Jovem blogueira americana faz sucesso direto da casa dos pais

Emma Koenig se torna um hit na internet com Tumblr sobre as dificuldades da vida aos 20 e poucos anos

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Aos 24 anos, Emma Koenig já passou por muitas das fases que definem sua geração: conquistou um diploma universitário caro, teve uma série de empregos que pagam pouco (e estágios que não pagam nada), foi caixa em uma loja de sanduíches, trabalhou como atendente de um guarda-volumes e fez estágio em uma empresa de produção, um trabalho difícil que foi acompanhado por uma série de casos pseudo-românticos, além de ter alugado um apartamento no bairro de East Village, em Nova York, sempre com um elenco rotativo de companheiros de quarto encontrados na internet, que ela acabou deixando para trás para voltar a morar com seus pais.

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Ela também tem um blog viral, um livro que deve ser lançado no mês que vem e um acordo pendente com uma empresa de produção para desenvolver uma série de televisão.

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Emma Koenig, blogueira de sucesso, posa para foto em seu quarto na casa dos pais em Glen Ridge, N.J. (17/07)

É difícil ser uma mulher de 20 e poucos anos no terceiro milênio. De fato, o mercado de trabalho está péssimo. E o sexo é verdadeiramente humilhante, embora existente, algo que Nora Ephron descreveu em 1972 de "masoquismo desenfreado" das jovens modernas mulheres, algo persistente desde Mary McCarthy até Rona Jaffe, de Helen Fielding a Lena Dunham (por que isso não mudou até hoje permanece um mistério).

E foi assim que Emma, assim como suas precursoras, canalizou tudo isso em uma forma literária contemporânea - no caso dela, um Tumblr. Embora o título contenha uma popular e vulgar interjeição em inglês – “Fuck! I’m in my twenties” ou “Caramba! Estou nos meus 20 e poucos anos” –, a página não deixa de ser um olhar doce, porém obscuro, de uma fase da vida, algo parecido com a série "Girls" da HBO, mas um pouco mais debilitada.

Assim como os rabiscos do caderno de uma aluna do primário, seu blog é desenhado à mão, seus comentários são escritos dentro de balões e ela faz fluxogramas e pictogramas. "Então, você voltou a morar com seus pais? Como é que vai essa vida?" é um começo típico de uma publicação em seu blog.

"Bem, tenho assistindo a série 'Breaking Bad' de pijamas no meu quarto de infância. Comecei há duas semanas atrás e já estou no meio da quarta temporada! Então, dá para ver que estou sendo super produtiva!"

Seu livro será lançado no próximo mês pela editora Chronicle Books e será vendido na loja Urban Outfitters, uma loja cujo público alvo é o jovem de vinte e poucos anos.

A editora Chronicle ofereceu a Emma um contrato para escrever seu livro e um adiantamento de US$ 10 mil depois que alguns dos editores mais jovens de lá se apaixonaram por seu blog. Ela vinha desfrutando de certa fama durante alguns meses, em parte porque o jornal The Huffington Post tinha incluído seu blog em um artigo intitulado "Sete sites que você deveria estar visitando neste exato momento”.

Koenig disse que eventualmente você se pergunta o que significa ser bem sucedido? "É ganhar dinheiro?", perguntou ela. "É ter um monte de leitores e fãs? É fazer o trabalho que eu gosto ou apenas ganhar o suficiente para sobreviver cada semana?"

Ela ainda lembra do olhar no rosto do gerente da loja de sanduíches em que trabalhou no East Village quando lhe disse que precisava de uma licença para escrever seu livro e que para isso voltaria a morar na casa de seus pais em Nova Jersey. "Ele disse, 'OK, vai nessa", disse.

Mas isto foi apenas uma medida temporária. Ela acabou de alugar um apartamento em Los Angeles, para onde se mudou com o novo namorado

Família

Bobby Bass, a mãe, é psicoterapeuta, e Robin Koenig, o pai, é um figurinista de televisão e cinema. Bobby e sua filha são próximas, então as suas ressacas e namoros descritos no livro não foram nenhuma surpresa para a família.

"Estava mais preocupada com a bebida do que o sexo", disse Bass. "No fundo queria que tudo aquilo nada mais fosse do que um exagero para contar uma história.”

Emma sorriu. "É tudo verdade, mas passa por um certo filtro”, ela disse. “Não é como se eu estivesse bebendo todo dia e transando com estranhos toda hora."

Voltando a atual condição financeira de Emma, seus pais a entendem e tentam apoiá-la o máximo possível.

Robin Koenig, 61, e Bass, 62, lembraram de suas situações econômicas após terem se formado de suas faculdades na década de 1970, quando ela vivia em um pequeno loft apertado em TriBeCa e ele alugava um quarto no bairro do Upper West Side por cerca de US$ 100.

O que aconteceu desde então não é surpresa, mas mesmo assim os números são ainda bastante chocantes. Considere os dados compilados por Max Weselcouch, um analista de pesquisa do Centro Furman de Imóveis e Política Urbana, a pedido deste repórter. Em Nova York, de 1970 a 2010 (o ano mais recente para o qual existem dados disponíveis), o aluguel médio aumentou em 75%, enquanto o rendimento médio permaneceu estagnado (após o ajuste da inflação). Além disso, em 2010, 54 % dos nova-iorquinos gastaram mais de 30% de sua renda com aluguel, em comparação a apenas 28,5 % dos nova-iorquinos em 1970.

Muitos jovens como Koenig se sentem perdidos e sem muita direção, um mal que aparentemente aflige sua geração.

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Enquanto estas são tendências que estiveram em constante mudança há duas décadas, elas atingiram seu pico, disse Meg Jay, uma psicóloga que trata jovens de 20 e poucos anos. Seu novo livro, "A Década da Definição: Por que seus vinte e poucos anos importam - e como aproveitá-los", prega um tipo de postura mais rígida em uma série de relatos que ilustram decisões profissionais e relacionamentos.

Emma disse que ainda está perplexa pela maneira como sua frustração com sua carreira e sua vida amorosa realmente ajudou sua carreira e sua vida amorosa." Agora que ela tem um trabalho estável e consegue pagar por moradia novamente (o seu novo aluguel é de US$ 500 e ela consegue pagar por ele sozinha), ela deve estar se sentindo menos ansiosa, né?

Errado. Emma disse que vem se sentindo aterrorizada ultimamente por ter de dirigir nas principais vias da cidade.

Por Penelope Green

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