Temores econômicos prejudicam Obama na eleição, diz pesquisa

Levantamento indica que 55% dos eleitores desaprovam a política do presidente para a economia, contra apenas 39% que aprovam

The New York Times |

O declínio da confiança nas perspectivas econômicas dos Estados Unidos parece ser a mais poderosa força a influenciar os eleitores americanos à medida que a disputa presidencial se torna mais acirrada. Essa força diminui o apoio de áreas-chave ao presidente Barack Obama e ajuda seu rival, Mitt Romney, de acordo com a mais recente pesquisa The New York Times/CBS News

Apesar de meses de publicidade negativa por parte de Obama e seus aliados democratas para definir Romney como um candidato distante da classe média e representante dos interesses dos ricos, a pesquisa mostra que não houve mudança substancial nas opiniões do eleitorado sobre Romney.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participa de evento de campanha em Austin, no Texas (17/07)

Mas com a baixa taxa de empregos e o presidente do Federal Reserve (Banco Central americano) Ben S. Bernanke perguntando em voz alta se o mercado de trabalho está "atolado na lama", a pesquisa mostrou que houve mudança significativa nas opiniões sobre a forma como Obama vem lidando com a economia, com 39% dizendo que aprovam a postura do presidente e 55 % dizendo que não concordam com o que ele tem feito.

No levantamento realizado em abril, quando a economia parecia estar melhorando, 44% aprovavam e 48% desaprovavam.

A nova pesquisa mostra que a disputa permanece empatada, apesar de todas as conversas em Washington sugerirem que a campanha de Romney pareceu estar fora de forma diante dos ataques a sua gestão da Bain Capital e sua recusa em detalhar sua declaração de imposto de renda. Cerca de 45% disseram que votariam em Romney se a eleição fosse hoje e 43% disseram que votariam em Obama.

Quando os eleitores indecisos que se inclinam na direção de um candidato em particular são agregados à pesquisa, Romney tem 47% e Obama, 46%.

Ambos os resultados estão dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Mas é a primeira vez que Romney tem mostrado uma vantagem numérica na pesquisa do The New York Times/CBS desde que emergiu das primárias como o candidato republicano. Obama tinha uma vantagem de 3 pontos em março.

A pesquisa, realizada entre os dias 11 e 16 de julho, incluiu 982 eleitores registrados e é o reflexo do clima nacional e não das opiniões dos eleitores nos Estados decisivos - e onde a maioria da guerra publicitária da campanha está sendo realizada.

Algumas pesquisas sugerem que os ataques estão afetando a percepção em alguns Estados decisivos. Por exemplo, levantamentos realizados no mês passado pela Universidade de Quinnipiac em Ohio e na Pensilvânia - onde milhões de dólares em propaganda televisiva estão sendo gastos - mostraram Obama à frente de Romney.

Apesar disso, a pesquisa The New York Times/CBS ressalta uma tendência nacional na qual a economia continua sendo a força dominante na campanha, independentemente dos acontecimentos externos, como a decisão da Suprema Corte sobre a lei da reforma de saúde de Obama ou os acontecimentos diários da campanha presidencial.

Diferentemente da pesquisa do Times /CBS de abril, mais americanos disseram que desaprovam a maneira como Obama vem fazendo seu trabalho (46%) do que aprovam (44%), embora a diferença esteja dentro da margem de erro.

No entanto, existe esperança para Obama, que é visto nesta pesquisa como o defensor da classe média. Por exemplo, pouco mais da metade dos eleitores disseram que suas políticas estavam melhorando o quadro econômico hoje (17 %) ou que o melhorariam no futuro (34 %).

E ele ainda possui uma vantagem sobre Romney quando a pergunta é se ele se preocupa com os problemas rotineiros dos americanos - 63% disseram que sim, em comparação com 55 % que disseram o mesmo de Romney.

Romney também tem alguns desafios para enfrentar, com a pesquisa mostrando que ele ainda precisa construir uma imagem positiva à medida que Obama busca construir uma negativa para ele.

Enquanto mais da metade dos eleitores de Obama disseram que o apoiam fortemente, menos de um terço disse o mesmo a respeito de Romney. Mais de um terço de seus eleitores disseram votar nele por causa de sua antipatia por Obama, enquanto menos de 10 % dos apoiadores de Obama disseram votar nele por não gostar de Romney.

Romney continua sendo perseguido pela noção de que está distante da classe média. Mais da metade dos eleitores disseram que suas políticas favoreceriam os ricos.

Quando questionados sobre qual candidato eles acreditavam que faria um trabalho melhor ao lidar com a economia e o desemprego, 49 % disseram Romney e 41 % disseram Obama.

A queda nos índices econômicos de aprovação de Obama é consistente com uma queda no percentual de americanos que acreditam que a economia está melhorando. Enquanto 33% disseram ter visto melhora em abril, 24% disseram enxergar melhoria hoje.

Quase metade dos eleitores disse que a situação econômica atual é resultado das políticas do antecessor de Obama, George W. Bush - que a maioria dos eleitores acredita que Romney irá resgatar.

Por Jim Rutenberg e Marjorie Connelly

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