Obama veste glória olímpica para reforçar imagem nacionalista

Em campanha, presidente democrata ressalta conquistas dos atletas dos EUA para criar sentimento de união e identidade, além de fomentar espírito de torcida entre partidários

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Um dos dois principais candidatos à presidência dos Estados Unidos chegou a participar de uma Olimpíada, fez questão de visitar os Jogos deste ano em Londres e é casado com uma mulher que tem uma participação especial em um dos eventos. Mesmo assim, o candidato que não consegue parar de falar sobre ginastas, nadadores e jogadores de futebol em quase todo lugar que vai em campanha é aquele que, de acordo com ele mesmo, "mal consegue dar uma cambalhota."

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De Ohio até a Flórida, passando pela Virgínia, o presidente Barack Obama vem se envolvendo em toda glória olímpica, cumprimentando os vencedores e dizendo em algumas situação que acabou de ligar para alguns deles para felicitá-los pessoalmente por terem conquistado suas medalhas.

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Obama fala a eleitores em comício no Colorado

Um pouco de glória olímpica nunca fez mal a nenhum candidato, especialmente quando isso levanta gritos da multidão torcendo: "USA! USA!" E uma das vantagens de ser presidente é a possibilidade de se tornar chefe oficial de torcida da nação a cada quatro anos.

"Obviamente, eu sei que todos vocês têm passado a maior parte desta semana torcendo por nossos inacreditáveis atletas em Londres", disse Obama a uma multidão de simpatizantes em Stamford, Connecticut, no início da semana. "No voo para cá, eu tenho de admitir que estava assistindo ao jogo de futebol feminino do time dos Estados Unidos. Por sinal, elas ganharam, 4 a 3."

Ele então continuou e extraiu o significado político do jogo. "É apenas um lembrete extraordinário sobre o fato de que mesmo tendo nossas diferenças políticas, quando se trata do nosso amor por este país e as pessoas incríveis que nos representam, nós somos unidos", disse. "E é uma sensação muito gratificante durante o percurso de uma carreira política, onde às vezes o fato de que somos unidos em relação a tantas coisas importantes fica escondido."

Isso pode ser uma coisa presidencial a dizer, mas é também política cuidadosamente feita. Uma das linhas de ataque constantes contra Obama foi a de que ele não é americano o suficiente, desde as teorias de conspiração extremas sobre o seu nascimento até a crítica mais convencional republicana sobre suas políticas e suposta falta de fé em seu país. Seu adversário republicano, Mitt Romney , que cuidou dos Jogos de 2002 em Salt Lake City, intitulou seu livro "Sem Desculpas" para apresentar Obama como alguém que pensa que os EUA são apenas mais uma nação como a França ou a Grécia.

Sensível à acusação, Obama este ano tentou competir de frente com o excepcionalismo americano. Em seu discurso do Estado da União, declarou que os “EUA estão de volta” e disse:" Qualquer um que diga o contrário, qualquer um que lhe disser que os EUA estão em declínio, ou que a nossa influência diminuiu, não sabem do que estão falando. "

Obama repetiu versões dessa frase em discursos de sua campanha, desde então, experimentando uma forma de arte marcial política, transformando o argumento dos republicanos contra eles, fazendo com que suas críticas às suas políticas parecessem com algo que derrotistas estavam falando dos EUA. Embora ele não afirme que o país está renascendo, ele tentou canalizar o famoso otimismo de Ronald Reagan sobre o futuro da América.

Atletas

É nesse contexto que Obama está se associando com pessoas como Michael Phelps e seus colegas. Em Mansfield, Ohio, na semana passada, o presidente destacou dois atletas daquele Estado, Abby Johnston, o mergulhador, e Justin Lester, o lutador. Em Leesburg, Virgínia, no dia seguinte, ele fez questão de ressaltar a atleta nativa do Estado da Virgínia Gabby Douglas antes de levar a multidão a cantar o famoso grito de apoio: "USA! USA!"

Obama também utiliza esses momentos para se humanizar, declarando com um sentimento de admiração que de jeito algum ele conseguiria fazer o que muitos desses jovens atletas fazem. "Eu com certeza não conseguiria fazer todas aquelas manobras de ginástica olímpica”, disse ele em Ohio. "Eu mal consigo dar uma cambalhota", disse ele, na Virgínia. "Inacreditável".

Romney foi visitar os jogos deste ano em Londres, e o cavalo de sua mulher competiu novamente na terça-feira de 7 de agosto, na competição olímpica de adestramento equestre da equipe americana. Mas a visita foi mal vista quando ele levantou questões sobre se Londres estava pronta para as Olimpíadas, sendo criticado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, e ofuscando sua própria paixão pelos Jogos.

Londres: Romney causa mal-estar ao pôr em dúvida organização de Olimpíadas

Quando perguntado sobre isso mais tarde, Romney fez questão de elogiar os eventos."Eu passei dois dias lá, até aonde eu sei os jogos estavam sendo realizados sem nenhum problema ", disse à ABC News. "Apesar dos desafios que um comitê de organização enfrenta, eles foram capazes de organizar os jogos que até então estavam fluindo perfeitamente."

No entanto, desde que voltou para os EUA, ele não tem falado muito sobre os Jogos Olímpicos durante eventos de sua campanha.

Ainda assim, o assunto revela ser uma área na qual Obama e Romney estão de concordo. Na semana passada, um porta-voz de Romney disse que o candidato era a favor dos atletas olímpicos serem isentos do pagamento de impostos sobre o valor de suas medalhas, como proposto em um projeto de lei apresentado pelo senador Marco Rubio.

Na segunda-feira, um porta-voz de Obama disse que o presidente iria assinar o projeto. Isso, pelo menos, será mais fácil de fazer do que dar uma cambalhota.

*Por Peter Baker

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