Influência do Tea Party pode mudar postura de republicanos no Senado

Se eleitos em novembro, candidatos de movimento conservador devem alterar a Casa e aumentar conflitos

NYT |

NYT

O movimento Tea Party está bastante ativo na batalha para conquistar o controle republicano do Senado, pressagiando uma potencial mudança na postura dos políticos.

A fácil vitória republicana na primária do Texas por Ted Cruz, o candidato de 41 anos de idade apoiado por Sarah Palin, praticamente garantiu ao mais recente candidato do movimento Tea Party um assento na Câmara no próximo ano. E ele não está sozinho quando se trata daqueles que foram apoiados pelo movimento, que levou os republicanos ao controle da Câmara em 2010.

Saiba mais: Veja a cobertura completa das eleições nos EUA

AP
O candidato republicano ao Senado do Texas, Ted Cruz, concede entrevista em Houston (01/08)


Das 17 disputas pelo Senado e no Texas, mais de meia dúzia dos candidatos republicanos - ou aqueles que estão atualmente à frente em suas primárias - são apoiadores do movimento Tea Party. A entrada de novos candidatos conservadores poderá alterar a aparência do Senado e aumentar os tipos de conflitos entre moderados e republicanos de extrema direita, fazendo com que um acordo seja mais difícil, algo que tem caracterizado a Câmara nos últimos dois anos.

Mesmo se os democratas mantiverem o controle, é provável que recém-chegados como Cruz rapidamente se unam aos conservadores veteranos como o senador Jim DeMint, da Carolina do Sul, e com novatos como o senador Rand Paul, do Kentucky, ampliando o grupo dos membros que estão à extrema direita da plataforma central de seu partido.

Como resultado, o grupo poderá também apresentar dificuldades adicionais para o senador Mitch McConnell do Kentucky, líder da minoria, que bateu de frente com o presidente da Câmara, John A. Boehner, de Ohio, que tentou negociar difíceis acordos com os democratas e a Casa Branca em um momento de complexa confusão fiscal.

Caso os republicanos se tornem a maioria no Senado – um objetivo que não parece impossível de se atingir atualmente - McConnell poderá ter que equilibrar as exigências de republicanos como Cruz com a dos centristas restantes, como a senadora Susan Collins, do Maine.

Mas essas preocupações virão posteriormente, já que na quarta-feira os conservadores estavam mais ocupados comemorando a vitória de Cruz.

"Isso tudo prova o que temos dito o tempo todo", disse Jenny Beth Martin, co-fundadora do Tea Party Patriots, "que o movimento Tea Party está aqui para ficar. Estou realmente surpresa que as pessoas tenham se surpreendido com a vitória de Ted Cruz. Eu só estive em casa durante três dias no mês passado , falo com pessoas de todas as esferas da vida e elas ainda querem o governo fora de nossas vidas."

Alguns já estão sentindo uma mudança na atitude da liderança do Senado.

"Eu notei que Mitch McConnell fará um discurso em um comício do movimento Tea Party em breve", disse Mourdock. Ele saiu em campanha com Cruz, que lhe disse que ele havia sido inspirado pela campanha de Mourdock no Indiana.

"Só o fato de a liderança republicana estar disposta a falar com essas pessoas é algo importante", disse Mourdock. "Se esse tipo de coalizão acontecer, tudo irá mudar a partir do primeiro dia".

Se McConnell, que vai participar de um comício do movimento Tea Party em Kentucky, sente qualquer tipo de descontentamento sobre possivelmente ter que participar de mais conferências com outros membros do Tea Party, ele não deixou isso claro.

"Estou muito impressionado com Ted Cruz e irei fazer o melhor para ajudar a elegê-lo em novembro", disse. Essa dinâmica, é claro, está clara para os democratas.

"Acho que isso é mais problema deles do que nosso", disse a senadora Patty Murray, de Washington, presidente do Comitê da Campanha Democrata ao Senado.

Muitos dos democratas envolvidos em campanhas ainda insistem que os candidatos do movimento Tea Party estarão em desvantagem entre os eleitores independentes quando chegar a época das eleições.

"As posições do movimento Tea Party, suas políticas e agendas serão uma vulnerabilidade enorme para eles", disse Matt Canter, uma porta-voz do Comitê.

Claro, os democratas têm alguns de seus próprios candidatos que podem ser até um pouco liberais demais para que sejam eleitos. Alguns analistas acreditam que o deputado Ron Kind poderia ter sido um candidato mais forte nas eleições gerais, em Wisconsin, que a candidata mais liberal, Tammy Baldwin.

A campanha para deputado de Joe Donnelly do Indiana, o democrata que está competindo com Mourdock, disse que a filiação com o movimento Tea Party será um tema central.

Os republicanos disseram apenas: "boa sorte".

Por Jennifer Steinhauer

    Leia tudo sobre: eleição nos euaeuarepublicanostea partyromney

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG