Museu de Los Angeles busca sobrevivência

Instituição com um histórico curatorial invejável, Museu de Arte Contemporânea vem sendo atormentado por problemas financeiros

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Talvez dois de três não seja tão ruim assim. Los Angeles recebeu de Nova York dois diretores de museus bastante eficazes. Ann Philbin saiu do Centro de Desenhos para administrar o Museu Hammer. Michael Govan saiu da Fundação de Artes para se tornar diretor do Museu de Arte do Condado de Los Angeles. Ambos parecem estar fazendo maravilhas.

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Mas o terceiro deles, Jeffrey Deitch, está enfrentando sérios problemas desde que fechou sua galeria no SoHo na Primavera de 2010 para se tornar diretor do Museu de Arte Contemporânea, uma instituição com um histórico curatorial invejável, mas historicamente atormentada por seus problemas financeiros. As críticas sobre o seu mandato têm sido constantes, porém se intensificaram nas últimas três semanas e meia com a saída repentina de Paul Schimmel, o brilhante e teimoso curador executivo do museu, depois de uma votação dos administradores. A química difícil que existia entre os dois homens era bastante conhecida por todos.

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Exposição 'Arte nas Ruas' esteve em abril no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles

Ainda mais perturbador do que a saída de Schimmel após 22 anos de cargo, foi a notícia de que sua posição não seria preenchida e que o museu iria começar a contar mais com o apoio de curadores independentes. Ao mesmo tempo, falava-se cada vez mais tanto na imprensa quanto no mundo da arte sobre os problemas que Deitch tinha em arrecadar recursos.

Então, a notícia que uma exposição sobre arte e discoteca estava em desenvolvimento foi divulgada. Houve reclamações de que Deitch estava enfatizando o entretenimento populista e todo seu glamour às custas do rigor acadêmico associado a Schimmel. A semana seguinte os quatro artistas curadores renunciaram: John Baldessari, Catherine Opie, Barbara Kruger e Ed Ruscha.

O museu, que colocava os artistas no patamar de serem seus fundadores mais ativos, sempre os teve como parte de seu conselho. De uma certa maneira, a sua perda foi tão chocante quanto qualquer outro acontecimento que veio anteriormente, pois sinalizou a perda de fé por parte dos artistas.

A função de Deitch como diretor até agora tem sido uma decepção, até mesmo para as pessoas que pensavam que era uma ideia viável. Eu escrevi na época que considerei isso um "ato brilhante", e disse que era o típico exemplo de um museu que está tentando pensar em diferentes alternativas para solucionar um problema, assim como uma medida adequada para momentos de desespero.

Colapso

O museu havia chego perto do colapso, em 2008, diminuindo suas doações para US$ 5 milhões (longe dos US$ 40 milhões que chegou a ter), e consideraram a opção de vender a coleção ou de efetuar uma fusão com o Museu de Arte do Condado de Los Angeles. Essa ameaça foi afastada graças ao promotor imobiliário e filantropo cultural Eli Broad, um administrador fundador que voltou a bordo do museu depois de um hiato de 15 anos e doou um resgate de US$ 30 milhões, antes de ter uma grande influência na nomeação de Deitch.

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Jeffrey Deitch, diretor do Museu de Arte Contemporânea em Los Angeles

Em vez de incentivar e cultivar curadores da maneira que muitas vezes um negociante de arte estimula e cultiva artistas, ele frequentemente decidia assumir o papel de curador, quando não estava comissionando celebridades para fazê-lo. Ele começou com uma exposição dedicada às pinturas e fotografias do ator Dennis Hopper organizada por Julian Schnabel, em seguida, encenou um espetáculo sobre James Dean organizado pelo ator James Franco. Sua exposição de 2011 "Arte nas Ruas", embora tenha sido mais bem recebida pela crítica e tenha tido um bom índice de frequentadores, não ajudaram a estabelecer um tom mais sério.

Por mais que ele tenha tido grande parte da culpa pela crise que atinge o museu hoje, ele não é responsável por ela sozinho. Ele certamente prejudicou sua imagem e não conseguiu resolver muita coisa em relação aos problemas financeiros mais urgentes. Mas não foi ele quem os criou. Eles já estavam lá durante muitos anos antes de sua chegada e fazem parte de uma história tortuosa, com muitos protagonistas. O museu sempre teve uma situação financeira frágil; seu conselho raramente dava o tipo de apoio financeiro que uma instituição de sua qualidade exige e merece. E continua agindo assim, o que nos traz de volta a Broad.

Seu resgate do museu há quatro anos atrás lhe deu uma posição dominante no conselho que fez com que alguns administradores deixassem seus postos e sugeriu a muitas pessoas a possibilidade de que seu resgate poderia algum dia se transformar em uma aquisição que iria fundir a exemplar coleção de arte do museu com a sua própria intuição mais voltada ao marketing. O fato de que depois de alguns meses da nomeação de Deitch, Broad finalizou seus planos para construir o seu próprio museu do outro lado da rua do Museu de Arte Contemporânea, hoje programado para abrir dentro de um ano ou dois, não ajudou.

Dada a história de Broad com outros museus de Los Angeles, é difícil de acreditar em suas negações sobre seus planos de querer assumir esse atual museu. Em uma entrevista ao Los Angeles Times, ele disse: "Se eu quisesse fazer isso, por que teria me preocupado em salvar o MOCA (Museu de Arte Contemporânea)? Mas ele não necessariamente o salvou, e sem nova injeção de dinheiro, seja dele ou de outros curadores, o lugar está mais ou menos como se estivesse na UTI.

É interessante notar que o seu orçamento de US $14,3 milhões para o ano fiscal de 2011 ficou um pouco abaixo do orçamento de US$ 16 milhões do Hammer, um museu com cerca de um quarto do espaço que o seu. E ainda, embora os funcionários do Museu de de Arte Contemporânea tenham sido reduzidos para 45, o Hammer possui 95.

Entretanto, um recente artigo de opinião escrito por Broad e publicado no Los Angeles Times contribuiu para uma visão binária generalizada inútil da situação, chamando as grandes exposições que passaram pelo museu no passado se "provincianas" e a visão de Deitch de "populista", uma simplificação grosseira e falsa de ambas declarações. Broad também citou a frequência de pessoas em uma exposição como um sinal de seu sucesso, no mínimo uma ideia muito limitada dos benefícios culturais de museus.

*Por Roberta Smith

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