Por dentro da busca de Mitt Romney por um vice-presidente

Equipe do candidato republicano à presidência dos EUA tenta evitar decisões apressadas e arriscadas como a de John McCain, que escolheu Sarah Palin

The New York Times |

Assessores de Mitt Romney analisam com frequência vídeos de potenciais candidatos a vice-presidente, estudando centenas de horas de participações em programas dominicais, debates e discursos para ver como lidam com perguntas indesejáveis ou provocadoras.

Eles instruíram os possíveis candidatos a vice a preencher um questionário com cerca de 80 perguntas detalhadas e até mesmo um pouco intrusivas até spbre sua vida financeira e pessoal - uma das mais curiosas é: "Você já foi infiel?"

Eles também observaram com cuidado características de sua fala que sejam subjetivas, mas potentes, como: "Seu estilo de falar é convidativo ou lento?"

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NYT
O candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney, discursa em Bowling Green, Ohio (18/07)

A campanha de Romney tem envolvido a sua análise dos possíveis candidatos vice- presidenciais em camadas de sigilo, tanto que considera usar dois aviões diferentes com destinos diferentes, por exemplo, para manter a seleção em total segredo - sem perigo de que seja divulgada publicamente antes do tempo.

Mas à medida que Romney se prepara para revelar sua escolha, entrevistas com pessoas de dentro e fora de sua campanha oferecem um vislumbre sobre a profundidade deste processo de três meses além do intenso lobby que Romney tem enfrentado por parte de doadores, atuantes e autoridades eleitas que tentam influenciar a sua escolha (Karl Rove e o senador Mitch McConnell, por exemplo, recomendaram o senador Marco Rubio).

Os possíveis eleitos para vice de Romney entregaram pilhas de documentos para seu comitê de campanha e provavelmente já se abriram a um nível de escrutínio maior que o próprio candidato, especialmente sobre a delicada questão dos impostos. Romney disse que irá divulgar suas declarações dos últimos dois anos até o dia da eleição, muito menos do que as 23 declarações que entregou ao senador John McCain para ser considerado para ser seu vice em 2008.

Essa meticulosidade, segundo assessores do candidato, existe especificamente para evitar o tipo de seleção apressada e arriscada que John McCain fez ao escolher Sarah Palin - que em última análise acabou lhe custando a eleição, uma escolha que surpreendeu Romney tanto quanto qualquer outro americano.

É provável que Romney revele sua escolha ainda esta semana ou depois de voltar de uma viagem ao exterior na primeira semana de agosto, de acordo com pessoas próximas a ele. Seu comitê de campanha já começou a esboçar a possível encenação de um anúncio nacional sobre a vice-presidência.

Para os potenciais candidatos a vice-presidente, o processo de seleção começou com um telefonema de Romney, seguido pouco depois por outra ligação feita por Beth Myers, uma confidente de longa data do republicano que está supervisionando a pesquisa. Os candidatos preencheram um formulário autorizando a liberação de documentos e a verificação de quaisquer informações financeiras. Uma equipe de advogados é responsável por avaliar cada candidato em potencial.

Muitas pessoas estão envolvidas neste processo, mas a pesquisa é feita por equipes separadas, de modo que apenas Myers e Romney têm acesso ao processo como um todo.

No final de cada dia, documentos confidenciais (declarações de impostos, registros e documentos de investimentos imobiliários) são devolvidos a um cofre dentro na sede da campanha de Romney, em Boston.

O questionário mergulha profundamente na vida pessoal e profissional do potencial candidato, seu cônjuge, ex-cônjuges e membros imediatos de sua família. A rodada inicial das papeladas é seguida por reuniões com advogados da campanha, algumas delas realizadas pessoalmente.

Determinados a evitar as frustrações e tensões do passado, os membros da equipe de Romney está tomando medidas para garantir que o futuro vice-presidente - e os membros de sua equipe - trabalhem como uma verdadeira extensão de sua campanha presidencial e não como uma operação política autônoma. Em conversas com os doadores, apoiadores e até mesmo membros da equipe de sua campanha, foi compilada uma lista de possíveis escolhas: Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, e o senador Rob Portman, de Ohio, como os dois principais candidatos, e o governador Bobby Jindal, da Louisiana, e Paul D. Ryan do Wisconsin como os candidatos menos prováveis. Condoleezza Rice, a ex-secretária de Estado, é considerada uma possibilidade menor, embora a mulher de Romney, Ann, já tenha expressado admiração por ela.

Romney, sua mulher e alguns de seus filhos passaram uma parte de seu tempo com os candidatos, destacando o papel crucial de sentirem-se pessoalmente satisfeitos com a decisão, disseram seus conselheiros.

A ligação pessoal com o candidato, de acordo com pessoas próximas à campanha, é um elemento fundamental. Pawlenty e Romney, ambos eleitos em 2002, serviram juntos como governadores republicanos. Em 2008, os dois homens acabaram na lista de possíveis candidatos à vice-presidência de McCain: Pawlenty achava que Romney seria o escolhido, enquanto Romney pensava que Pawlenty conquistaria a honra. Eles se uniram quando a vaga foi concedida a Palin.

Depois que Pawlenty desistiu da corrida presidencial de 2012, a equipe de Romney ajudou a quitar sua dívida de campanha de mais de US$ 400 mil - muitos conselheiros fizeram contribuições pessoais - e Pawlenty, 51, passou meses viajando pelo país em nome de Romney.

Portman, por sua vez, tem ligações com muitos assessores próximos a Romney. Russ Schriefer e Stuart Stevens, os principais estrategistas e publicitários da campanha, ajudaram na disputa bem sucedida para o Senado de Portman em 2010, e Portman, 56, também tem fortes laços com Ron Kaufman, um assessor de alto escalão de Romney.

Nos eventos de captação de recursos, Romney tem oferecido um amplo esboço das qualidades que ele está procurando, incluindo: ser capaz de começar a trabalhar no primeiro dia de seu cargo; ser capaz de sobreviver a introdução inicial sem quaisquer constrangimentos e ser alguém que ele considera seu amigo.

Em uma recente entrevista com a rede de notícias CBS, sua mulher ofereceu uma visão um pouco mais profunda.

"Alguém vai ter de estar lá ao lado de Mitt", disse ela. "Alguém com o mesmo tipo de personalidade que ele, que goste de passar tempo com ele e que também seja competente, capaz e disposto a servir a este país."

Por Ashley Parker e Michael Barbaro

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