Saída de embaixador dos EUA no Quênia reflete difícil transição da vida militar

Ex-comandantes e almirantes que ocuparam importantes cargos políticos ou diplomáticos acabaram entrando em conflito com colegas e perderam a confiança de Obama

The New York Times |

Quando J. Scott Gration, um piloto de caça condecorado que tem laços diretos com o presidente americano, Barack Obama, renunciou abruptamente na semana passada ao seu cargo como embaixador americano para o Quênia, ele se juntou ao histórico de uma comunidade frustrada: ex-comandantes militares que perderam seu cargo quando foram indicados para servir em altos postos civis no governo de Obama.

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Muitos, como o almirante da Marinha Dennis C. Blair e o ex-comandante dos Fuzileiros Navais James L. Jones, ocuparam importantes cargos políticos ou diplomáticos, entraram em conflito com colegas, alienaram as pessoas que trabalhavam para eles e, finalmente, perderam a confiança do presidente.

AP
Ex-piloto das Forças Armadas, Scott Gration deixou posto no Quênia, onde trabalhava como embaixador americano (4/7)

Gration, um general aposentado da Força Aérea que anteriormente serviu como enviado especial de Obama ao Sudão, anunciou sua renúncia na sexta-feira de 29 de junho, antes da divulgação de uma auditoria interna que criticou sua gestão.

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Como um democrata impaciente para reforçar as modestas credenciais da segurança nacional, Obama pode estar particularmente ansioso em ter “protetores” da democracia servindo em seu governo. Mas seus críticos disseram que as qualidades de Gration demonstram que as habilidades aperfeiçoadas na hierarquia militar não são necessariamente transferidas facilmente para questões civis, especialmente as diplomáticas. Sobreviver na Casa Branca, com seu ritmo frenético e diante de diversas questões políticas, pode ser ainda mais difícil.

"Seria prudente ter um diplomata talentoso sem experiência militar e colocá-lo no comando de uma unidade militar importante? É óbvio que não", disse John Norris, diretor executivo de Segurança Sustentável e Construção da Paz no Center for American Progress, think tank em Washington. "Mas, mesmo assim, ainda achamos que é uma boa ideia pegar oficiais militares de alto escalão sem praticamente nenhuma experiência diplomática e colocá-los nos principais postos diplomáticos e políticos do país."

Oficiais do governo apontam para outros ex-comandantes militares que deram certo em trabalhos civis: o tenente-general Douglas E. Lute, que aconselha Obama sobre o Afeganistão e Paquistão, e o general Eric Shinseki, secretário de Assuntos dos Veteranos. E também há David H. Petraeus, que foi comandante das guerras no Afeganistão e no Iraque e hoje é diretor da CIA, a agência de inteligência americana.

Para Blair, que serviu como diretor da inteligência nacional antes de o presidente o demitir em maio de 2010, e Jones, que foi conselheiro de segurança nacional até ser dispensado do cargo, parte do problema foi a falta de laços que tinham com a elite política de Washington e, mais especificamente, com o círculo íntimo de Obama.

"Eles estavam competindo com outros que haviam construído relacionamentos mais fortes e duradouros", disse Philip J. Crowley, oficial da Força Aérea que atuou como porta-voz do Departamento de Estado durante dois anos.

*Por Mark Landler

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