Museu do Holocausto suaviza críticas ao papa Pio 12

Informação anterior afirmava que Pio 12 'não interveio' quando os judeus foram deportados de Roma, enquanto nova diz que ele 'não protestou contra deportação publicamente'

The New York Times |

O Yad Vashem, Museu Memorial do Holocausto em Israel, mudou sua exposição sobre as ações do papa Pio 12 durante a Segunda Guerra Mundial para atenuar sua crítica ao pontífice sobre um assunto que há muito tempo divide os judeus e o Vaticano.

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Os críticos de Pio 12, que foi papa de 1939 a 1958, disseram que ele poderia ter feito mais para deter a deportação de judeus durante a guerra, enquanto seus defensores afirmam que sua diplomacia cautelosa foi feita com o intuito de salvar vidas.

AP
Foto de arquivo mostra parte do Museu e Memorial do Holocausto que fala sobre o papa Pio 12

O novo painel do museu está intitulado de "O Vaticano" em vez de "Papa Pio12" e reduz um pouco o papel do pontífice na negociação do acordo para reconhecer o regime nazista e preservar os direitos da Igreja Católica Romana na Alemanha, ao exaltar que o trato foi feito durante o governo de seu predecessor, o papa Pio 11, quando Pio 12 era secretário de Estado do Vaticano. A informação antiga dizia que Pio 12 "não interviu" quando os judeus foram deportados de Roma. A nova diz que ele "não protestou contra a deportação publicamente."

Ambas as versões dizem que o papa "se absteve de assinar a declaração dos Aliados condenando o extermínio dos judeus", em dezembro de 1942. Mas as novas notas de texto dizem que em um discurso de Natal feito naquele ano por Pio 12 no rádio ele falou sobre as centenas de milhares de pessoas que "haviam sido expedidas para morte ou a caminho dela" por causa de sua etnia. O texto aponta, também, que "os judeus não foram explicitamente mencionados."

Revisão

Um porta-voz do Yad Vashem disse que as revisões resultaram de novas pesquisas, em parte baseadas na abertura do arquivo de Pio 11, e não devido à pressão do Vaticano, que tem mantido por muito tempo que Pio 12 chegou a intervir na deportação dos judeus de Roma para o campo de concentração de Auschwitz. Em 1943, durante a ocupação nazista, 1 mil judeus foram deportados de Roma para a morte.

O representante do Vaticano em Jerusalém não quis comentar a questão.

Além dos fatos, o novo painel do museu aborda a polêmica em si. "Os críticos do papa afirmam que sua decisão de se abster de condenar o assassinato dos judeus pela Alemanha nazista constitui uma falha moral: a falta de orientação deixou espaço para que muitos colaborassem com a Alemanha nazista, tranquilizados pela ideia de que isso não contradizia os ensinamentos morais da Igreja ", diz o texto.

E o texto continua mencionando os defensores do papa, que "sustentam que essa neutralidade impediu com que medidas mais duras fossem tomadas contra o Vaticano e as instituições da Igreja por toda a Europa, permitindo assim que acontecesse um número considerável de atividades de resgates secretos a diferentes níveis da Igreja."

*Por Myra Noveck

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