranhos, como triângulos ou dodecaedros.

Nos últimos 14 meses, cubos de Rubik foram resolvidos pela primeira vez no espaço e no topo do Monte Everest. Em 2011, uma especialista em resolver o cubo rapidamente levou o prêmio máximo no programa de televisão "Sweden’s Got Talent" por, entre outras coisas, resolver um cubo de olhos vendados. O americano Anthony Michael Brooks - conhecido por resolver o cubo com apenas uma mão e rapidamente - estrelou em um novo comercial da Volkswagen chamado "Não dá para fingir que você é rápido".

No final do evento em Las Vegas, alguns recordes haviam sido estabelecidos, incluindo um por Deven Nadudvari, 16, de Monterey Park, Califórnia. Ele resolveu cinco cubos diferentes de 3-por-3 com uma mão numa média de 14,86 segundos, estabelecendo um recorde americano.

"Pratiquei muito para esta competição", disse Deven.

Quando questionado sobre qual aspecto do cubo o atrai, ele disse: "Apenas gosto dele." Quando perguntado qual tipo de profissão que ele gostaria de exercer, ele riu e disse que não sabia.

Por Douglas Quenqua

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