Com Jogos Olímpicos, Londres oferece proposta diferente de souvenires

Peças foram concebidas por artistas do leste da metrópole, região considerada caldeirão cultural e onde Parque Olímpico está localizado

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Entre a celebração do Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth 2ª em junho e os Jogos Olímpicos que começaram na sexta-feira, este foi um ano marcante para os colecionadores de itens britânicos.

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Por mais ou menos US$16, pode-se comprar um molde de gelatina para sobremesa em forma da cabeça da rainha Elizabeth 2ª. Por cerca de US$ 2.440 você pode ter em seu quarto um colchão do jubileu feito à mão com a estampa da bandeira da Inglaterra. E por cerca US$ 40,5 mil, ou a melhor oferta no eBay, você pode equipar sua sala de estar com uma tocha "oficial" dos Jogos Olímpicos de Londres transportada por um dos 8 mil corredores nas semanas que antecederam os jogos.

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Miniatura do pub The Blind Beggar está entre os souvenires criados para os Jogos Olímpicos

Existem também os souvenires produzidos em massa que fazem parte da indústria de lembranças dos Jogos Olímpicos de Londres que devem gerar quase US$ 1,5 bilhão, vendendo desde bandeiras da Inglaterra até versões de pelúcia do mascote da Olimpíada, conhecido como Wenlock, uma criatura de formato curioso que se assemelha a um Teletuby ciclope.

Não dá para distingui-los quando estão amontoados nas bancas de Londres, mas alguns dos projetos mais memoráveis produzidos são, de fato, souvenires baratos. Eles são os objetos encomendados pela Create, uma organização de artes de Londres que pediu que cinco designers sugerissem alternativas para as lembranças de má qualidade, muitas vezes feitas no exterior, que inundaram o país.

Todas elas foram concebidas por artistas do leste de Londres onde o Parque Olímpico está localizado em um pedaço de terra um pouco maior que o Hyde Park. O diretor da Create, Hadrian Garrard, disse que essa região é um dos “maiores caldeirões culturais” da cidade devido à forte presença de quase 13 mil artistas que vivem ali.

O briefing do projeto estipulava que os designers tinham de viver ou trabalhar no leste de Londres. Também era necessário que as lembranças tivessem uma proposta "inteligente, útil e fossem bem desenhadas," assim como "criativas, envolventes e ambientalmente sustentáveis."

E assim o disco de vinil de 10 polegadas de Dominic Wilcox preserva os sons de trabalhadores em 21 locais no leste de Londres, desde trabalhadores que curam salmão até fabricantes de óculos. (Wilcox escolheu esse formato em vez de um arquivo em MP3 "pois esse projeto trata de algo concreto", disse ele. "Ao tocar um vinil, você consegue enxergar a agulha andando conforme a faixa é tocada, você pode segurá-lo em suas mãos.")

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Colchão comemorativo marca o Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth 2ª

As criações são importantes pois cumprem com o objetivo de um souvenir, ao capturar o espírito de um local e momento. No entanto, eles não são como as canecas ou camisetas que coletamos como lembranças de ocasiões históricas, próteses que precisamos para nos lembrar de certas ocasiões. Em vez disso, eles nos obrigam a considerar o que realmente significam, e se vale a pena o ato de eventualmente deixá-los em nossas prateleiras acumulando pó.

Produção

Hoje, a maioria dos souvenires são objetos de massa baratos produzidos na Ásia. De acordo com o Daily Mail, apenas 9% dos 194 souvenires oferecidos no website de Londres 2012 foram fabricados em fevereiro na Grã-Bretanha e 62 % foram feitos na China.

Mas os souvenires também podem ser itens caros de qualidade duradoura, como o jogo de chá do Jubileu de Diamante, que é vendido por US$ 930.

Existem também as bandeiras inglesas mais tradicionais e aquele molde feito pela designer britânica Lydia Leith, que faz uma bela gelatina no formato da cabeça da Rainha Elizabeth.

Os objetos da Create procuram ocupar uma categoria completamente diferente. Eles poderiam até ser chamados de preciosos pois são souvenires feitos artesanalmente e produzidos localmente em pequenos lotes, como uma mizuna cuidadosamente criada por um agricultor de produtos orgânicos. Só que eles têm idéias sólidas e formas e, ao contrário de verduras gourmet, têm preços razoáveis: por US$ 16 você compra livros de exercícios da designer Donna Wilson, e por US$ 23 você pode ter os broches com gírias cockney do designer Ed Carpenter. Se você realmente quer gastar em algo diferente, você pode comprar o pub miniatura feito de porcelana pelo designer Barnarby Barford por cerca de US$ 117. (Os itens estão disponíveis no site teo-theo.com.)

Thorsten van Elten, um fabricante de mobiliário e acessórios que supervisionou a concepção e produção dos souvenires da Create, explicou: "Nós não queríamos que eles tivessem um tom muito irônico." Os objetos têm "mais a ver com a história e a tradição do leste de Londres, que infelizmente ficou esquecida."

Em outras palavras, disse Wilson: "Eles tinham de ser souvenires viáveis."

Os objetos são destinados a um público amplo, e é por isso que também têm preços acessíveis.

Mas, apesar dos preços modestos, esses produtos foram feitos para durar. O projeto reconhece que muitos souvenires não duram tanto tempo ou até mesmo que as pessoas não costumam guardá-los quando se deparam com uma questão de espaço ou mudança.

Sensações

Mas, mesmo assim, os souvenires costumam representar um momento. Podendo ser mais do que apenas dispositivos para se recordar de certas memórias, elas trazem de volta a intensidade de certos sons, cheiros e emoções. Você pode abri-los como um frasco de perfume e reviver o passado. Não é à toa que peregrinos da Idade Média os consideravam milagres que traziam de volta memórias maravilhosas - ou que os executivos modernos de branding dariam tudo para poder criar nem que fosse um grão de milho que tivesse esse tipo de efeito sobre as pessoas

Muitas vezes, no entanto, a magia desaparece. O fio entre a lembrança e a experiência se rompe. As pessoas acabam se cansando da piada dos Wills e o chá comemorativo da princesa Kate. Ou acabam se dando conta de que não há nada de especial em ter um ônibus vermelho miniatura de dois andares que milhões de outros turistas também possuem.

Um objeto atraente, útil, que tem uma história por trás, mas que também permite espaço para que seu colecionador possa ter suas próprias associações, tem uma melhor chance de resistir. No fim do dia, pode valer a pena tê-lo.

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Prato feito para Jogos Olímpicos mostra elementos de Londres

*Por Julie Lasky

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