Para presidente eleito do México, vencer eleição pode ter sido parte mais fácil

Peña Nieto não apenas vai ter de negociar com outros partidos, mas também enfrentar oposição das bases, conquistar legitimidade e impulsionar a economia

The New York Times | - Atualizada às

No primeiro comício de sua campanha presidencial , diante de milhares de simpatizantes na cidade de Guadalajara, Enrique Peña Nieto assinou um cartaz que listava suas promessas: acabar com a violência decorrente do tráfico de drogas, expandir as oportunidades para os pobres, criar empregos e restaurar a liderança e o orgulho mexicanos no exterior.

Reclamação: México recontará mais da metade dos votos da eleição presidencial

Mas, agora que chegou à presidência, a grande questão é o quanto ele realmente será capaz de fazer.

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Peña Nieto discursa após resultado das eleições em hotel na Cidade do México (2/7)

Sobre as duas questões mais importantes, da criminalidade e da economia, muitos especialistas duvidam que será capaz mudar as coisas rapidamente. Seu partido, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), governou o México de 1929 a 2000 , com autoritarismo e ganância, e o argumento de Peña Nieto de que o partido se reinventou desde então não convenceu a maioria dos mexicanos. Oficiais do PRI também disseram que não esperam ter a maioria das cadeiras no Congresso.

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Peña Nieto não apenas vai ter de negociar com partidos opositores, mas também terá de enfrentar uma oposição das bases e, possivelmente, uma luta prolongada para conquistar legitimidade. Seu rival mais próximo, Andrés Manuel López Obrador , candidato de esquerda que quase chegou ao poder em 2006, ainda tem de ceder. Ao exigir uma recontagem completa dos votos, ele argumentou que a eleição foi envenenada com fraude e que Peña Nieto havia agido de uma maneira "totalmente imoral."

Na terça-feira, um oficial do Instituto Federal Eleitoral disse que as autoridades irão investigar as denúncias de compra de votos e que irão recontar mais da metade dos votos da eleição presidencial.

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Analistas disseram que Peña Nieto, que construiu sua campanha com a promessa de eficácia, enfrentará grande pressão em relação à questão da fraude. Além disso, ele está herdando uma guerra contra as drogas que deixou cerca de 60 mil mortos desde 2006.

Promessas

A que parece menos provável de todas as suas promessas é a de grandes mudanças econômicas. Peña Nieto prometeu em sua campanha dobrar a taxa de crescimento do México para 6%. Mas suas propostas específicas, como diminuir a força das leis trabalhistas, melhorar o sistema fiscal e abrir a Pemex, a empresa estatal de petróleo, ao investimento estrangeiro, todas parecem muito mais difíceis de serem cumpridas agora que ele viu que não terá a maioria das cadeiras do Congresso para seu partido.

Peña Nieto, no entanto, não parece intimidado. Nas suas declarações a seus partidários e repórteres nos últimos dias, ele adotou um tom conciliador. O PRI, depois de ter argumentado que está renovado e diferente, terá de lidar com o fato de que o México está realmente vivendo em uma democracia confusa e complicada na qual os presidentes têm pouco controle sobre o país.

*Por Damien Cave

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