País persa de vê atormentado pela má administração governamental da economia e pelas sanções internacionais ao seu programa nuclear

As vendas foram fracas para Ali na semana, como têm sido há meses. As pessoas apenas passavam em frente suas caixas cheias de uvas vermelhas, figos e gengibre, apenas algumas paravam para comprar algo. "Quem no Irã pode se dar ao luxo de comprar um abacaxi que custa US$ 15?", perguntou ele. "Ninguém".

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Mas Ali não está reclamando, pois em compensação está ganhando bastante dinheiro com seu outro trabalho: especulação monetária. "Pelo menos estou lucrando com os dólares que comprei", disse ele.

Políticas econômicas do governo de Mahmoud Ahmadinejad têm prejudicado a indústria iraniana (19/6)
AP
Políticas econômicas do governo de Mahmoud Ahmadinejad têm prejudicado a indústria iraniana (19/6)

Atormentado pela má administração governamental da economia e pelas sanções internacionais a seu programa nuclear, o Irã está enfrentando um enorme aumento em sua inflação, que deve piorar com a imposição das novas medidas internacionais de 1º de julho , destinadas a acabar com as exportações de petróleo do Irã, sua principal fonte de renda.

Com a moeda local, o rial, desvalorizado em 50% no ano passado em relação a outras moedas, os preços estão subindo rapidamente - oficialmente 25% por ano, mas podendo chegar a mais, segundo economistas.

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Distorcida pela inflação, a economia do Irã está cada vez mais concentrada na especulação. Nesse cassino em crescimento, os vencedores aproveitam as oportunidades para ganhar dinheiro rápido especulando a moeda, enquanto os perdedores presenciam sua riqueza e sua poupança evapora de uma hora para outra.

Fatores

A diminuição na capacidade do Irã em vender petróleo por causa das sanções, a queda das reservas em moeda estrangeira e as erráticas políticas econômicas do presidente Mahmoud Ahmadinejad juntaram-se para criar uma atmosfera na qual cidadãos, bancos, empresas e instituições estatais começaram a se defender por si mesmos.

Com o governo comprando muitos bens do exterior, diversos produtores nacionais e fábricas foram obrigados a demitir seus funcionários. Isso, por sua vez, tornou o Irã mais vulnerável às sanções internacionais, disseram. Empresas que poderiam ter ajudado a produzir bens que foram bloqueados por sanções tiveram de ser fechadas, já que muitos decidiram investir toda sua riqueza na especulação de construção e venda de imóveis, moeda estrangeira ou matérias-primas.

Mas muitos economistas disseram que, mesmo sem as sanções, ainda haveria grandes problemas: um legado de gastos inflacionados e subsídios do Estado que ultrapassam o limite de seu orçamento em gasolina, comida e outros itens básicos acabaram incentivando o consumo excessivo e abriram espaço para a erosão da base industrial do país.

"Muitos fundamentos da economia de nosso país foram destruídos nos últimos anos", disse Hossein Raghfar, economista da Universidade de Al Zahra em Teerã . "E agora, lentamente, as galinhas voltaram à ciscar."

*Por Thomas Erdbrink

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