Atingido pela inflação, Irã se prepara para o pior

País persa de vê atormentado pela má administração governamental da economia e pelas sanções internacionais ao seu programa nuclear

The New York Times |

As vendas foram fracas para Ali na semana, como têm sido há meses. As pessoas apenas passavam em frente suas caixas cheias de uvas vermelhas, figos e gengibre, apenas algumas paravam para comprar algo. "Quem no Irã pode se dar ao luxo de comprar um abacaxi que custa US$ 15?", perguntou ele. "Ninguém".

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Mas Ali não está reclamando, pois em compensação está ganhando bastante dinheiro com seu outro trabalho: especulação monetária. "Pelo menos estou lucrando com os dólares que comprei", disse ele.

AP
Políticas econômicas do governo de Mahmoud Ahmadinejad têm prejudicado a indústria iraniana (19/6)

Atormentado pela má administração governamental da economia e pelas sanções internacionais a seu programa nuclear, o Irã está enfrentando um enorme aumento em sua inflação, que deve piorar com a imposição das novas medidas internacionais de 1º de julho , destinadas a acabar com as exportações de petróleo do Irã, sua principal fonte de renda.

Com a moeda local, o rial, desvalorizado em 50% no ano passado em relação a outras moedas, os preços estão subindo rapidamente - oficialmente 25% por ano, mas podendo chegar a mais, segundo economistas.

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Distorcida pela inflação, a economia do Irã está cada vez mais concentrada na especulação. Nesse cassino em crescimento, os vencedores aproveitam as oportunidades para ganhar dinheiro rápido especulando a moeda, enquanto os perdedores presenciam sua riqueza e sua poupança evapora de uma hora para outra.

Fatores

A diminuição na capacidade do Irã em vender petróleo por causa das sanções, a queda das reservas em moeda estrangeira e as erráticas políticas econômicas do presidente Mahmoud Ahmadinejad juntaram-se para criar uma atmosfera na qual cidadãos, bancos, empresas e instituições estatais começaram a se defender por si mesmos.

Com o governo comprando muitos bens do exterior, diversos produtores nacionais e fábricas foram obrigados a demitir seus funcionários. Isso, por sua vez, tornou o Irã mais vulnerável às sanções internacionais, disseram. Empresas que poderiam ter ajudado a produzir bens que foram bloqueados por sanções tiveram de ser fechadas, já que muitos decidiram investir toda sua riqueza na especulação de construção e venda de imóveis, moeda estrangeira ou matérias-primas.

Mas muitos economistas disseram que, mesmo sem as sanções, ainda haveria grandes problemas: um legado de gastos inflacionados e subsídios do Estado que ultrapassam o limite de seu orçamento em gasolina, comida e outros itens básicos acabaram incentivando o consumo excessivo e abriram espaço para a erosão da base industrial do país.

"Muitos fundamentos da economia de nosso país foram destruídos nos últimos anos", disse Hossein Raghfar, economista da Universidade de Al Zahra em Teerã . "E agora, lentamente, as galinhas voltaram à ciscar."

*Por Thomas Erdbrink

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