Especialista em vice-presidência dos EUA se torna o centro das atenções

Autor de aclamado livro sobre o tema e professor de direito, Joel K. Goldstein é extremamente requisitado a cada quatro anos, quando os americanos vão às urnas

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Joel K. Goldstein, professor de direito na Universidade de St. Louis, é uma das principais autoridades quando o assunto é a vice-presidência dos Estados Unidos. As pessoas parecem respeitá-lo.

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"Minha mulher diz que eu sou como uma planta exótica que floresce a cada quatro anos", disse Goldstein.

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Joel Goldstein, professor de direito na Universidade de St. Louis, é autoridade quando o assunto trata de vice-presidência dos EUA

Na verdade, esse é o auge da temporada para a candidatura à vice-presidência, na qual existe um interesse amplificado nessa não tão aclamada vaga de emprego. Se Tom Brady tem a Semana do Super Bowl e a modelo Gisele Bündchen tem o Fashion Week, esse é o momento de Goldstein. Repórteres vivem ligando para ele, à procura de uma autoridade no que é essencialmente um exercício de adivinhação sobre quem Mitt Romney irá escolher: Pawlenty ou Portman? Rubio ou Rice?

Goldstein, que não possui nenhuma informação privilegiada sobre os planos do candidato republicano à presidência, sente prazer em especular, assim como muitos outros especialistas o fazem na televisão a cabo todos os dias.

Só que Goldstein, 59 anos, pode fazê-lo com um respaldo de anos de estudo e formação acadêmica, um profundo conhecimento da 25ª Emenda e sua autoria de um aclamado livro que fala sobre vice-presidência: "The Modern American Vice Presidency: The Transformation of a Political Institution", de 1982.

"Então, o que exatamente faz um estudioso da vice-presidência?", perguntei quando cheguei ao escritório de Goldstein para uma entrevista. "Você fica só na espera até que algo aconteça com um estudioso da presidência? Você acredita estar a pouca distância de se tornar um estudioso da presidência?"

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Goldstein achou todas essas questões engraçadas. Ou, pelo menos, riu quando as fiz. Ele ouve isso o tempo inteiro, disse. São questões que acompanham o trabalho que faz. Mas ele não deixa de ser um especialista no assunto, sem dúvida alguma. Ele é hiperespecializado e é seguro e impressionante dentro de sua função. Seu trabalho visa apenas a essa questão nos Estados Unidos.

"Essa é tradicionalmente a época na qual sou mais requisitado", disse. E vai continuar assim ainda por um tempo. Então, depois que Romney tiver escolhido seu vice-presidente, Goldstein continuará participando de especulações como o tipo de vice-presidente que, digamos, Bobby Jindal ou quem for escolhido será, como fez há quatro anos com Sarah Palin e Joseph R. Biden Jr., apontando que, apesar de Biden ter sido o primeiro candidato a concorrer à vice-presidência vindo do Estado de Delaware, houve um governador daquele Estado, Daniel Rodney, que obteve votos eleitorais vice-presidenciais no início do século 19.

E então, eventualmente, os repórteres famintos por declarções e agentes de programação da televisão deixarão Goldstein em paz por mais quatro anos.

"A não ser que o vice-presidente mate alguém ou algo parecido," disse ele. "Se isso acontecer, aí sim eu receberei ligações."

Pode acontecer, mas apenas a cada 200 anos ou mais. Como aconteceu com Dick Cheney e seu episódio durante uma caçada em 2006, e antes disso, o caso do vice-presidente Aaron Burr, que baleou Alexander Hamilton em 1804.

"Mas em 1804 eu ainda não havia nascido", disse o professor.

Goldstein disse que seu vice-presidente favorito foi Walter F. Mondale, o vice-presidente do presidente Jimmy Carter, a quem ele credita como alguém que redefiniu o cargo. Embora naquela época os vice-presidentes normalmente assumiam um cargo de executar tarefas discretas e nem sempre significativas, Mondale insistiu em exercer um papel de consultor e solucionador de problemas. Ele se tornou seu próprio centro de poder e influência durante aquele governo. E esse precedente continuou com as vice-presidências seguintes.

"George H.W. Bush não recebeu o mérito que deveria por suas habilidades como vice-presidente", disse Goldstein. Al Gore, Cheney e agora Biden todos fizeram grandes contribuições, também. "A vice-presidência se tornou um cargo muito importante", disse Goldstein.

*Por Mark Leibovich

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