Cientista espanhol utiliza genética para encontrar crianças desaparecidas

Famoso por ajudar a identificar os restos mortais de Cristóvão Colombo e Simón Bolívar, José Lorente conseguiu impedir 200 adoções ilegais com auxílio de testes e banco de DNA

NYT |

NYT

Aconteceu mais de uma década atrás, quando o táxi passou pelos bairros problemáticos de Lima, que o médico José A. Lorente, um especialista em genética forense, começou a pensar sobre a situação das crianças de rua.

EUA: Testes de DNA ajudam adotados a encontrar suas raízes

Enquanto visitava o Peru para orientar policiais locais sobre como identificar os corpos de alguns terroristas, ele não pode deixar de perguntar o que faziam para ajudar as crianças. A polícia disse que não tinham muito o que fazer. Não havia nenhuma maneira de identificá-las, nenhuma maneira de reuni-las com suas famílias e, geralmente, elas fugiam quando eram levadas de volta para orfanatos.

NYT
José Lorente, especialista em genética forense, em Centro da Pfizer, em Granada, Espanha

Lorente não ficou satisfeito com essa resposta. "Eu sabia que tinha de haver algum jeito de remediar essa situação", disse. "Eu sabia que o DNA poderia fazer isso. E pensei: nós conseguimos acompanhar o pedigree de cães e cavalos de corrida, será que não conseguimos fazer o mesmo ou ainda mais pelas crianças?"

Ele apareceu em jornais de todo o mundo por ter ajudado a identificar os restos mortais de Cristóvão Colombo e Simón Bolívar, e os corpos encontrados em valas comuns no Chile e em outros países. Mas ao longo do caminho, ele também conseguiu persuadir autoridades em 16 países, incluindo Guatemala, México, Peru, Equador, Brasil, Nepal, Indonésia, Malásia, Índia e Tailândia a começarem a montar um bancos de dados de DNA que poderiam identificar e reunir as crianças desaparecidas com suas famílias.

Funcionamento

A ideia é bastante simples. Em sua mente, Lorente, 51 anos, vê uma rede de bancos de dados nacionais que armazenam o DNA dos pais que perderam seus filhos. Assim, quando as crianças forem encontradas, mesmo que após muitos anos, eles podem verificar com qual DNA são compatíveis. Ele também acredita que os bancos de dados podem desempenhar um papel crucial na prevenção das adoções de crianças roubadas e no desmantelamento das redes de tráfico de humanos.

"Tudo isso é possível de ser feito, e nós deveríamos estar fazendo isso", disse Lorente.

Ele reconhece que é uma ambição bastante grande para um laboratório de genética civíl operando em Granada, na Espanha, um assunto, disse ele, que às vezes vem à tona em sua casa. "Minha esposa diz: 'Então, quer dizer que você é o Dom Quixote?'", conta Lorente rindo. Mas ele argumenta que sua ideia faz sentido e que eventualmente será colocada em prática.

Entretanto, a fundação que ele criou em 2004, a DNA-Prokids, vem proporcionando a países dispostos a participar com milhares de exames de DNA gratuitos e kits de coleta de DNA. Até agora, testes gratuitos conseguiram reunir cerca de 550 crianças com suas famílias, a maioria delas na Guatemala e no Peru. Os testes também conseguiram impedir mais de 200 adoções ilegais.

Garantia

Lorente acredita que a adoção deveria sempre envolver o teste genético para se certificar de que os pais que estão deixando a criança para adoção são realmente os pais. E ele disse que 80% das crianças de rua do mundo têm famílias que estariam mais do que dispostas a pegá-las de volta caso fossem encontradas.

Alguns dos testes grátis são realizados em Granada, alguns no Centro Científico para Saúde da Universidade do Norte do Texas, em Fort Worth, onde seu ex-chefe de laboratório do FBI, Bruce Budowle, é agora o diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Genética. Budowle disse que Lorente tem um dom para executar essa tarefa. "Ele é um excelente comunicador que realmente se destaca ao falar com as pessoas de alto nível", disse Budowle. "E ele realmente acredita no que faz."

Lorente afirmou que ficou bastante orgulhoso em poder ter trabalhado em grandes casos como o de identificar os restos mortais de Colombo e Bolívar. Mas são os casos mais íntimos que realmente mexem com ele. "Quando você olha para uma mãe e você finalmente consegue dizer 'OK, nós encontramos o corpo do seu filho' é, para mim, é uma sensação incomparável."

*Por Suzanne Daley

    Leia tudo sobre: dnacriançasespanholcientistadesaparecidosperuguatemalabolívar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG