Censores ganham novo poder no Líbano

Com governo dominado por aliados do Hezbollah, a censura está cada vez mais rigorosa no país: somente neste ano, quatro novos filmes foram banidos

The New York Times |

Quando os censores do governo libanês analisaram o filme "Hotel Beirute", eles perceberam uma cena que chamou sua atenção: uma referência a um pen drive que possuía documentos sobre o assassinato do primeiro-ministro libanês Rafik Hariri , que aconteceu em 2005.

Baía de Zaitunay:  Beirute se torna refúgio em meio à caótica situação de vizinhos 

Os censores avisaram seus colegas da direção da Segurança Geral, órgão da inteligência interna do país, que exigiu que o produtor do filme entregasse a eles o pen drive utilizado.

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Em Beirute, sessão de ‘Mamnou3!’, série satírica sobre o órgão de censura no Líbano

Obviamente, a narrativa era fictícia e o pen drive nem sequer era verdadeiro. E embora no filme houvesse cenas de sexo ousadas em comparação a outros filmes libaneses, os censores acabaram proibindo sua veiculação alegando motivos de segurança nacional simplesmente por ter mencionado o assassinato de Hariri.

A cineasta Danielle Arbid disse que se mudou para a França devido a seu desgosto com o país. "Hotel Beirute", lançado no ano passado, foi seu terceiro longa-metragem banido no Líbano.

Com um novo governo dominado por aliados do Hezbollah , a censura está cada vez mais rigorosa no país. Quatro novos filmes foram banidos neste ano - um recorde para o Departamento de Mídia e Teatro, como o órgão de censura é formalmente chamado.

'Ponte'

Desde o fim da guerra civil em 1990, o Líbano não conseguiu recuperar seu papel de potência econômica no Oriente Médio e ser uma ponte natural entre o Oriente e o Ocidente. E isso também não ajudou, pois a prosperidade sempre incentivou uma maior liberdade.

Depois, o colapso econômico do Líbano no ano passado foi provocado pela recusa do novo governo em cooperar com o tribunal especial da ONU na investigação do papel da Síria e do Hezbollah no assassinato de Hariri. A revolta na vizinha Síria piorou ainda mais a confiança dos investidores.

Em Beirute, os censores proibiram "O Código DaVinci", dizendo se tratar de um filme anticristão e a série de TV "The West Wing", por ser antiárabe.

Outros fatores que não ajudam a boa imagem da Síria é o péssimo serviço de telefone e a Internet.

Ayman Mhanna, diretor executivo da Fundação Samir Kassir, um grupo dedicado à liberdade de expressão, acredita que o governo mantém a velocidade da internet lenta devido a uma visão equivocada dos censores de que assim fica mais fácil ter controle sobre os encrenqueiros.

"O lento serviço de internet é um dos obstáculos fundamentais contra a nossa liberdade de expressão", concluiu ele.

*Por Rod Nordland

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