Desemprego pode afetar disputa presidencial dos EUA

Enquanto especialistas alegam que opiniões de eleitores já foram solidificadas e não podem sofrer influência, candidatos e campanhas usam índices e projeções para atacar adversário

The New York Times |

Os economistas estão diminuindo cada vez mais suas previsões sobre um possível crescimento da economia americana. A taxa de desemprego parece ter parado em torno de 8%. É um momento tenso para a economia dos Estados Unidos. É também um momento em que alguns especialistas acreditam que os eleitores indecisos do país estão começando a cimentar suas preferências por um candidato presidencial .

Índice: Desemprego segue forte nos EUA e estimula debate eleitoral

Por isso, muitos cientistas políticos e consultores consideram o relatório de empregos divulgado em 6 de julho , muito importante - talvez mais do que os dos três anos anteriores.

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Mitt Romney fala a eleitores em Sterling, Estado da Virgínia (27/6)

"Eu não sei se é porque os eleitores americanos são míopes ou se querem ser positivos e enxergar mais adiante", disse Andrew Gelman, diretor do Centro de Estatística Aplicada da Universidade de Columbia. "Mas eles parecem estar se preocupandos mais com a mudança que a economia pode sofrer depois das eleições do que com o estado em que economia poderá se encontrar nos primeiros quatro anos do mandato do futuro presidente eleito".

Alguns filtram esse período de maneira um pouco mais crítica, argumentando que o que acontece entre abril e outubro de um ano eleitoral faz muita diferença especialmente na mente dos eleitores.

Essa realidade política está sendo abordada por Barack Obama, Mitt Romney e suas campanhas , que têm entrado em conflito sobre o estado da economia a ponto de deixarem de lado quase todas as outras questões relevantes.

Campanha

Romney , o candidato dos republicanos, tem centrado sua campanha na ideia de que a incompetência de Obama ao lidar com a economia desacelerou uma possível recuperação - com o desemprego em alta e a taxa de crescimento de empregos muito lenta.

Obama respondeu apontando para os negócios de Romney na Bain Capital e dizendo que tal atitude resume a filosofia "lucro a qualquer custo" que cortou os empregos da classe média. Quanto ao seu próprio mérito, ele argumentou que ao incentivar o programa de estímulo do Congresso em 2009, ajudou a economia a se recuperar e que sem ele a nação estaria em dificuldades econômicas ainda piores.

"Ao longo da história, alguns países demoraram até 10 anos para se recuperar de crises financeiras dessa magnitude", disse Obama recentemente, observando as recessões prolongadas que atingiram a Europa. Ele acrescentou: "Nossa economia começou a crescer novamente seis meses depois de eu tomar posse e continuou crescendo nos últimos três anos."

Steve Schmidt, gerente da campanha presidencial do senador John McCain em 2008, disse que as opiniões dos eleitores a respeito da economia já se solidificaram e que não serão muito influenciadas por novos números sobre empregos, como o do relatório divulgado na semana passada.

"O jogo já está em grande parte definido", disse Schmidt. "Eles acreditam que a economia está muito ruim. Eles estão pessimistas e ansiosos. A campanha que ganhará será a campanha que conseguir lidar melhor com esta ansiedade. O argumento utilizado deve confortar os eleitores."

Até agora, acrescentou, as pesquisas mostram que Obama conseguiu conquistar eleitores em Estados-chave, com seus ataques sobre as prioridades de Romney, suas finanças e seu histórico na Bain. Mas Romney terá muitas oportunidades para vender suas ideias sobre o crescimento econômico este ano.

"Os argumentos que as campanhas exporão em julho e agosto serão em grande parte inéditos para as pessoas que irão decidir a eleição", disse Schmidt. "Ambos os lados irão demarcar seus principais argumentos nos próximos meses."

Argumentos

Além disso, os prováveis argumentos que devem definir a eleição não virão dos candidatos diretamente, mas de colegas e conhecidos de eleitores indecisos - que os estrategistas da campanha consideram como os mensageiros mais convincentes. "As duas campanhas terão um programa operacional de alcance extraordinariamente sofisticado", disse Schmidt. "Se você é um professor indeciso, receberá telefonemas de outros professores", assim como mensagens de amigos no Facebook e seguidores no Twitter.

AP
Obama faz campanha em Iowa, um dos Estados-chave que podem definir disputa nos EUA (10/7)

Analistas disseram que os eleitores dão mais atenção para onde a economia está indo do que ao seu estado atual. Isso significa que um presidente que enfrentará uma situação na qual a taxa de desemprego é elevada mas está caindo pode ter uma chance maior do que um presidente que supervisiona uma taxa menor, mas crescente.

Estudos também mostram que os eleitores fazem suas decisões menos baseadas em experiências pessoais do que em um sentimento geral - artigos de notícias que falam sobre a economia nacional este ano podem ser mais influentes do que a experiência de cada eleitor ou dos negócios de um vizinho ou da dificuldade de um primo ou de um filho em conseguir emprego.

Alguns pesquisadores rejeitam a ideia de que as medidas econômicas que deverão acontecer durante o verão irão definir as escolhas dos eleitores indecisos, que tendem a se decidir muito mais tarde na disputa eleitoral.

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Mas outros afirmam que pesquisas e estudos demonstraram a influência desmedida dos dados econômicos do segundo e terceiro trimestre. "É que as mudanças econômicas demoram alguns meses para serem sentidas pelos eleitores", disse Whit Ayres, um pesquisador republicano.

Em uma tendência preocupante para a campanha de Obama, grande parte da força econômica no fim de 2011 e começo de 2012 se dissipou. Os pesquisadores esperam que o número de postos de trabalho aumente nos próximos meses. Os pontos altos na recuperação - como as exportações e a indústria de manufaturação - parecem estar enfraquecendo.

"Os eventos que acontecerem entre hoje e a eleição, e as alterações feitas nos métodos de comunicação, obviamente, acelerarão tudo", disse Ayres. "Mas os eleitores terão de ver muito mais empregos surgir em suas comunidades. E o tempo para isso acontecer está acabando."

*Por Annie Lowrey e John Harwood

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