EUA: Agência de veteranos busca adaptar capacidades militares a empregos civis

Autoridades e ativistas trabalham para diminuir a taxa de desemprego entre veteranos jovens, que têm dificuldade em adaptar habilidades adquiridas no serviço militar ao trabalho civil

The New York Times |

Malcolm Byrd deixou os Fuzileiros Navais em 2003 e encontrou trabalho primeiro em uma fábrica da General Motors e, em seguida, em um grupo sem fins lucrativos. Mas há quatro meses ele perdeu seu emprego como resultado de cortes orçamentários do governo e está procurando trabalho desde então.

Pós-guerra: De volta aos EUA, jovens veteranos enfrentam desemprego

Dizer a potenciais empregadores que foi oficial de abastecimento dos Fuzileiros Navais, que administrava milhões de dólares em capacetes e beliches dobráveis, não parece tê-lo ajudado a conseguir o emprego de gerência que está procurando há tempos.

NYT
Jovens militares em feira de empregos para veteranos em Detroit, EUA

"Eu sou capaz de administrar um armazém, mas eles não colocam isso em seu DD-214", disse Byrd, 38 anos, referindo-se aos documentos de dispensa militar que os oficiais recebem ao deixar o serviço. "Você adquire diversas habilidades no serviço militar, mas parece que as pessoas não entendem isso.”

À medida que o governo e grupos de veteranos trabalham para diminuir a taxa de desemprego entre os veteranos mais recentes, eles se deparam com um grande problema em conseguir adaptar suas habilidades adquiridas no serviço militar ao trabalho civil.

Habilidades

Em um estudo recente sobre a contratação de veteranos, pesquisadores do Centro para uma Nova Segurança Americana, uma organização de pesquisa com sede em Washington, descobriram que o principal obstáculo na contratação de veteranos foi o de como adaptar tais habilidades militares para o trabalho civil.

Em uma entrevista, o secretário de Assuntos de Veteranos Eric Shinseki disse que a maioria dos veteranos deixam o serviço militar com habilidades comercializáveis. "Mas, a menos que consigamos adaptar isso para uma linguagem compreensível para o do mundo dos negócios, será difícil para o empregador apreciar as habilidades e conhecimentos que o veterano tem para contribuir", disse.

Essas habilidades podem ser realmente difíceis de enxergar. Um oficial que se especializou em operar metralhadoras, por exemplo, pode parecer adepto apenas a desmontá-la, limpá-la e dispará-la. Mas a vida militar também o ensinou a ser adaptável, a ter uma rígida disciplina de trabalho e a trabalhar em equipe.

Muitos veteranos também já administraram outros membros do serviço, responsáveis não apenas por planejar seus dias, mas também por salvar suas vidas.

Índices

A taxa de desemprego entre os veteranos das guerras do Iraque e Afeganistão tem-se mantido acima da taxa do desemprego entre civis há vários anos: cerca de 12,7% em maio, enquanto a taxa entre os civis foi de 7,7%.

O problema é maior entre veteranos mais jovens , entre as idades de 18 a 24, cuja taxa de desemprego foi de 23,5 % em maio, 10 pontos percentuais a mais do que seus pares não veteranos.

Uma das razões para a taxa particularmente elevada é que muitos veteranos mais jovens não têm diploma universitário, em uma época na qual o mercado de trabalho está exigindo deles mais do que nunca. Alguns empregadores também manifestaram preocupações de que veteranos podem ter sido prejudicados por problemas psicológicos, como estresse pós-traumático, embora especialistas afirmem que tais preocupações são injustificadas.

Por outro lado, o estudo do Centro para uma Nova Segurança Americana descobriu que a maioria das empresas relataram querem contratar veteranos, pois, entre outras razões, são muitas vezes líderes fortes e trabalham bem dentro de um ambiente de trabalho estruturado.

*Por James Dao

    Leia tudo sobre: euamilitaresveteranosguerracivisempregosdesemprego

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG