Leis mais rígidas de identificação de eleitores criam disputas nos EUA

Partidários dizem que maior exigência quanto a documentos de votação ajuda a prevenir fraudes, enquanto opositores temem marginalização de minorias

The New York Times |

Há quatro anos, Viviette Applewhite, hoje com 93 anos, estava a caminho de um supermercado na Filadélfia quando um ladrão passou correndo e levou sua bolsa. Ex-faxineira de hotel, Viviette, que nunca teve carteira de motorista, também se viu sem seu cartão da Previdência Social. Adotada e casada duas vezes, ela teve diversas mudanças em seu nome ao longo dos anos, dificultando a obtenção de novos documentos.

Como a Pensilvânia, onde mora, exige que os eleitores apresentem um documento com foto certificado pelo Estado, em novembro Viviette, uma partidária do presidente Barack Obama, poderá não votar pela primeira vez em décadas.

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Viviette Applewhite, que teve documentos roubados e pode não votar este ano (11/07)

Enfurecida e estimulada por grupos liberais, Viviette e outras pessoas nesta situação estão processando o Estado em um caso que poderá afetar milhares de eleitores ao redor de todo o país nas eleições presidenciais de novembro.

"Eles estão tentando impedir os negros de votar para que Obama não seja reeleito", disse Viviette, refletindo um sentimento comum entre aqueles que se opõem à lei. "É isso que está acontecendo."

Na semana passada, o Estado do Texas levou o governo Obama a um tribunal federal por ter bloqueado uma lei de identificação do eleitor alegando que o texto tinha base em discriminação racial. Na Flórida, autoridades tiveram sucesso em um processo que exigia acesso a um banco de dados federal de não cidadãos, na esperança de eliminá-los das listas de eleitores - uma ação que muitos outros Estados pretendem imitar.

Os defensores disseram que a lei não tem nada a ver com a supressão dos eleitores e lida com algo completamente diferente: a necessidade de garantir a integridade das eleições, impedindo fraudes e melhorando a confiança pública no processo em uma época em que a identificação fotográfica é rotina para coisas básicas, como viagens aéreas.

Trinta e três Estados já aprovaram leis que exigem identificação para votar. Cinco deles - Pensilvânia, Indiana, Kansas, Tennessee e Georgia - possuem o que são chamados de requisitos rigorosos de identificação fotográfica, ou seja, os eleitores devem apresentar tipos específicos de documentos com foto antes de votar.

Seis Estados - Michigan, Dakota do Sul, Idaho, Louisiana, Havaí e Flórida - têm exigências menos rigorosas, ou seja, os eleitores podem simplesmente assinar declarações ou ter mesários que os reconheçam para confirmar suas identidades.

O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric H. Holder Jr., disse na semana passada que, embora 8% dos brancos não tenham o tipo de documentação que seria exigida pela lei eleitoral do Texas, o percentual entre os negros é três vezes superior.

Por Ethan Bronner

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