Primavera Árabe aumenta busca por negócios no Oriente Médio

Apesar da instabilidade política, empresas estrangeiras correm para aproveitar oportunidades em países como Egito e Líbia

The New York Times |

Mais de um ano se passou desde a Primavera Árabe , o nome dado para as revoluções que varreram o Oriente Médio. As mudanças políticas e econômicas fecharam algumas portas e abriram outras para os empresários dispostos a enfrentar o risco.

"Tenho visto uma nova leva de atividades resultantes da Primavera Árabe que simplesmente não existiam antes", disse Naava Mashiah, uma israelense que é a chefe-executiva da Middle East Links, uma empresa de consultoria que disse que trabalha "para nutrir relações econômicas entre Israel e outros lugares".

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Marshall Stocker, analista financeiro que trabalha para empresa americana, é visto na Praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito (26/06)


Mashiah, que trabalha em Genebra, disse que grande parte da sua atividade está na diplomacia e em reuniões informais de desenvolvimento, muitas vezes coordenadas com grupos de direitos humanos e organizações não-governamentais. Ela disse que ajuda clientes a desenvolver contatos em locais como Tunísia, Catar, Egito e Líbia.

Ela descreveu este tipo de atividade e potencial como algo semelhante ao Acordo de Oslo de 1993 entre Israel e os palestinos, que desencadeou um rápido crescimento econômico.

Chuck Dittrich, diretor-executivo da Associação de Negócios Estados Unidos-Líbia, disse que achava que os empresários americanos precisavam "ir para lá e sentir um pouco do ambiente", mesmo que não pareça um local com potencial produtivo imediato.

Dittrich disse que os membros da associação se reuniram com executivos e oficiais do governo líbio e que eles "não estavam lá para vender, mas sim para desenvolver relações, à medida que fazem seu processo de planejamento e decidem qual mercado irão explorar." Ele mencionou que o comércio da Líbia demonstra boas oportunidades no setor de petróleo, desenvolvimento de transportes e infraestrutura, saúde e educação.

Dittrich disse que a economia da Líbia começou a ser liberalizada em 2005, quando Muamar Kadafi , então presidente do país, começou a cortejar o Ocidente. De um ponto de vista comercial, disse ele, isso "é uma perspectiva positiva", acrescentando: "Os ingredientes estão todos lá para que possam ser utilizados e fazer dar certo."

As empresas americanas que demorarem muito, temendo os riscos, podem ser deixadas para trás, disse. Dittrich afirmou que em abril seu grupo foi "a primeira organização de negócios americana a visitar Trípoli desde o conflito." Mas, disse ele, "as delegações turcas e europeias estavam lá desde os primeiros dias".

Mas um viajante de negócios que decidir ficar na região tem que se preparar para lidar com as características de um país em meio a mudanças. Marshall L. Stocker, um analista financeiro da gerenciadora de fundos de cobertura de Boston Emergent Property Advisors mudou-se para o Cairo em junho de 2010 e saiu de lá temporariamente após os protestos em massa, que começaram no dia 25 de janeiro de 2011.

"No Egito os celulares não funcionavam e a Internet estava fora do ar. Obviamente não dava para fazer nenhum negócio. Eu estava ilhado no meu apartamento", disse, acrescentando: "Fui para o aeroporto com passagens para três voos diferentes", que sua mulher tinha arranjado para ele dos Estados Unidos.

Stocker retornou em fevereiro de 2011, depois que Hosni Mubarak renunciou ao cargo de presidente. Apesar das interrupções, segundo ele, o Egito apresenta boas oportunidades de negócios.

"Agora é um ótimo momento para comprar bens", disse. "Conceitualmente, e na prática, aqui o valor dos bens está caindo."

Ele disse que sua empresa estava interessada no Egito pela direção que o mundo de negócios do país estava tomando.

"Uma das coisas que nos atraiu para o Egito foi o fato de que o Banco Mundial melhorou a sua pontuação na "facilidade de fazer negócios”, disse. "O Egito tornou-se mais acolhedor para se fazer investimentos. De 2004 a 2007, teve a maior melhoria em 'facilidade de fazer negócios' do que qualquer outro país do mundo."

Embora as coisas tenham se estabilizado, ele disse estar preparado para lidar com emergências. "Como resultado da Primavera Árabe, comprei seguro de evacuação política e tenho um telefone via satélite", disse.

A Primavera Árabe também afetou os padrões dos voos regionais, especialmente entre o Egito e Israel, onde voos diretos saíam quase diariamente ligando Tel Aviv ao Cairo. A companhia aérea israelense El Al hoje voa uma vez por mês para o Egito e a companhia egípcia Air Sinai frequentemente cancela voos para Israel.

Sem voos diretos entre os Estados Unidos e a Líbia, Dittrich disse que seu grupo precisou fazer conexões em outros países, incluindo Alemanha, Itália e Turquia, para chegar a Trípoli. Uma vez lá, ele disse, conexões internas pela companhia aérea da Líbia, Buraq Air, sempre funcionam “na hora, têm bons preços e usam novos aviões da Boeing."

Aqueles com experiência em regiões conturbadas ou em desenvolvimento não irão se preocupar com nenhum destes fatores. Mashiah, a consultora israelense, disse: "Se você tem medo de tempos turbulentos, então este não é o lugar para você."

Ela acrescentou: "Quanto maior o risco, mais oportunidades irão surgir."

"Há um risco para pessoas de negócios que esperam cinco anos para fazer alguma coisa, mas alguns são mais rápidos e conseguem se aproveitar das oportunidades, como fizeram no Iraque", disse. "E estão colhendo os lucros."

Por Michael T. Luongo

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