Presidente do Irã reconhece que sanções ao país são as mais duras já impostas

Mahmoud Ahmadinejad, no entanto, diz que sanções sobre importação de petróleo iraniano não mudarão programa nuclear e ajudarão nação persa a buscar outras fontes de receita

The New York Times |

Na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reconheceu que as novas sanções impostas pelas potências ocidentais ao seu país foram as mais rígidas com as quais ele já teve de lidar, mas disse que não terão nenhum impacto sobre a posição iraniana em relação à prolongada disputa sobre suas atividades nucleares.

Crise: Atingido pela inflação, Irã se prepara para o pior

Ahmadinejad fez sua primeira declaração pública dizendo que as sanções impostas pela União Europeia e Estados Unidos têm como objetivo limitar o alcance da indústria de petróleo do seu país. Ele fez sua declaração enquanto a Guarda Revolucionária do Irã desafiava a pressão ocidental com testes de lançamento de mísseis capazes de atingir Israel e as bases militares dos EUA no Oriente Médio. As imagens dos lançamentos dos mísseis foram transmitidas pela televisão estatal.

Retaliação: EUA elogiam embargo da UE a petróleo iraniano e pressionam Teerã

"As sanções impostas ao nosso país são as sanções mais severas e restritivas já impostas a um país", disse Ahmadinejad durante uma reunião com oficiais do Ministério de Inteligência em Teerã. "Mas a suposição dos inimigos de que eles podem colocar o Irã em uma posição fraca por meio dessas sanções é falsa e é o resultado de seus cálculos materialistas."

Ahmadinejad também disse que o Irã transformará as sanções em uma oportunidade de eliminar a dependência atual do país em relação às receitas de petróleo e tirar de seus inimigos o acesso a seu petróleo, como uma reação por terem imposto tais sanções.

Orçamento

A exportação de petróleo do Irã representa 80% do seu orçamento nacional. De acordo com alguns cálculos da indústria, as exportações de petróleo iranianas já caíram em 40% e o país não havia antecipado os bilhões de dólares por mês que perdeu até agora.

Especialistas da indústria do petróleo disseram que a situação do Irã piorou substancialmente devido ao novo embargo europeu, imposto dia 1º de julho , e as medidas impostas pelos EUA em 29 de junho, que penalizarão quem comprar petróleo iraniano.

Os comentários de Ahmadinejad coincidiram com uma reunião de oficiais de baixo escalão que representarão o Irã e o grupo P5 + 1 de países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, no que ambos os lados descreveram como discussões possivelmente técnicas relacionadas com as negociações sobre o programa nuclear iraniano. Os iranianos insistem que o programa tem fins pacíficos, mas o Ocidente e Israel suspeitam que trata-se de uma cobertura para conseguir fabricar armas nucleares.

Presença militar: EUA se posicionam no Golfo em sinal de alerta

Dependendo do resultado das negociações realizadas em Istambul, poderá se determinar se as negociações que não conseguiram fazer progressos após três rodadas realizadas desde abril, serão ou não suspensas.

NYT
Nos últimos dias, EUA têm reforçado presença militar no Golfo Pérsico (foto de arquivo)

*Por Thomas Erdbrink e Rick Gladstone

    Leia tudo sobre: irãsançõesahmadinejadpetróleoexportaçõesprograma nucleareuaue

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG