Organização dá passo histórico ao receber mais membros negros nos EUA

Conhecida por não aceitar afrodescendentes, a Daughters of the American Revolution passou a agregar afroamericanos que comprovem laço com atores da guerra de independência

The New York Times |

Olivia Cousins consegue rastrear os antepassados de sua família até um soldado que se juntou aos colonos que se rebelaram quando ele tinha apenas 17 anos de idade. Mas quando um amigo sugeriu que ela se juntasse às Daughters of the American Revolution (Filhas da Revolução Americana, em tradução livre), uma organização cujos membros conseguem provar ter descendido de alguém que ajudou os rebeldes em 1776, Cousins quase caiu em gargalhadas.

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Cousins é afroamericana e o DAR, como a organização é comumente chamada, é historicamente branca e conhecida por excluir os afroamericanos - Eleanor Roosevelt, mulher do ex-presidente americano Fraklin Roosevelt, renunciou à sua participação no grupo em protesto a isso.

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Wilhelmena Kelly (E) e Olivia Cousins, do Queens, são membros da Daughters of the American Revolution

No entanto, na semana retrasada, em um capela de pedra de Nova York, construída em 1857, Cousins foi nomeada em uma pequena cerimônia oficial, que estabeleceu um novo capítulo na história da organização. Sua filha tirou fotos. As imagens documentaram um momento singular para o DAR, fundada em 1890: cinco dos 13 membros da organização agora são afroamericanos.

Talvez ainda mais surpreendente, o que aconteceu no Queens é um dos primeiros eventos na organização de quase 122 anos de idade, que foi iniciado por uma mulher afroamericana: Wilhelmena Rhodes Kelly, que também é a regente, ou presidente, da organização. Kelly traça suas origens até a relação entre um proprietário de escravos e uma escrava, que parecem ter se considerado casados.

"Meus pais entenderam que eles eram americanos e participaram de uma importante parte da história americana", disse Cousins, que, assim como os outros membros, é apaixonada pelo estudo da genealogia.

Seu ancestral da Guerra Revolucionária era um homem livre de raça mista.

História

Racismo e as vicissitudes da história sempre mantiveram a participação de minorias no DAR quase inexistentes. Apenas 5 mil dos cerca de 400 mil soldados americanos na revolução eram afroamericanos, disse Eric Grundset, diretor da biblioteca da organização.

O grupo não sabe quantos de seus 170 mil membros são afroamericanos porque não perguntam aos requerentes sua raça. Assim como seu foco na história e na genealogia, o DAR oferece bolsas de estudo, alfabetização e assistência com o processo de naturalização para os novos cidadãos.

No fim da semana passada, Kelly participou do Congresso Continental, um encontro anual de líderes da organização em Washington. Poucos na plateia do Constitution Hall eram afroamericanos, mas quase todos, assim como Kelly, eram apaixonados por genealogia.

"Seus objetivos são os meus objetivos", disse ela. "Elas são acolhedoras, estão empenhadas em recordar essas pessoas, e como uma mulher de cor, por que não me juntar ao DAR? Por que não fazer nossa presença ser notada?"

*Por Sarah Maslin Nir

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