Centro Smith, que custou US$ 470 milhões e levou 33 meses para ser construído, busca atrair não apenas turistas, mas também moradores da cidade badalada

Ele fica a quase 3 quilômetros de distância da agitação da Strip: um redemoinho de mármore italiano e veneziano e calcário indiano cobertos por um campanário de 16 andares com 47 sinos de bronze. Há um palco projetado acusticamente para orquestras e shows da Broadway, um aglomerado de grandes balcões feitos de madeira com vistas deslumbrantes para o deserto e toques de decoração e arquitetura Art Deco que pretende lembrar um dos últimos projetos mais ambiciosos de engenharia no deserto de Nevada: a Barragem Hoover.

Leia também: Museu de Las Vegas presta homenagem a mafiosos

Quando o Centro Smith de Artes Performáticas foi inaugurado em Las Vegas, em março, Jennifer Hudson estava no programa e Neil Patrick Harris foi o mestre de cerimônias. Mas foi Joshua Bell, o violinista clássico que arrancou mais aplausos da plateia, que aclamou o que parecia um momento histórico para uma cidade que tem como referência cultural Liberace e não Liszt.

Imponente lobby do Centro Smith, em Las Vegas
NYT
Imponente lobby do Centro Smith, em Las Vegas

Por mais de 25 anos, Las Vegas tem reivindicado o título de a capital americana do entretenimento. Mas a cidade sempre apresentou um tipo muito específico de entretenimento - apresentações elaboradas e voltadas para a venda de ingressos e o entretenimento de massa com artistas como Cirque du Soleil, Elton John, Celine Dion e Siegfried & Roy. Todos os seus shows tem sido destinados a um público muito específico: turistas que vêm para a cidade conhecer a Strip e não os moradores da cidade.

Las Vegas teve a distinção indesejada de ser a maior cidade do país sem um grande centro de artes. Em 2010, o jornal The Daily Beast a nomeou como a mais burra das 55 grandes cidades dos Estados Unidos.

Concepção

O Centro Smith, com sua grande presença arquitetônica - muito de acordo com o espírito “nada é tão extravagante” de Las Vegas - está tentando mudar isso. O centro custou US$ 470 milhões e levou 33 meses para ser construído. Uma delegação de líderes cívicos de Las Vegas visitou salas de concertos ao redor do mundo - La Scala em Milão, Ópera em Budapeste, Carnegie Hall em Nova York - em busca de inspiração e então concebeu a sala de seus sonhos em um terreno de 2 hectares.

Três meses atrás, os fãs de música clássica, dança e teatro tinham de ir até Los Angeles, Salt Lake City ou Filadélfia ou esperar por concertos que eventualmente são realizados na Universidade de Nevada, em Las Vegas.

"Muitas pessoas simplesmente disseram: 'Não quero tocar em Las Vegas', muito embora estivessem na região", disse Martin, que já trabalhou no centro de performances da Universidade de Nevada.

O Centro Smith abriu suas portas com um calendário diversificado, que incluiu a Academy of St. Martin in the Fields, o Alvin Ailey American Dance Theater, a Preservation Hall Jazz Band e famosos shows da Broadway como "Wicked". Noite após noite, quase todo os 2.050 lugares da sala principal de cinco níveis foram ocupados.

Oscar Goodman, ex-prefeito da cidade e um grande entusiasta do projeto, disse que o Centro Smith trouxe uma nova era de sofisticação para Las Vegas, porém, segundo ele, o processo não foi um mar de rosas.

"Talvez ainda não estejamos tão sofisticados quanto poderíamos estar", disse Goodman. "Algumas pessoas ficaram tão maravilhadas com a performance de Joshua Bell que aplaudiram antes de ele acabar sua apresentação. Isso foi visto com desdém por alguns aficionados, mas da próxima vez isso não irá acontecer."

A primeira contratação do Centro Smith não foi o arquiteto, mas uma empresa de engenharia acústica. E foi altamente reconhecido: o desempenho da Orquestra de Cleveland de um programa de Beethoven e Drew Smetana foi muito bem recebido, de acordo com um comentário do crítico de música do The Cleveland Plain Dealer. Ele escreveu o seguinte título: "Orquestra de Cleveland acerta em cheio em sua apresentação no novo Centro Smith de Las Vegas".

Centro Smith busca conquistar não apenas turistas mas também residentes de Las Vegas
NYT
Centro Smith busca conquistar não apenas turistas mas também residentes de Las Vegas

Donald D. Snyder, presidente do conselho administrativo do centro, disse que desde o início a ambição era de construir um salão que pudesse rivalizar com a Represa Hoover como "o mais importante projeto construído em Nevada."

"Quando começamos a falar sobre isso, há 18 anos ou mais, não acredito que nenhum de nós tinha ideia de que isso seria possível", disse.

*Por Adam Nagourney

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.